ARTIGO

A resistência do jornalismo regional

Celebremos a evolução no meio midiático, sem abrir mão jamais da checagem responsável

por Edinho Araújo
Publicado há 12 horas
Edinho Araújo (Divulgação)
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Edinho Araújo (Divulgação)
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No último dia 7, comemoramos o dia nacional do jornalista. Há outra data que celebra a profissão, o dia nacional da imprensa, comemorado em 1º de junho. Justas homenagens.

Estudante na escola pública de Santa Fé do Sul, na infância e na adolescência, despertei desde cedo o fascínio pela busca do conhecimento, e por duas paixões: o jornalismo e a política.

Na política, tive em casa os exemplos de meu pai Emidio e do meu avô Coronel Araújo. Um ponto curioso é que pai e filho tinham preferências partidárias conflitantes. Emidio era ‘janista’ e me levou pra conhecer Jânio Quadros na estação ferroviária de Rubineia. Meu avô era “ademarista”, um convicto admirador de Adhemar de Barros, polêmico governador, adversário de JQ. Entendi ali, e levei essa lição pra vida toda, a importância de aceitar as diferenças de pensamento e de opinião, e a capacidade de dialogar.

Os profissionais da mídia que conviveram comigo sabem que sempre respeitei a imprensa. Quando ouvi críticas, tentei tirar lições para melhorar. Nos elogios, não me deixei empolgar – entendo que apenas cumpri minha obrigação de político.

Acompanho o jornalismo regional desde os tempos em que a tipografia era feita a chumbo e as fotos em clichês. O tempo passou, a tecnologia evoluiu extraordinariamente, as formas de impressão e transmissão de dados e imagens à distância melhoraram.

Muitos dos jornais tradicionais, como o Diário da Região, criados há décadas, continuam vivos e ativos. Alguns abandonaram de vez o papel. Hoje, estão nos celulares, tablets e notebooks lutando na arena digital para dar seriedade à informação, nestes tempos de fake news. Celebremos a evolução no meio midiático, sem abrir mão jamais da checagem responsável da informação veiculada.

O jornalismo focado na cidadania tem história em Rio Preto e região. Em diferentes momentos, jornais, rádios e revistas se uniram para defender avanços na infraestrutura, na saúde, educação e no meio ambiente, para ficar nestes exemplos. No meio ambiente, denúncias persistentes e cobranças firmes a autoridades salvaram o rio Turvo, praticamente morto pela poluição, nos anos 70 e 80. Outro exemplo foi a mobilização bem-sucedida contra a construção de uma hidrelétrica que sepultaria a cachoeira do Talhadão.

Na infraestrutura, destaco a conquista da Ponte Rodoferroviária sobre o rio Paraná, as duplicações das rodovias Euclides da Cunha, Washington Luís, BR-153 na área urbana de Rio Preto e Assis Chateaubriand até Guapiaçu. Na área da saúde, a estadualização da Funfarme e a consolidação do HB; na educação as vindas do Instituto Federal e da Universidade Federal (UFSCar).

Estive presente em todas estas batalhas e sou testemunha: a imprensa estava lá, cobrando prazos e soluções, e foi sempre determinante. Registro o meu reconhecimento e gratidão a todos os jornalistas que se engajaram nas lutas locais e regionais, por compreender a importância de defender as bandeiras do cidadão, em benefício de toda a população regional.

Edinho Araújo
Prefeito de São José do Rio Preto por 4 vezes, deputado estadual e federal, ministro de Portos e prefeito de Santa Fé do Sul.