A relação com a tecnologia entra em outra fase em 2026
O desafio não será resistir à tecnologia, mas conviver com ela sem abrir mão da autonomia

Entramos em 2026 com uma mudança que já não é mais técnica, mas comportamental. A tecnologia deixou de ser apenas um recurso de apoio e passou a influenciar diretamente a forma como pensamos, decidimos e nos relacionamos com o mundo. A inteligência artificial não é mais novidade. Ela virou ambiente.
Durante muitos anos, nossa interação com a internet foi baseada na lógica da busca. Procurávamos preços, informações, destinos, referências. O usuário fazia o esforço de garimpar respostas. Esse modelo ficou para trás. Em 2026, a relação é outra. Em vez de buscar, conversamos. Interagimos com sistemas que entendem contexto, histórico e intenção.
Essa virada muda profundamente o comportamento humano. A tecnologia passa a acompanhar o indivíduo em tempo real. Assistentes inteligentes aprendem hábitos, rotinas e preferências. A ideia de um robô personalizado deixa de ser conceito futurista e se consolida no cotidiano. Cada pessoa passa a ter uma inteligência moldada ao seu próprio perfil, operando quase como uma extensão da mente.
Ao mesmo tempo, o início de 2026 carrega um alerta claro. A dependência das grandes plataformas ficou evidente quando falhas globais paralisaram serviços, empresas e fluxos de comunicação. Bastaram algumas horas de instabilidade para expor o quanto nossas decisões, negócios e relações estão apoiados em estruturas que não controlamos. A tecnologia evoluiu, mas a vulnerabilidade também.
No campo do conteúdo, o debate se intensifica. Algoritmos cada vez mais sofisticados participam da criação, da curadoria e da distribuição de informação. A pergunta deixa de ser se a inteligência artificial pode criar. Ela já cria. A questão passa a ser outra. O que acontece com a imaginação, a autoria e o pensamento crítico quando padrões de comportamento começam a guiar decisões criativas?
É nesse contexto que 2026 se apresenta como o ano da soberania cognitiva. A disputa deixa de ser apenas por dados ou atenção e passa a envolver memória, emoção, imaginação e capacidade de escolha. A mente deixa de ser um território exclusivamente individual e passa a ser entendida como um valor coletivo, que precisa ser preservado.
O desafio de 2026 não será resistir à tecnologia, mas aprender a conviver com ela sem abrir mão da autonomia humana. A inteligência artificial seguirá avançando. A questão central será como manter o pensamento crítico vivo em um mundo cada vez mais mediado por máquinas inteligentes.
Demetrio Teodorov
Head de Inovação da Rodobens