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A Paz esteja convosco!

A mensagem papal também ecoa em nosso país, pois teremos eleições presidenciais

por Mario Eugenio Saturno
Publicado em 06/01/2026 às 03:52
Mario Eugenio Saturno (Divulgação)
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Mario Eugenio Saturno (Divulgação)
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Esta antiga saudação ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa (Jo 20,19.21), é a sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem. E esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente (Mensagem do Santo Padre Leão XIV para o LIX Dia Mundial da Paz).

São João XXIII escreveu sobre a Guerra Fria: "O resultado é que os povos vivem em terror permanente, sob a ameaça de uma destruição avassaladora. Já que as armas existem e, se parece difícil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensuráveis destruições que a guerra provocaria, não é impossível que um fato imprevisível e incontrolável possa inesperadamente atear esse incêndio".

Pois bem, ao longo de 2024, as despesas militares no mundo aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,7 trilhões de dólares (corrigi o valor para o numeral brasileiro), ou seja, 2,5% do PIB mundial. O Papa não fala de Rússia e Coreia do Norte, mas o desarmamento dos espíritos passa necessariamente pela China, que deveria receber atenção do Papa e das nações pacíficas.

A mensagem papal também ecoa em nosso país, pois teremos eleições presidenciais, fato que acirra as disputas ideológicas à direita e à esquerda. Se não bastasse testemunharmos o esfacelamento de famílias, amizades e cultos, o Congresso nos brinda com uma lei que estimula as tentativas de golpe.

Às vezes, eu fico admirado com a perda de senso de políticos experientes. Incapacitados pela Constituição de concederem uma anistia ampla aos que promoveram um golpe de estado, fizeram uma lei que reduz a dosimetria das punições, criando, segundo os especialistas, privilégios específicos, redução desproporcional das penas, possível expansão para outros crimes violentos, risco de inconstitucionalidade e impacto negativo na credibilidade das instituições democráticas.

Diante de candidatos incompetentes, antidemocráticos, que estão a serviço dos combustíveis fósseis, entre muitas desgraças, precisamos escolher os menos ruins! Cada brasileiro é livre para escolher quem quiser e isso não torna ninguém comunista ou fascista. Precisamos calar os divisores detratores e resgatar o respeito à cidadania, ter paz para unir e construir uma nação soberana.

Mario Eugenio Saturno

Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.