A família
A grande função da família assenta-se no aspecto da sociabilidade e da socialização

A palavra família nasceu do latim “famulus” que nos define um agrupamento humano formado por mais de uma pessoa, com ancestrais comuns e ligações afetivas fortes, mesmo em algumas crises de relacionamento, que vivem ou não sob o mesmo teto. A família é, sem dúvida, e segundo todas as linhas filosóficas do homem, o pilar da sociedade humana.
Na família ou nas famílias, existe sempre um grau de parentesco, sendo que o tempo não interfere na história da família, apenas fazendo parte dele, com raízes no mesmo DNA, sendo infindável, inclusive para fins de genética e até financeiramente falando, pelas linhas da herança, inclusive de títulos de nobreza.
Hoje, juridicamente, existe a figura da família substituta, apenas com caráter transitório. No Direito Romano, passou a constituir a família os pais, vindos de famílias diferentes, e depois os filhos, netos e outros graus na sucessão natural. Duas famílias passavam, pelo casamento, a constituir apenas uma família, daí o conceito de família real, num estado monárquico.
Famílias são agregações familiares onde a questão da proteção mútua deve estar presente na linha do tempo. A grande função da família assenta-se no aspecto da sociabilidade e da socialização, onde se instalam e se desenvolvem sistema de valores, crenças e atitudes de saúde, em elevada percentagem.
Temos registros de sepultura descoberta na Austrália, identificados como uma mãe, um pai e dois filhos de 8 e 9 anos, ou 4 e 5 anos, com uma idade de 4.600 anos, que passou a constar na lista científica como o mais antigo registro ou agrupamento genético molecular indicando, já naquele tempo, um agrupamento familiar.
Naturalmente a família é definida e entendida como um lar, o que nem sempre acontece, visto que seus membros podem habitar lugares totalmente diferentes. Para uma criança, o lar ou a família unida é o grande patamar de seu futuro dentro do agrupamento humano. A ausência de um dos cônjuges na família, preferencialmente da figura materna, por qualquer que seja a razão, reflete na vida dos filhos de forma desastrosa e sob vários aspectos, tanto nos tempos atuais como também na linha antiga do tempo.
A união familiar, mesmo com algumas crises que ocorrem durante a vida social do agrupamento humano, é geradora do fator afeto, imprescindível para a existência de uma família. A questão da herança, dentre todos os valores sociais, tem se mostrado um dos maiores problemas sociais que a sociedade humana registra. Rompimentos entre irmãos, entre pais e demais membros da sociedade humana e um enorme volume de desavenças que acabam por durar uma vida inteira, transformando seus membros em verdadeiros inimigos que atravessam os portões da morte e rejeitam a reconciliação, perdendo-se os registros na linha do tempo - restando, em vários casos, apenas os prédios também tão deteriorados como as próprias fortunas.
Antonio Caprio
Pesquisador e biólogo, Tanabi.