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A estratégia de Trump

Os Estados Unidos, apesar de ter uma retórica explosiva e contundente, são pragmáticos

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Há em alguns círculos intelectuais a crença que Donald Trump é presunçoso e fala demais. Desconfio que essas “qualidades” lhe são úteis e caem bem na sociedade americana. Resta aguardar até onde vai a retórica e onde chega a realidade. A diplomacia surgiu na Mesopotâmia, Egito e Grécia como um instrumento de política externa e relações internacionais. O objetivo é resolver conflitos entre as nações sem recorrer às guerras.

Não podemos menosprezar o tema da Groenlândia. Haverá pressão para solução pacífica e negociada, sabendo-se que a Dinamarca não é a Venezuela e a Europa não é a América Latina. As “latitudes políticas” são diferentes e exige-se muito esforço para um denominador comum. Ali está o futuro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Do ponto de vista militar, teoricamente, os Estados Unidos estão servidos: têm aliança e base militar na área.

As ações americanas podem ser vistas ou analisadas sob uma ótica exclusivamente econômica. Há um objetivo claro: evitar a decadência da influência e manutenção do poderio militar. Andam juntas. No Brasil, a pressão para a instalação de bases militares sempre existiu. Se depois da Guerra houvesse tido bons governos de nosso lado, certamente as alianças seriam aprofundadas e sedimentadas. A Guerra propiciou passos estratégicos importantes, negligenciados em função de políticas de não alinhamento e independência hemisférica. Isso é discutível.

Os Estados Unidos, apesar de ter uma retórica explosiva e contundente, são pragmáticos. O caso da Venezuela está provando isso. O afastamento peremptório de Maria Corina Machado e a aceitação do papel transitório de Delcy Rodriguez apontam na direção desse pragmatismo de ocasião. É mais fácil conseguir a cooperação de gente acuada do que de um Prêmio Nobel e respeitável política venezuelana.

Outro ponto foi a flexibilização das acusações a Maduro. Os Estados Unidos abandonaram a pecha de chefe do cartel do narcotráfico. Temos de olhar a retórica sob as reticências da diplomacia. O papel diplomático ainda é essencial. Provam-no Brasil e Colômbia, onde as ameaças de Trump foram significativamente amainadas, certamente sob diálogos não publicados e provavelmente cheios de concessões de ambos os lados. O futuro vai mostrar o tamanho dessas concessões.

Laerte Teixeira da Costa

Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores e ex-vereador de Rio Preto.