ARTIGO

A Estação Ecológica é nossa!

O afrouxamento das regras de preservação de uma área é uma decisão muito infeliz

por Maria Stela Maioli Castilho Noll
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, uma Estação Ecológica é definida como Unidade de Conservação de Proteção Integral, com restrições rigorosas de acesso (SNUC Lei 9.985/2000). Rio Preto divide com Mirassol a Estação Ecológica do Noroeste Paulista (antigo IPA), protegendo remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado. Também está conectada com a Floresta Estadual do Noroeste Paulista e juntas representam uma joia preciosa para uma cidade que possui níveis muito abaixo dos aceitáveis de arborização e que sofre com altas temperaturas, escassez de água e um com dos piores índices de qualidade do ar.

Recentemente, temos escutado críticas sobre o nível de proteção dado à nossa Estação Ecológica, com a intenção de transformar esta área em um Parque Ecológico. Num primeiro momento, pode-se até pensar numa intenção valorosa no argumento, uma vez que Parques Ecológicos, também segundo o SNUC, são áreas de preservação menos restritivas de acesso à população. Entretanto, quando olhamos para a localização desta área, uma das mais economicamente valorizadas em Rio Preto, fica vergonhosamente clara a verdadeira intenção: com o afrouxamento das regras de preservação, é possível urbanizar, construir condomínios e avenidas dentro e no entorno, gerando ganhos financeiros vultuosos para poucos favorecidos.

E por que é importante preservar uma área com elevado grau de proteção? Porque a EENP, juntamente com a FENP, representa um dos poucos remanescentes de floresta numa das regiões mais desmatadas do Estado. Apesar de ter sido já castigada por incêndios, continua abrigando uma rica fauna e flora e cumpre papel importante no controle da temperatura, abastecimento de lençol freático e melhoria da qualidade do ar. A biodiversidade presente nesta floresta representa importante fonte de espécies polinizadoras, controladoras de pragas e de exóticas invasoras, dispersam sementes que brotam e renovam a floresta e outras áreas verdes.

O afrouxamento das regras de preservação de uma área, seja na transformação em um parque ou mudando o Plano Diretor da cidade é uma decisão muito infeliz e de autossabotagem. Em todo o mundo, cientistas, urbanistas e gestores mais avançados têm mostrado que pensar em crescimento urbano sem incluir a preservação de áreas verdes é gestar uma cidade que está fadada ao fracasso, à péssima qualidade de vida e à emigração. Alô, gestores e população, é isto o que vocês querem?

Maria Stela Maioli Castilho Noll

Bióloga e Docente na UNESP, participante do grupo Mulheres na Política.