A economia que brilha
Há séculos, felizmente, o mundo tem sido um grande laboratório para os que estudam e/ou os que atuam em setores importantes da economia

É sempre muito gratificante quando um professor tem a chance de participar de eventos que contribuem para que os jovens possam conhecer melhor as oportunidades que são oferecidas pelas diferentes carreiras profissionais. Sejam as chamadas “feiras de profissões”, os “debates sobre carreiras”, ou qualquer outra denominação que recebam, é de grande valia que os jovens, que ainda estão cursando o ensino médio, recebam o máximo de informações sobre as especificidades que fazem parte da vida de todos os profissionais, no exercício de suas respectivas atividades.
Vale ressaltar, também, que a quantidade de cursos de formação superior que é oferecida na atualidade é muito maior daquela que estava à disposição dos, então, jovens que ingressavam no ensino superior nos anos 1960, 1970 e 1980, por exemplo. Com a expansão e a diversificação dos cursos de graduação, que se deu a partir do final dos anos 1990, a decisão sobre qual curso escolher passou a ser muito mais complexa, considerando-se que essa decisão, na maior parte das vezes, é tomada por um jovem de 17 ou 18 anos de idade. Desta forma, é louvável todo tipo de iniciativa tomada pelas instituições que oferecem o ensino médio e cursos pré-vestibular, visto que tais iniciativas têm a relevante missão de auxiliar os alunos nessa difícil etapa de tomada de decisão.
No meu caso, sendo professor de Economia em uma das maiores instituições públicas de ensino superior tecnológico do estado de São Paulo, sempre tenho a oportunidade e a alegria de fazer parte desses eventos destinados à orientação profissional e dessa etapa da vida dos futuros graduandos. São nessas ocasiões que tenho a possibilidade concreta de poder compartilhar com os jovens o enorme leque de alternativas que a formação em Economia tem a oferecer àqueles e àquelas que optarem por seguir essa carreira. Essa possibilidade, por si só, já é uma experiência fantástica.
Como diz o professor Alfred Mill, no livro intitulado “Tudo o que você precisa saber sobre economia”, “o campo da economia é enorme, pois há uma gama imensa de escolhas. Alguns economistas estudam a tomada de decisão de indivíduos e instituições; outros estudam como os países lidam com a escassez. Os economistas desenvolvem teorias para explicar o comportamento de tudo o que estudam... os economistas trabalham para universidades, instituições financeiras, grandes corporações e governos”. Diante dessa reflexão feita pelo professor Mill, não é por acaso, portanto, que muitos cursos superiores mantêm em seus quadros curriculares disciplinas próprias da formação de economistas (Micro e Macroeconomia; Economia Ambiental; Economia do Setor Público; Desenvolvimento Regional; etc.). Isso se deve ao fato de que muitos dos profissionais que atuam em outras áreas do conhecimento precisam ter familiaridade com princípios, conceitos e aplicações práticas de economia.
Há séculos, felizmente, o mundo tem sido um grande laboratório para os que estudam e/ou os que atuam em setores importantes da economia. Mais recentemente, os problemas econômicos decorrentes de decisões políticas unilaterais, conflitos entre nações, degradação ambiental, mudanças tecnológicas, globalização de mercados, entre outros, nos dão a certeza de que a demanda por profissionais, com profundos conhecimentos em temas relacionados à economia, tende a aumentar consideravelmente.
Assim sendo, tenho a esperança de que aquele brilho que vejo nos olhos dos jovens, que me arguem sobre oportunidades de atuação profissional e que me falam com ternura sobre o desejo deles em cursar Economia, seja, provavelmente, o mesmo brilho que irá iluminar a mente desses futuros profissionais quando, no exercício da profissão, estiverem na busca para tornar a vida de todos (cidadãos, corporações, instituição públicas e privadas) um pouco melhor.
Ademar Pereira dos Reis Filho
Doutor pelo IGCE/Unesp de Rio Claro e docente da Fatec de São José do Rio Preto