A Copa do Mundo e a energia elétrica
Excesso de geração, por exemplo, impõe o desligamento de fontes eólicas no Nordeste

O Brasil possui um sistema interligado de geração de energia elétrica conhecido tecnicamente como Sistema Interligado Nacional – SIN. A energia elétrica que consumimos é uma miscelânea de fontes geradoras, como hidrelétrica, eólica, fotovoltaica, nuclear, madeira, carvão mineral, gás natural, biomassa de cana-de-açúcar e lixívia negra de celulose.
No Brasil não há sistemas regionais de geração e de consumo de energia. Rio Preto está localizada a menos de 60 km das hidrelétricas de Marimbondo e de Promissão e, nem por isso, a energia consumida por aqui provém exclusivamente do Rio Grande ou do Rio Tietê. As linhas de transmissão “transportam” energia gerada a milhares de quilômetros, como os linhões do Rio Madeira, na bacia amazônica, distante 2.535 km de Araraquara, um centro de distribuição nacional.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS controla milhares de fontes geradoras, “despachando”, ou seja, determinando o acionamento da geração (ou desligamento), dependendo do consumo. A todo instante o consumo de energia (carga) precisa estar equilibrado com a geração. Excesso de geração, por exemplo, situação que vem ocorrendo com a energia fotovoltaica por volta das 14h, impõe o desligamento de fontes eólicas localizadas no Nordeste, sob o risco de, não o fazendo, o sistema se desequilibrar e ocorrerem apagões.
Pois bem, durante o jogo do Brasil contra o Japão, praticamente toda a população brasileira estava na frente das TVs, celulares, telões e monitores. O consumo de energia caiu cerca de 21% comparativamente ao normal para aquele horário. No intervalo desse jogo, as pessoas normalmente se levantaram, ligaram um forno, uma tostadeira elétrica, abriram uma geladeira e o consumo de energia subiu 4% em questão de minutos. Na primeira hora após o término do jogo, o consumo aumentou 18% em relação ao início. Essas oscilações abruptas de cargas representam um desafio para o Sistema Interligado Nacional manter o fornecimento de energia elétrica para os brasileiros.
As emoções da Copa do Mundo mudam o comportamento de praticamente 100 milhões de consumidores brasileiros de energia elétrica que assistem aos jogos simultaneamente.
A princípio, o SIN funcionou bem, não houve notícias de apagões elétricos, inclusive nos dados de internet.
José Mário Ferreira de Andrade
Engenheiro civil e sanitarista.