8 de janeiro: Defesa da Democracia
Liberdade não se impõe com bombas. Democracia não nasce da força bruta

Há datas que não pertencem ao calendário festivo, mas à memória coletiva. O 8 de janeiro é uma delas.
Naquele dia, o Brasil assistiu à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes por grupos que se recusavam a aceitar o resultado das urnas e defendiam abertamente a ruptura institucional. Não foi “ato patriótico”, tampouco manifestação legítima. Foi uma tentativa de golpe de Estado, reconhecida pelas instituições brasileiras e por organismos internacionais.
Por isso causa indignação a proposta de um vereador de Rio Preto que pretende transformar o 8 de janeiro em “Dia do Patriota”. A iniciativa distorce a história recente e banaliza um ataque frontal à democracia. Rebatizar um dia de violência institucional como celebração cívica não é reconciliação, mas apagamento.
Democracias não se sustentam apenas com eleições. Elas precisam de memória, verdade e vigilância cidadã. Esquecer, ou reescrever, episódios autoritários sempre foi o primeiro passo para que se repitam.
O 8 de janeiro deve ser lembrado como um dia de defesa ativa da democracia, não como sua caricatura. Mobilizar a sociedade, promover debates públicos e manifestações pacíficas é um dever cívico de quem compreende que liberdade não combina com anistia a golpistas nem com a relativização da violência política.
Esse debate local ganha ainda mais gravidade quando observamos o cenário internacional. Setores da extrema direita brasileira celebram agressões contra a Venezuela, inclusive com manifestações entusiasmadas de figuras do PL local, revelando a coerência entre o autoritarismo que se tenta normalizar aqui e o alinhamento ao imperialismo externo. Quem relativiza golpes no Brasil costuma aplaudir intervenções fora dele.
Nesse contexto, gritar “Venezuela livre” no mesmo ato, exige responsabilidade política e coerência democrática. Significa defender o fim das sanções, rejeitar sequestros de chefes de Estado e condenar ações militares à revelia do direito internacional.
Liberdade não se impõe com bombas. Democracia não nasce da força bruta. O princípio é o mesmo que defendemos para o Brasil. O direito dos povos decidirem seu próprio destino.
O Brasil, sob a liderança do presidente Lula, tem reafirmado esse compromisso histórico com a autodeterminação dos povos, a paz e a solução diplomática dos conflitos, uma posição que honra nossa tradição democrática e precisa ser sustentada pela sociedade.
Em Rio Preto, o 8 de janeiro não pode ser um dia de silêncio quanto a isso e nem de falsificação da história, mas de memória, reflexão e compromisso com a democracia local e com a soberania dos povos.
Carlos Alexandre
Presidente do PT Rio Preto
Formado em Administração Pública pela Federal de Ouro Preto