‘A língua é minha pátria’
Que a política possa ser melhor do que essa que estão a fazer em Rio Preto

Ouvindo a música “Língua”, de Caetano Veloso, ouso abordar a temática em torno do termo patriota. Ele vem sendo deturpado por pessoas que se arvoram mais patriotas do que outras e, aqui em Rio Preto, por um jovem vereador a barbarizar e querer transformar o fatídico dia de janeiro de 2023 em dia do patriota.
Com o “convite à unidade em torno do amor pelo Brasil”, coloca parte considerável da população rio-pretense na condição de menos patriota, nos moldes da tomada para si, da bandeira nacional. Tal propositura faz da política, que molda o cotidiano de nossas vidas, um caldo maniqueísta entre direita e esquerda como sendo o bem contra o mal, reduzindo a complexidade do que ocorreu na data, além de esconder quem são os amigos do povo.
Está mais que demonstrado que os atos do 8 de janeiro vieram no bojo de outras tantas ações para desestabilizar o governo democraticamente eleito, devido a não aceitação do resultado das eleições de 2022 para presidente. Eram contrários à posse do novo presidente e não aos demais cargos eleitos (senadores, deputados, governadores) e pediam intervenção militar. Assim, o projeto de lei do vereador serve como caixa de ressonância para minimizar o conteúdo antidemocrático dos atos e atenuar as responsabilidades diante dos danos causados ao patrimônio público e contra nossas instituições; violentos que foram, mancharam o próprio termo patriota.
Não é de hoje que se tenta controlar, por mãos externas e nada brasileiras, nosso vigor de povo, porém, a partir de 2002, quando assume a presidência da república, através do voto popular, um legítimo brasileiro, vindo da camada mais pobre da sociedade, ações mais pesadas são praticadas para desqualificar nossa democracia e sabotar nossa soberania. São mãos alheias, nada patriotas e o motivo é que o nosso presidente, unindo as forças progressistas, tem conectado ao poder de governar, a classe trabalhadora que, assim como, no passado, negros escravizados foram colocados como não gente para satisfazer as necessidades econômicas de quem detinha o poder, é sempre desconsiderada.
As loucuras que um certo presidente dos Estados Unidos vem fazendo, atingindo a soberania de diversas pátrias amadas, só vêm engrossar o caldo, esticar a corda e dar respaldo aos desvarios que aqui se apresentam. Bom lembrar da existência dos mais de 500 foragidos, os fora da lei condenados pelo 8 de janeiro que, de patriotas, não tem nada. Que a política possa ser melhor do que essa que estão a fazer em Rio Preto.
Luciana Bonosque Figueiredo
Pedagoga. Participa do Coletivo Mulheres na Política.