Altruísmo x egoísmo
A visão central é que o livre mercado puro gera desigualdades; então, o Estado tem de atuar

Debate velho. Vem de longe, desde Maquiavel (Nicolau, 1460-1527), passando por Stirner (Max, 1806-1856) e Nietzsche (Friedrich, 1844-1900). Depois deles, já no século 20, ninguém influenciou mais do que Ayn (Rand, 1905-1982), a guru da direita americana. Todos, incluindo Sigmund (Freud, 1856-1939), foram críticos do altruísmo e adeptos do individualismo. A sociedade americana é considerada a mais individualista do mundo.
O altruísmo recebeu o reforço das religiões. O cristianismo, com sua máxima de amor ao próximo, ressalta sentimentos como caridade, indulgência, benevolência, equidade e justiça. Kant (Emmanuel, 1724-1804), defendendo a ética no dever e na responsabilidade, pode ser citado como apologista do altruísmo. Há outros.
Simples teste pode revelar se nossa tendência é para um ou para outro lado. Por exemplo, qual é a nossa posição sobre o Bolsa Família? Há os que criticam os programas de ajuda aos pobres. Noves fora a utilização política, os desvios e a concessão sem critérios desses benefícios, o objetivo é evitar a fome e proporcionar a paz social. Há certa concordância quanto à legitimidade desses objetivos.
Iniciativas assemelhadas são antigas. Na Inglaterra, em 1601, a rainha Elizabeth (a primeira) criou o Poor Laws (lei de assistência aos pobres); nos Estados Unidos, em 1939, o SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program) foi adotado pelo presidente Franklin D. Roosevelt, depois aperfeiçoado pelo presidente Kennedy (John F., 1917-1963). Todos esses programas tiveram como ponto em comum não permitir que os pobres morram de fome.
Bem-sucedida foi a “Economia Social de Mercado”, em 1948, na Alemanha Ocidental. Idealizada pelos professores da Escola de Friburgo e implementada por Ludwig Erhard, ministro da Economia de Konrad Adenauer. A visão central é que o livre mercado puro gera desigualdades. Então, o Estado tem de atuar para redistribuir a renda; outra experiência que provocou interesse foi a do Butão, local em que o PIB (Produto Interno Bruto) foi substituído pelo FIB (Felicidade Interna Bruta); há ainda o modelo da social-democracia nórdica, onde temos economia de mercado altamente capitalista e um radical programa de Bem-Estar Social, sustentado por impostos altíssimos.
A Suíça foi o único país a rejeitar a concessão de renda básica, em plebiscito realizado em 2016. E não foi por pouco: nada menos do que 77% dos eleitores disseram não à proposta. Depois desse breve texto, qual a sua posição sobre as ajudas sociais básicas?
Laerte Teixeira da Costa
Vice-presidente da UGT e ex-vereador em São José do Rio Preto.