Aliados avaliam prisão
Aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas), se articulam para rejeitar a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL), mas de uma forma que evite passar a imagem de afronta a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia avaliada nos bastidores, principalmente por partidos do Centrão, é derrubar a ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, referendada, por unanimidade, pelo plenário da Corte.
Na tentativa de contornar o desgaste, porém, o grupo tenta construir um acordo para suspender o mandato do parlamentar até a análise do caso pelo Conselho de Ética da Casa, que está parado desde o ano passado por causa da pandemia do novo coronavírus.
Em público, líderes partidários mais envolvidos na construção do acordo têm evitado fazer considerações sobre o episódio, mas, a portas fechadas, há articulações para salvar Silveira. A proposta de enviar o caso ao Conselho de Ética, que, em tese, passaria a analisar um processo de cassação contra o deputado por quebra de decoro parlamentar, seria apenas para ganhar tempo e dar uma resposta à opinião pública e ao próprio Supremo.
Na prática, este será o primeiro teste de fogo de Lira no comando da Câmara. O desfecho do processo liderado por ele poderá representar um enfrentamento ao STF ou um aceno a seus pares, que também têm demandas judiciais na Corte e se incomodam com a pressão de ministros sobre eles.
Para barrar a prisão de Silveira, parlamentares devem argumentar que, embora considerem graves as declarações do deputado, Moraes exagerou ao determinar a prisão "em flagrante" após a postagem do vídeo. Nos bastidores, há um temor de que a confirmação da decisão do ministro abra um precedente. (AE)