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EDITORIAL

Alerta nas licenciaturas

Dados da Prova Nacional Docente mostram que mais de um terço dos concluintes de licenciatura na região de Rio Preto teve desempenho abaixo do básico

por Da Redação
Publicado há 15 minutos
Editorial (Divulgação)
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Os números revelados pela Prova Nacional Docente, o "Enem dos Professores", expõem uma realidade alarmante para a educação na região de Rio Preto. O levantamento, publicado na edição desta quarta-feira, 27, do Diário da Região, mostra que mais de um terço dos estudantes concluintes dos cursos de licenciatura não atingiram o desempenho mínimo considerado adequado para o exercício da docência. Trata-se de um retrato preocupante, que exige reflexão imediata e ações concretas de universidades, gestores públicos e órgãos de fiscalização.

A formação de professores é uma das bases mais importantes de qualquer sociedade que pretenda avançar social e economicamente. Quando 37% dos futuros docentes apresentam desempenho abaixo do básico em uma avaliação nacional, o problema deixa de ser pontual e passa a representar uma ameaça estrutural ao futuro da educação. Afinal, professores mal preparados tendem a reproduzir deficiências de aprendizagem dentro das salas de aula.

O cenário se agrava ainda mais quando observados os dados dos cursos de Ensino a Distância. O índice de estudantes que não alcançaram a meta mínima chega a 66%, ou seja, dois em cada três concluintes. Embora o EaD tenha ampliado o acesso ao ensino superior, especialmente para quem enfrenta dificuldades financeiras ou geográficas, os resultados levantam questionamentos sérios sobre a qualidade da formação oferecida em parte dessas instituições.

A avaliação promovida pelo MEC e pelo Inep escancara uma crise que não pode mais ser ignorada. O uso desses subsídios deve servir de base para mudar o cenário. Caso contrário, qual seria a serventia dessas avaliações? A expansão desenfreada de cursos, muitas vezes sem a devida fiscalização e sem critérios rigorosos de qualidade, compromete diretamente a formação dos profissionais responsáveis por educar as próximas gerações. O alerta feito pelo professor Valter Roberto Silvério na reportagem do Diário é pertinente ao apontar a ausência de responsabilidade sistêmica e o impacto dessa omissão na educação básica.

Obviamente, não há solução simples para um problema tão profundo. É necessário fortalecer a fiscalização dos cursos de licenciatura, valorizar a carreira docente e garantir que universidades, públicas e privadas, ofereçam formação sólida e compatível com a importância da profissão. Raciocínio que, é evidente, vale para todas as profissões.

O País não conseguirá melhorar seus indicadores educacionais enquanto a formação de professores continuar apresentando resultados tão preocupantes. Sem bons professores, de fato, não haverá bons alunos.