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EDITORIAL

Agentes fora da lei

As suspeitas de ligação de policiais até com homicídios relacionados à agiotagem escancaram a dimensão de um verdadeiro escândalo

por Da Redação
Publicado há 2 horas
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A denúncia do Ministério Público Militar contra quatro policiais militares e um ex-policial de Rio Preto, acusados de integrar um esquema de agiotagem e extorsão, é grave e exige resposta firme das instituições. Paradoxalmente, é a ação perniciosa e devastadora daqueles agentes que, travestidos de defensores da lei, se transformam justamente em gente fora da lei.

Reportagem publicada neste sábado pelo Diário da Região mostrou que, segundo as investigações, entre 2022 e 2025, o grupo teria utilizado fardas, armas e até viaturas oficiais para intimidar vítimas e garantir a cobrança de empréstimos com juros abusivos, valendo-se justamente da autoridade que deveriam representar.

O caso, já aceito pela Justiça Militar, resultou em prisão preventiva decretada do único policial que ainda respondia em liberdade, enquanto os demais já se encontravam presos no curso das investigações. A denúncia aponta uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e uso consciente da função pública como instrumento de coação. As suspeitas de ligação com crimes ainda mais graves, como homicídios relacionados à agiotagem, ampliam a dimensão do problema e reforçam a necessidade de apuração rigorosa.

Obviamente, é essencial evitar generalizações. A conduta atribuída aos envolvidos não pode servir para desqualificar a Polícia Militar, composta majoritariamente por profissionais que cumprem seu dever dentro da legalidade e, muitas vezes, em condições adversas. Punir casos como este, aliás, deve ser do interesse da própria instituição, que não pode compactuar com desvios de conduta, ainda mais quando o crime veste farda e anda armado, com direito a exibicionismo em viaturas oficiais.

A atuação do Ministério Público e da Corregedoria demonstra que existem mecanismos de controle e fiscalização em funcionamento, o que é fundamental para preservar a credibilidade institucional. É justamente a responsabilização dos culpados que permite separar o erro individual da missão coletiva da corporação.

O episódio de Rio Preto é um alerta gravíssimo. Não há espaço para abusos dentro das forças de segurança, tampouco é admissível que crimes de alguns apaguem o trabalho correto da maioria. É interesse de toda a sociedade combater desvios e preservar instituições.