A mulher na Igreja Primitiva
Testemunhos trazem a participação das mulheres na evangelização

No ano passado, abordei a profecia de Dom Celso Queirós: as mulheres exercerão o sacerdócio na Igreja Católica! O Papa Francisco constituiu duas comissões para estudar o Diaconato por mulheres.
Procurei e achei na Biblioteca do Vaticano o estudo "O Ministério das Mulheres na Igreja Antiga", de 1974, de dom Jean Daniélou, jesuíta, cardeal e professor de História Antiga do Cristianismo. Faço uma abordagem inicial.
Sobre a participação das mulheres no ministério da Igreja, não há registro de que alguma mulher foi revestida de funções sacerdotais: no sacrifício eucarístico, ordenação, não prega na igreja. Por outro, a história do cristianismo registra mulheres na missão, no culto e no ensino.
As cartas autênticas de São Paulo mostram a importância do papel desempenhado pelas mulheres. Na Carta aos Romanos, Paulo nomeia e dá a função de várias mulheres que trabalharam para ele. Fala de "Febe, nossa irmã, que é serva (diakonos) da Igreja de Cencreia. Ela é um amparo (prostatis) para mim e para muitos. Saudai Prisca e Áquila, que foram meus colaboradores (synergus) em Cristo Jesus... Saudai Maria, que muito trabalhou (ekopiasen) por nós".
Assim também "Trifena, Trifosa, Pérside trabalham (kopian) no Senhor (16, 1-16). Na Carta aos Filipenses trata de "Evódia e Síntique, que combateram comigo no evangelho (em to euaggelio) com Clemente e outros meus colaboradores (synergon)" (4, 2).
Não é preciso tirar desses textos mais do que eles contêm. O termo diáconos, aplicado a Febe, não tem muito o sentido de uma função hierárquica determinada, como o terá em seguida para as mulheres: tem aquele geral de servo que assume ordinariamente no Novo Testamento (Ef 6, 21). Igualmente, prostatis não indica a presidência de uma comunidade.
Mas não se deve, porém, tampouco minimizá-los. Os termos synergous e diákonos significam em Paulo, para os homens, uma participação na evangelização: não há razão para que seja diferente para as mulheres. Nos casos de Evódia e Síntique, fala-se explicitamente de uma colaboração "no anúncio da boa nova" (euaggelion). O mesmo, a expressão "trabalhar no Senhor" não pode designar senão tarefas apostólicas.
Outros testemunhos trazem a participação das mulheres na evangelização nos tempos apostólicos. Um texto essencial seria os Atos de Paulo e Tecla, se se lhes pudesse crer. Tertuliano nos informa que é fabricação de um presbítero asiático (Bapt. 17, 4). Mas Tertuliano é contra o ministério feminino, sendo, pois, suspeito de ter agravado a condenação da obra, que deve conter um fundo de tradição autêntica. Nela vemos Tecla converter Trifena e um grupo de mulheres em Antioquia com sua confissão diante do juiz, depois, ir a Trifena e aí permanecer oito dias, "instruindo-a (kateqesasa) na Palavra de Deus, de modo que a maior parte de suas servas creram" (38-39).
Nessa introdução, já fica a sensação de subtração da importância feminina na Igreja e que, pelos atos, Francisco e Leão estão buscando restituição.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.