A invasão dos 'wearables': estamos olhando menos para as Telas?
O verdadeiro motor desse crescimento é a inteligência artificial; ela permite que esses aparelhos entendam o contexto de onde estamos sem precisarmos digitar uma única palavra

Se você der uma caminhada no final da tarde ali na nossa Represa Municipal em Rio Preto, vai notar uma cena que se tornou o padrão da nossa última década: centenas de pessoas caminhando com o pescoço curvado e os olhos fixamente colados em uma tela brilhante.
O smartphone nos entregou o mundo na palma das mãos, mas também nos cobrou um preço físico e emocional alto, refletido na nossa postura e na falta de presença no momento em que estamos vivendo.
No entanto, o mais fascinante de acompanhar a inovação agora em 2026 é perceber que estamos entrando em uma fase nova. O objetivo agora é, ironicamente, fazer com que a gente guarde o celular no bolso.
É a ascensão irreversível dos chamados dispositivos vestíveis, os famosos wearables, que prometem transformar a tecnologia em algo invisível, fundindo-a ao nosso corpo e ao ambiente de maneira sutil.
Estamos falando de anéis inteligentes que monitoram nossa saúde sem que precisemos tocar em telas, e óculos que projetam direções de GPS ou traduções simultâneas nas lentes. Temos até broches magnéticos com inteligência artificial que funcionam como assistentes, escutando e vendo o mundo com a gente.
Essa mudança não é um mero capricho da moda, mas uma resposta sincera à nossa exaustão digital. De acordo com os relatórios da IDC (International Data Corporation), o mercado global desses dispositivos continua a quebrar recordes, com centenas de milhões de unidades enviadas anualmente.
O verdadeiro motor desse crescimento é a inteligência artificial. Ela agora permite que esses aparelhos entendam o contexto de onde estamos sem precisarmos digitar uma única palavra.
Imagine a diferença na prática: em vez de interromper um jantar para procurar uma informação no celular, você simplesmente pergunta em voz baixa ao seu anel ou óculos. A resposta chega de forma fluida no seu ouvido ou projetada no seu campo de visão.
Isso é o que os maiores especialistas chamam de computação ambiente. A tecnologia está absolutamente em todo lugar, mas não ocupa o centro da nossa preciosa atenção visual.
Para quem trabalha com marketing, vendas e inovação, essa é uma curva de aprendizado obrigatória. Como vamos comunicar uma oferta para um consumidor que não está olhando para banners, mas sim interagindo com o mundo físico?
A resposta está na extrema utilidade. A publicidade invasiva e barulhenta perde espaço de vez para o auxílio útil e contextual.
Se o cliente usa um dispositivo que percebe que ele caminha sob o forte sol de trinta e cinco graus no nosso centro da cidade, e sugere uma pausa para hidratação oferecendo um desconto na sua loja logo na esquina, a tecnologia vira um benefício real e oportuno.
Esse cenário nos convida a sermos mais humanos na relação comercial. Estamos, enfim, recuperando o contato visual e a liberdade maravilhosa de ter as mãos livres, sem abrir mão da conexão constante que a vida contemporânea exige.
O grande desafio será conseguir equilibrar a nossa privacidade com essa conveniência. Afinal, esses aparelhos precisam conhecer nossos hábitos mais a fundo para serem realmente úteis.
Mas estamos diante da chance de curar a antiga dor no pescoço e voltar a olhar o horizonte, enquanto a inovação trabalha silenciosa a partir do nosso pulso ou dos nossos olhos.
O futuro não é mais uma tela que seguramos, mas um mundo inteiro que habitamos com ferramentas que parecem pura magia. Na verdade, são apenas a evolução natural por uma vida muito mais inteligente e equilibrada.
Samilo Lopes
CEO e Founder da Digital Hack e diretor de Comunicação da APETI