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ARTIGO

A gestão invisível do prefeito nu

A cena urbana de nossa Rio Preto é uma releitura viva do clássico conto “A Roupa Nova do Rei”

por Julio Cesar da Silva Bortolus
Publicado em 24/06/2026 às 17:24Atualizado em 24/06/2026 às 17:25
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Nos corredores do palácio municipal de Rio Preto, o excelentíssimo prefeito caminha com a imponência de um monarca absoluto. Ele não governa uma metrópole, mas age como se estivesse no centro do mundo.

Suas decisões, frequentemente desconectadas da realidade das ruas esburacadas, dos postos de saúde sem médicos, das escolas sem uniformes e da mendicância aliada ao crime, ganham moldura de fábulas assim que cruzam a porta de seu gabinete. O segredo desse glamour não está na eficácia de suas políticas, mas no coro afinado de seus aduladores, que buscam privilégios aos recursos públicos.

A cena urbana atual de nossa querida Rio Preto é uma releitura viva do clássico conto “A Roupa Nova do Rei”, de Hans Christian Andersen. Onde o cidadão comum enxerga o caos, a falta de planejamento e o puro ridículo, porém a corte de secretários e assessores comissionados enxerga apenas "maravilhas".

Se o prefeito decidir pintar todas as praças com um tom de azul-fluorescente e cobrir os monumentos com resina sob o pretexto de "modernismo sustentável". A população pode protestar em vão, urbanistas podem chorar e as redes sociais explodirem em memes; elas serão azuis.

No entanto, no círculo íntimo do poder, o tom será de reverência. "Obra-prima vanguardista, comandante!", exclamarão secretários e vereadores da base. "O senhor está tecendo uma nova identidade visual para a nossa cidade", emendará o chefe de gabinete, aplaudindo o tecido invisível de competência. Semelhante à dona Capi, ao lado da represa, agora esquecida e abandonada ao tempo, que consumiu recursos públicos sem futuro.

Assim está o alcaide de nossa querida Rio Preto, inebriado pelo incenso da bajulação, ele passa a acreditar piamente na própria nudez administrativa. Para ele, as vaias nas ruas são apenas "o barulho dos invejosos que não alcançam a complexidade de sua visão". Seus alfaiates modernos — os assessores que dependem do cargo para sobreviver — continuam a costurar elogios com fios de vento.

Somados aos vereadores aduladores, que apoiam as ações do prefeito nu de competência na gestão pública, que busca o interesse da própria promoção, aprovam qualquer desperdício dos recursos públicos em ações contrárias ao cidadão que o elegeu.

Nas esquinas, o sussurro já virou grito coletivo. Todos veem que o governante está despido de apoio real, de projetos sólidos e de bom senso. Mas, trancado em sua bolha de puxa-sacos, o alcaide-rei continua a marchar firmemente rumo ao abismo político, sorrindo para os aplausos de quem só quer manter o próprio emprego.

Julio Cesar da Silva Bortolus

Empresário.