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RADAR ECONÔMICO

A força de junho

Junho mostra a força da economia movida por cultura, consumo e convivência

por Luciano Impastaro
Publicado em 27/06/2026 às 16:44Atualizado em 27/06/2026 às 16:51
Luciano Impastaro (Divulgação)
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Luciano Impastaro (Divulgação)
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O mês de junho ocupa um lugar especial no calendário brasileiro. É um período marcado por tradições culturais, encontros familiares, e, em 2026, também pela mobilização nacional em torno da Copa do Mundo. Mas, além do significado afetivo e social dessas datas, há um aspecto que merece atenção especial: o impacto econômico gerado por esse conjunto de movimentações no comércio e nos serviços de Rio Preto.

Levantamentos do Centro de Estudos Econômicos da Acirp estimam que as festas juninas devem movimentar aproximadamente R$ 11,2 milhões na economia local em 2026. Já a Copa do Mundo, considerando apenas os jogos da primeira fase da seleção brasileira, tem potencial de injetar cerca de R$ 32,9 milhões no município. Somados, esses dois movimentos projetam uma circulação superior a R$ 44 milhões em setores diretamente ligados ao consumo, alimentação, bebidas, entretenimento, artigos temáticos, supermercados, minimercados, bares, restaurantes e lojas de variedades.

Esses números revelam algo importante: a economia local também é impulsionada por momentos de convivência. Quando uma família organiza uma festa junina, quando uma escola promove seu arraial, quando amigos se reúnem para assistir a um jogo ou quando empresas realizam confraternizações internas, há uma cadeia de negócios sendo acionada.

No caso das festas juninas, a movimentação se distribui principalmente entre minimercados, mercearias, armazéns, supermercados e lojas de variedades. Trata-se de uma data que, embora não tenha o mesmo volume financeiro de períodos como Natal, Dia das Mães ou Black Friday, possui grande capilaridade. É um consumo espalhado por bairros, instituições, famílias, igrejas, clubes, condomínios, empresas e escolas.

Já a Copa do Mundo possui uma característica diferente, mas igualmente importante. Ela concentra o consumo em torno da experiência coletiva. A estimativa de R$ 32,9 milhões em movimentação durante a primeira fase demonstra como grandes eventos esportivos podem gerar efeitos econômicos relevantes mesmo em escala municipal.

Esse cenário também reforça uma leitura estratégica sobre o comportamento do consumidor. O cidadão não consome apenas produtos; ele consome experiências, conveniência, celebração e pertencimento. Datas culturais e eventos esportivos criam motivos concretos para comprar, sair, reunir pessoas e valorizar serviços locais. Para o empresário, compreender esse movimento é fundamental.

Também é necessário observar que essa movimentação ocorre em um ambiente econômico que exige atenção. O comércio local encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo negativo de 156 postos de trabalho, enquanto o setor de serviços apresentou crescimento de 6,93% na abertura de vagas em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esses indicadores mostram que a economia não se move de forma uniforme. Há setores enfrentando retração, enquanto outros encontram oportunidades em atividades ligadas à alimentação, lazer, entretenimento e consumo presencial.

Por isso, períodos como junho não devem ser vistos apenas como datas comemorativas. Eles devem ser compreendidos como janelas econômicas.

A Acirp tem defendido de forma permanente a importância de olhar para o calendário econômico com estratégia. Não basta reconhecer as grandes datas comerciais. É preciso valorizar também os períodos intermediários, as tradições culturais e os eventos de mobilização popular nacional e local que ajudam a manter o dinamismo da economia ao longo do ano. Junho é um exemplo claro disso.

A soma entre festas juninas e Copa do Mundo mostra que cultura, esporte e economia caminham juntos. Quando há mobilização social, há consumo.

Mais do que números, os R$ 44 milhões projetados para Rio Preto representam movimento. Representam pessoas circulando, empresas vendendo, famílias celebrando, serviços sendo contratados e recursos permanecendo na cidade.

Luciano Impastaro

Diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp