A força da aliança
A parceria na realização do FIT representa um modelo de cultura baseado em planejamento

Uma cidade não constrói grandes projetos sozinha. Constrói quando reúne instituições sérias, objetivos claros e compromisso público em torno de uma mesma missão. Por isso, a retomada da parceria entre a Prefeitura de São José do Rio Preto e o Sesc São Paulo na realização do FIT 2026 tem significado maior do que a organização de um festival. Ela representa a escolha por um modelo de cultura baseado em planejamento, responsabilidade e continuidade.
O FIT é parte da história de Rio Preto. Ao longo de sua trajetória, projetou a cidade no cenário nacional e internacional das artes cênicas, formou público, movimentou a economia e fez do interior paulista um ponto de encontro para o teatro. Um festival com essa dimensão não pode depender de improviso nem de vontade isolada. Precisa de escuta, capacidade técnica e união institucional.
A Prefeitura entra nessa construção com sua responsabilidade pública: garantir infraestrutura, apoiar a produção local, viabilizar espaços, organizar serviços e fazer com que o festival dialogue com a cidade real. O Sesc soma sua experiência em curadoria, formação de público, circulação artística e gestão cultural. Cada instituição contribui com aquilo que tem de forte. É essa soma que permite ao FIT avançar com segurança.
Parceria, neste caso, não é apenas dividir custos ou assinar o mesmo material de divulgação. É construir junto desde o começo. É decidir com transparência, respeitar a especialidade de cada equipe e entender que grandes projetos culturais precisam sobreviver ao calendário político. Quando uma cidade trata sua cultura com maturidade, preserva memória, gera trabalho e amplia acesso.
O FIT 2026 também nos desafia a olhar para além dos teatros. Em mais uma edição marcada pela gratuidade, pela descentralização e pela ocupação de diferentes espaços, o festival reafirma que a cultura deve encontrar as pessoas onde elas estão. Levar teatro a mais públicos é fortalecer a cidade, seus bairros e seus profissionais.
Defendo uma cultura feita com portas abertas, mas também com pés no chão. Cultura precisa emocionar, mas precisa ser bem administrada. Precisa acolher a criação artística, mas também prestar contas à sociedade.
Quando há parceria, planejamento e compromisso público, a cultura avança. Em Rio Preto, ela está avançando — e o resultado, em julho, vai ser visto e vivido por todos.
Erick Soares
Secretário Municipal de Cultura e Coordenador Geral do Festival Internacional de Teatro (FIT) de São José do Rio Preto.