A fachada caiada da segurança em Rio Preto
A segurança real de uma cidade não se constrói apenas com patrulhamento

Caminhar pelas ruas de nossa querida Rio Preto hoje é atravessar um campo de invisibilidade planejada. Como cidadão, observo um fenômeno alarmante: o apagamento das responsabilidades dos poderes municipais diante do aumento exponencial da população em situação de rua. O que deveria ser uma rede de acolhimento, dignidade e reintegração social tornou-se um vácuo administrativo, a gestão atual parece ter optado por uma estratégia de omissão conveniente.
Ao não investir em abrigos de qualidade, programas de saúde mental e busca ativa eficiente, o poder público municipal exime-se de sua função primordial, transferindo o peso de uma crise humanitária diretamente aos ombros da Polícia Militar, da Polícia Civil e, em algumas situações pontuais, da Guarda Municipal.
A sensação de insegurança que permeia nosso centro e vizinhanças, bem como alguns bairros da periferia, não nasce apenas da criminalidade latente, mas do abandono. Quando a assistência social falha — ou sequer aparece —, a rua se torna um espaço de tensão. Sem o trabalho preventivo da prefeitura, o conflito é inevitável, e é nesse momento que o gestor municipal lava as mãos e aponta para o 190.
É uma transferência perversa de responsabilidade: transforma-se o morador de rua, um cidadão em extrema vulnerabilidade, em uma "ameaça à ordem pública" que deve ser gerida pela força, e não pelo cuidado.
A nossa brilhante Polícia Militar é um exemplo, que, treinada para o policiamento ostensivo e o combate ao crime, é colocada em uma posição de ações impossíveis, relatada por alguns como enxugando o gelo. Convocados para resolver problemas que o gestor público atual, mesmo com seu histórico, não está tendo a coragem ou a competência para enfrentar.
Ver a viatura sendo utilizada como a única ferramenta de "gestão social" é o atestado de falência da prefeitura de Rio Preto. Enquanto o gestor municipal se esconde atrás de burocracias, a segurança pública se degrada porque os recursos policiais são drenados para conter as consequências de uma negligência administrativa.
A segurança real de uma cidade não se constrói apenas com patrulhamento, mas com a presença do Estado em todas as suas formas, inclusive com a participação do cidadão. Quando a prefeitura ignora o acolhimento social, ela não está apenas falhando com quem dorme na calçada; ela está negligenciando o cidadão que paga seus impostos esperando uma cidade funcional e acolhedora.
Enquanto a gestão municipal continuar tratando a questão social como um caso puramente policial, continuaremos vivendo em um ciclo de medo e injustiça, onde a farda é usada como escudo para esconder a incompetência de quem deveria cuidar do bem-estar comum.
A segurança em Rio Preto lembra a fachada de uma casa, que passa cal para a mídia publicar, mas não possui o revestimento justo de nossos impostos.
Julio Cesar da Silva Bortolus
Empresário.