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Olhar 360

A Corrupção como Lógica do Estado

A corrupção não é acidente. Ela é racionalidade institucional

por Marco Feitosa
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Marco Feitosa (Divulgação)
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Não são maçãs podres. É a árvore inteira. O cidadão comum não é vítima de desvios morais isolados, mas de uma engenharia política desenhada para concentrar coerção, blindar privilégios e extrair riqueza em benefício de corruptos e apadrinhados sob a máscara do interesse público.

Diariamente nos deparamos com notícias que comprovam o fato de que políticos e agentes do Estado não se corrompem por exceção, eles agem sob incentivos estruturais. Quem detém monopólio da força, da legislação e da tributação (que compra formadores de opinião e marketing ignorante) não precisa conquistar confiança, competir ou inovar. Precisa apenas controlar o aparato que lhe garante impunidade.

Frédéric Bastiat em sua famosa obra O Estado já alertava: “O Estado é a grande ficção pela qual todos tentam viver às custas de todos”. A corrupção não é acidente. Ela é racionalidade institucional. Orçamentos opacos, cargos blindados, imunidades processuais e órgãos de controle decorativos formam um ecossistema de captura.

Enquanto a população paga impostos sob ameaça de coerção e multa, a casta política se autofinancia, autoregula e blinda com leis que só se aplicam aos demais. Como ensina Hans-Hermann Hoppe (Democracia, o Deus que Falhou), o Estado é por definição um monopólio coercitivo que internaliza ganhos e socializa custos. Diferentemente do costumeiramente falado, o Estado não serve, ele extrai. E quando falha, recorre ao próprio aparato para ampliar seu domínio.

A história e os fatos comprovam que quanto mais poder se delega ao Estado e seus agentes, maior a superfície de exploração. A burocracia expande-se pela lei. O corrupto legislador cria dependências por cálculo eleitoral. O fiscal transforma dever em moeda de barganha. O juiz negocia liberdades e assim por diante.

A solução não é “eleger os certos” ou “capacitar gestores”. É reduzir drasticamente a escala da coerção e poder institucional. Menos impostos significam menos combustível para clientelismo. Menos regulação, menos portas para suborno. Menos monopólio, mais concorrência real.

Murray Rothbard foi taxativo em seu livro A Anatomia do Estado: o Estado não é um serviço público, é um cartel de proteção que se financia pela extorsão legalizada. Cada real retido pelo contribuinte, cada função devolvida à esfera privada, cada privilégio extinto, devolve soberania a quem a produziu.

Justamente por isso, a propriedade privada e a livre troca são mais que apenas mecanismos econômicos. Na verdade são barreiras éticas contra a tirania e contra a exploração do povo.

Milton Friedman lembrava em Liberdade para Escolher que “ninguém gasta o dinheiro dos outros com a mesma responsabilidade com que gasta o próprio”. Quando o poder financeiro permanece nas mãos do cidadão, a exploração estatal perde oxigênio. A reputação substitui o decreto, a competição encerra o favor, apadrinhamentos e privilégios e, por fim, a transparência voluntária desnuda a opacidade institucional.

Não se domestica o Leviatã e seus maléficos agentes com boas intenções, compliance ou comissões de ética. Eles devem ser contidos com escassez de poder.

Enquanto houver coerção e poder centralizado, haverá captura do cidadão. A liberdade não é outorgada, ela deve ser reclamada e exercida. E começa com uma regra inegociável: menos Estado, mais cidadão. Corrupção não se combate com mais fiscalização estatal, ela se elimina através de um Estado menor e menos poder na mão de intocáveis.

Marco Feitosa

Advogado e coordenador do Estado de São Paulo do Movimento Livres