Diário da Região

10/02/2016 - 00h00min

Baby blues

Melancolia pós-parto pode atingir 60% das mulheres

Baby blues

Stock Images/Divulgação NULL
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Episódios de mudança de humor após o nascimento do bebê são comuns e afetam cerca de 40 a 60% das mulheres. São chamados de Baby Blues, a forma menos grave de depressão pós-parto. “Muitas mulheres ficam confusas porque se sentem tristes após um evento tão feliz. Isso faz com que desenvolvam sentimento de culpa, se isolem e não falem sobre o que estão sentindo”, diz a psicanalista Cristiane M. Maluf Martin.

“É normal para algumas mulheres, frente a esse período adaptativo, nos primeiros dez dias, apresentar um estado de tristeza no pós-parto, caracterizado por alterações transitórias de humor materno como choro fácil, irritabilidade, flutuações de humor, tristeza, fadiga, dificuldade de concentração, insônia, ansiedade”, afirma Adriana Fregonese, psicóloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

“Estudos mostram que esse quadro é considerado normal e promove até o alívio da ansiedade após o nascimento da criança. Apresenta-se de forma leve e gradualmente se desfaz”, explica Adriana. As coisas se tornam mais complicadas quando se configura um quadro de depressão pós-parto. Condição mais séria e mais duradoura do que a tristeza materna, a depressão pós-parto pode causar impacto em toda a família. “Muitos bebês conseguem superar isso, mas é possível que interfira no desenvolvimento do relacionamento entre a mãe, o bebê e a família.

Seus efeitos podem perdurar até mesmo depois que a depressão passa. É importante identificar a depressão e pedir ajuda o mais cedo possível, pois trata-se de um transtorno que exige atenção e acompanhamento psicológico e, em alguns casos, tratamento medicamentoso”, avisa Cristiane. “Muitos aspectos relacionados à depressão pós-parto ainda não estão totalmente esclarecidos cientificamente. Novos estudos são necessários para conhecermos a etiologia e as características da doença, bem como suas implicações para o desenvolvimento da criança”, acrescenta Adriana.

 

Depressão pó-parto 2 - 10022016 “Esse quadro (de Baby Blues) é normal e promove até alívio da ansiedade após o nascimento da criança. Apresenta-se de forma leve e gradualmente se desfaz”, explica a psicóloga Adriana Fregonese

Para Anna Mehoudar, fundadora do Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade (GAMP21), com mais de 30 anos de experiência no atendimento ao pré e pós-natal, o intervalo entre o parto, o pós-parto e o início do aleitamento ocorre dentro de algumas horas, e as mulheres vivem uma verdadeira revolução hormonal, que pode explicar algumas turbulências emocionais, mas nem todas. “O nascimento do bebê, absolutamente dependente, exige uma adaptação simultânea da mãe e do recém-nascido. No entanto, se toda adaptação requer tempo, no pós-parto as exigências não cessam, dia e noite”, diz.

Segundo a psicanalista Cristiane, a melancolia no pós-parto é uma perturbação emocional que pode durar alguns dias, consistindo num estado de tristeza, desconforto e choro frequente. “Habitualmente, este estado desaparece espontaneamente após a adaptação à nova situação familiar e a integração do novo membro à rotina da família”, diz.

É importante pedir ajuda

Ter depressão pós-parto não significa que você não quer, não ama ou não acolheu bem seu bebê recém-chegado. “Não existe uma explicação simples para a causa. No entanto, certa combinação de estresse e preocupações torna muito maior a possibilidade de uma mulher ficar deprimida após o parto”, alerta a psicanalista Cristiane M. Maluf Martin.

“Ressalto que as mulheres com predisposição para depressão, ou que já tiveram transtorno depressivo em algum momento da vida, devem ficar atentas para não desenvolver esse quadro no pós-parto”, completa Cristiane. Para Anna Mehoudar, o momento de procurar ajuda é quando o homem ou a mulher entram em sofrimento, com pensamentos repetitivos ou uma dificuldade maior de lidar com o bebê no dia a dia.

“As pessoas que convivem com a mulher logo percebem que há algo estranho, e se a queixa não é valorizada, o sofrimento pode passar ou se tornar crônico”, diz. “A depressão pós-parto exige tratamento médico e psicológico. É importante que a mulher possa falar sobre seu sofrimento, suas fantasias, seus sonhos, pesadelos. Da mesma forma, é importante que outro adulto cuide da criança, e esse ponto é fundamental para evitar desdobramentos na saúde do bebê”, completa.

Apoio familiar

Segundo Ivan Morão, psiquiatra do Hospital e Maternidade São Luiz - Itaim, a família é sempre fundamental para dar conforto para a mãe em todos os momentos da vida. “É importante compreender a situação, sem julgamentos”, diz.

Sintomas

  • Falta de interesse no bebê
  • Falta de interesse em si própria
  • Perda de prazer
  • Falta de energia e motivação
  • Sentimentos de inutilidade e culpa
  • Alterações no apetite ou peso
  • Dormir mais ou menos do que o habitual
  • Pensamentos recorrentes de morte 

Fonte: Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista

 

 

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