Diário da Região

18/08/2015 - 00h00min

Literatura

Angolana é destaque da 8ª Jornada de Escritoras

Literatura

Arquivo Pessoal Ngonguita Diogo, escritora angolana, fala ao Diário sobre sua relação com a literatura e o tema de sua palestra em Rio Preto: “Transformação social, o papel das mulheres na cultura africana”
Ngonguita Diogo, escritora angolana, fala ao Diário sobre sua relação com a literatura e o tema de sua palestra em Rio Preto: “Transformação social, o papel das mulheres na cultura africana”

A angolana Ngonguita Diogo - pseudônimo da escritora Etelvina da Conceição Alfredo Diogo -, é neta de uma exímia contadora de histórias e carrega a veia poética do pai, como ela mesma se define. O lançamento de seu primeiro livro, porém, ocorreu quando tinha quase 50 anos de idade, em 2010. "Não me descobri com vocação literária. Tive a sorte de ser descoberta em 2004, por um grande amigo, o escritor John Bella, a quem devo o meu sucesso até aqui", conta a escritora, em entrevista ao Diário. 

A autora desembarca em Rio Preto neste mês, onde participa da 8ª edição da Jornada Internacional de Mulheres Escritoras, nos dias 28 e 29, no Teatro do Sesc. Na bagagem, Ngonguita já carrega seis livros lançados. Sua obra passeia entre o infanto-juvenil, romances e poemas. Na Jornada, ela falará sobre o tema "Transformação social - o papel das mulheres na cultura angolana", uma das palestras da programação. 

"Em todas as sociedades, o sucesso das mulheres não tem sido um exercício fácil, a mulher precisou emancipar-se para conquistar o seu espaço. As lutas vêm de longe, negras ou brancas têm sido marginalizadas pelos seus parentes e pela sociedade. Para as mulheres negras, a luta continua, e isso não só acontece na literatura, mas nas vertentes cultural e social. Por exemplo, para mim, a televisão brasileira ainda é dominada por brancos. 

Os negros, geralmente, quando aparecem em televisão - quer em novelas, filmes ou noutros programas - desempenham funções de fraco destaque. Será que até agora os negros não demonstram capacidade artística ou técnicas suficientes para convencer?", fala a autora. Uma das obras de Ngonguita é o romance "Acudam Maria do Rangel", lançado em 2013. Ela diz que o livro mostra a época de inversão de valores que vivemos - "onde a hipocrisia e a falsidade tomam conta das nossas índoles, quer como algozes, quer como vítimas". 

 

Izabel Ortega Izabel Ortega é quem organiza o evento em Rio Preto

"Os preconceitos raciais e de classes também estão patentes no seu enredo. A relação com a religiosidade e a homenagem merecida para todas as mulheres são os ingredientes principais." Vivendo num país que atravessou conflitos armados por décadas, o primeiro nome que Ngonguita cita é o de Augusto Cury (psiquiatra e autor de livros de auto-ajuda), ao ser questionada sobre escritores brasileiros lidos pelos angolanos. 

"Limito-me a responder por mim - li, com prazer, alguns livros de Augusto Cury, por considerar de grande ajuda para minha saúde mental. Por mim, passaram todas as guerras que aconteceram em Angola. Como pode imaginar, as sequelas daí resultantes são visíveis em quase todas as famílias, e precisamos de ajuda." Ela também fala de Jorge Amado, Greta Benitez, Carlos Drummond de Andrade e da rio-pretense Roseli Arruda. 

Entre os escritores angolanos que deveriam ser descobertos pelo leitor brasileiro, a escritora recomenda John Bella, autor dos romances históricos "Os Primeiros Passos da Rainha Njnga" e "O Regresso da Rainha Njinga". "Os Panos Brancos, de Maria Celestina Fernandes, também recomendo. Nesse romance, as injustiças sociais são o pano de fundo, assim como em 'Na Pele de Zito Maimba', de Paula Russa. 

 

Tássia Camargo Atriz Tássia Camargo retorna ao evento este ano para uma homenagem a Cecília Meireles

Homenagem a Cecília Meireles

Idealizada por Isabel Ortega, a Jornada de Mulheres Escritoras terá como tema nesta edição "Diversidade, transformação social, literatura na sociedade atual", e irá reunir, como é tradição, escritoras de diversas partes do Brasil e do exterior. A edição 2015 homenageia a poetisa brasileira Cecília Meireles (1901-1964), e entrega o Prêmio "Lygia Fagundes Telles" à escritora chilena Pía Barros, presente na programação com a palestra "Ser mulher, a escrita como compromisso".

A chilena é conhecida por sua atuação na causa feminista, e tem um projeto chamado "Basta!", o qual reúne relatos de mulheres vítimas de violência de gênero. "Estarão aqui reunidas escritoras, mulheres, com uma trajetória de batalhadoras-pensantes, que nos trazem a arte de criar a partir da palavra, escolhidas a partir de meses de sondagem e pesquisa", diz Isabel.

No programação do evento este ano, além de palestras, haverá o "8º Encontro de Redes", o "Café Literário", local de encontro das escritoras com o público e, ainda, lançamento de livros. 
"Neste oitavo ano, brindaremos na Jornada pela excelência da qualidade literária, humana e social das participantes e o compromisso abnegado do Sesc em priorizar pela qualidade de vida do cidadão", afirma a organizadora. 

Programação

8ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras
  • Tema: “Diversidade, transformação social, literatura na sociedade atual”
  • Homenagem à poetisa brasileira Cecília Meireles, feita pela atriz convidada Tássia Camargo
  • Entrega do Prêmio “Lygia Fagundes Telles” à escritora chilena “Pia Barros”
Participantes
  • Wilson Romano Calil (Rio Preto): “Oratória Retórica: “As técnicas”
  • Stela Maris Rezende (Minas Gerais): “A mágica realidade na ficção”
  • Consuelo Tomás (Panamá): “Chaves temáticas da literatura panamenha escrita por mulheres de 20 e 21”
  • Carlos Magno de Melo (Bahia): “O lúdico como fator de criação literária”
  • Dinamara Garcia (Rio Preto): Lançamento do livro “Little purple rains: a historinha da mulher-menino”
  • Elena de Hoyos (México): “A Insubmissa Maneira de se Amar"
  • Ngonguita Diogo (Angola): “Transformação social, o papel das mulheres na cultura africana”
  • Ana Miranda (Portugal): “A Necessidade do Compromisso da Literatura com a Beleza"
  • Pia Barros (Chile): “Ser Mulher: a Escrita como Comrpomisso”
  • Chiquita Barreto (Paraguai): “Os nomes que habito”
  • Eliane Potiguara (indígena brasileira): “Pensamentos ancestrais, educação cultural dos povos indígenas”

 

 

 

 

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