Alfredinho usa bicho do Rio Preto para subir o MAC
Flash Bola
O folclórico Alfredo Sampaio teve duas passagens marcantes com o Rio Preto durante sua trajetória como treinador. Em 1971, ele pegou a “mala preta” oferecida pela direção rio-pretense ao seu Marília para ganhar do líder e favorito Saad, de São Caetano do Sul, e repassou ao eliminado Catanduvense para vencer o próprio Rio Preto. Era o pentagonal final da Segundona (atual A-2). Os finalistas se enfrentaram em turno único, com todos os jogos realizados no estádio do Parque Antártica, em São Paulo.
Na última rodada, no dia 24 de agosto, com chances remotas, o Marília enfrentou o temido Saad na preliminar. O jogo de fundo reuniu Rio Preto e o eliminado Catanduvense. O Jacaré precisava vencer e torcia por um tropeço do Saad. Então, o endinheirado presidente rio-pretense Anísio Haddad deu Cr$ 30 mil para o MAC vencer o Saad. A injeção de ânimo deu resultado. Alfredo Sampaio montou um ferrolho e o Marília fez 1 a 0, gol de Ivo Picerni, de Neves Paulista, aos 35 minutos do 2º tempo.
Só que aí, o MAC assumiu a liderança com seis pontos e, para subir ao Paulistão, dependia de um tropeço do Jacaré. Malandramente, Alfredinho pegou os Cr$ 30 mil do Rio Preto e mandou para o desanimado Catanduvense. A equipe de Catanduva jogou como nunca, ganhou de 1 a 0 do Jacaré e deu o título ao Marília, que somou 6 pontos. O Saad ficou com 5, Rio Preto e Catanduvense 4 e o Garça 2. Moral da história: o Rio Preto acabou ferido pelo próprio veneno.
A outra passagem ocorreu em 1983. Alfredinho foi contratado pelo Rio Preto para substituir o demitido Jairzão nas quatro últimas rodadas da Segundona (A-2). Assumiu o time em 11º lugar entre 13 participantes, com risco de rebaixamento. “Quero ser um gay se o Rio Preto não se classificar”, falou durante a sua preleção. E não é que a bravata deu certo. A equipe engrenou, fez 3 a 0 no Sãocarlense, arrancou um 0 a 0 com o líder Sertãozinho, fora de casa, e venceu Novorizontino e Batatais, ambos por 2 a 1. O Jacaré só não se classificou em razão da vitória do Catanduvense sobre o Noroeste por 3 a 2.
Fumava 3 maços de cigarros por dia e morreu aos 90 anos
Paranaense de Cascavel, Alfredo Sampaio Filho nasceu no dia 7 de fevereiro de 1927 e fumava três maços de Continental por dia. “Queimo em média um colchão por ano”, dizia. Jogou como ponta-direita e centroavante em diversas equipes. Começou no Ceará, rodou por Madureira-RJ, Linense, XV de Piracicaba, foi bicampeão paulista pelo Santos (1955/56), campeão gaúcho pelo Grêmio em 1957 e pendurou a chuteira no Comercial de Ribeirão Preto em 1961.
“O Pelé que jogou comigo. Quando ele começou eu já era bicampeão”, costumava dizer. Por ter evitado 18 rebaixamentos de equipes que treinou, ganhou os apelidos de feiticeiro e bruxo. Alfredinho morreu na terça-feira, dia 4, aos 90 anos, em sua casa, em Ribeirão Preto. Seu corpo foi enterrado no cemitério Parque dos Girassóis, em Ribeirão.