Diário da Região
SELEÇÃO 2026

Treinadores de times da região de Rio Preto falam da expectativa para o novo técnico da Seleção

Eles comentam também sobre qual seria o perfil ideal para o novo comandante da Seleção nacional; confira

por Núcleo Digital
Publicado em 15/12/2022 às 01:31Atualizado em 15/12/2022 às 08:38
Na foto os treinadores citados: português Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras; o italiano Carlo Ancelotti, que comanda o Real Madrid; português Mourinho é o treinador da Roma, e o brasileiro Fernando Diniz, técnico do Fluminense (Reprodução)
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Na foto os treinadores citados: português Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras; o italiano Carlo Ancelotti, que comanda o Real Madrid; português Mourinho é o treinador da Roma, e o brasileiro Fernando Diniz, técnico do Fluminense (Reprodução)
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O sonho do hexa teve de ser adiado para 2026 após a eliminação da Seleção Brasileira na última sexta-feira, 9, diante da Croácia pelas quartas de final da Copa do Catar. Por agora, restou ao torcedor brasileiro ficar na expectativa de conhecer o novo técnico da equipe, que será o responsável pelo próximo ciclo em busca da sexta estrela.

O Diário conversou com treinadores profissionais de clubes de futebol da região, que falaram da expectativa para o nome escolhido e qual seria o perfil ideal para o novo comandante da Seleção nacional.

Sobre a maior das dúvidas, que é em relação à nacionalidade do novo técnico, a maioria dos entrevistados ainda acredita que um brasileiro pode, sim, fazer um bom trabalho.

Para Eduardo Baptista, técnico do Novorizontino, mais importante que a nacionalidade é respeitar as características do jogador brasileiro. “Não vou entrar no mérito da discussão da nacionalidade dos treinadores, se brasileiro ou estrangeiro. Nós temos aqui bons treinadores brasileiros, que podem encabeçar a lista. Mas o perfil teria de ser marcação, organização defensiva muito boa, mas uma equipe ofensiva como o Brasil pede”.

Segundo Baptista, é importante que não se tire a individualidade do jogador brasileiro. “Não é uma seleção europeia, são jogadores que podem desequilibrar: têm o drible, então é preciso ter o cuidado de não tolher isso, mecanizar essa Seleção”.

Ele continua dizendo ainda que “temos uma geração de muitos jogadores jovens, do meio para frente temos jogadores para mais três Copas, por isso ter a ideia ofensiva, sem podar a individualidade dos atletas brasileiros.”

Para Valmir Israel, treinador do Rio Preto, é necessário um técnico com ideias atualizadas e que tenha um amplo conhecimento do futebol nacional. “Teria que fazer uma reformulação geral na comissão e trazer profissionais qualificados não só com nome porque jogou aqui ou ali, mas que tenham entendimento do futebol moderno por todo o País".

Para Israel, é importante ainda oportunizar atletas que jogam as competições nacionais, criando novamente um vínculo da torcida com a Seleção. “Com certeza eu daria preferência para treinadores aqui do Brasil. Caso contrário, nossos cursos da CBF Academy não servem para nada. Temos excelentes profissionais no mercado que poderiam, com tempo para trabalhar, resgatar nossos valores”, afirmou.

Chicão Reguera, técnico do Realidade Jovem, equipe rio-pretense de futebol feminino, foi direto e já tem o seu favorito para o cargo. “Eu acredito que alguém que saiba trabalhar com uma equipe jovem seria o ideal. Hoje, eu apostaria no português Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras”, disse.

Por outro lado, João Santos, treinador do América, tem preferência por um brasileiro no comando da Seleção. “Penso que temos muitos treinadores bons no Brasil. Não é o momento de trazer um europeu. O importante é ter as características de liderança e boa gestão de seu grupo, além de dar mais oportunidades para atletas que atuam no Brasil”, afirmou.

O técnico do Mirassol, Ricardo Catalá, preferiu não opinar sobre os nomes ventilados e o perfil ideal para o cargo.

Apesar de toda a especulação em volta de possíveis nomes, a CBF já divulgou uma nota oficial reforçando que o anúncio do novo técnico da Seleção Brasileira acontecerá apenas em janeiro de 2023, com decisão que será tomada pelo presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues. (Colaborou Sergio Torqueti)

Três estrangeiros foram sondados

Ednaldo Rodrigues, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), tem dito que não está com pressa para definir o novo técnico da Seleção. Ele vai decidir sozinho o contrato e tem trabalhado com o tempo a seu favor.

O raciocínio do dirigente exposto a interlocutores é que não há motivo para apressar a escolha.

A próxima data Fifa será em 20 de março. A equipe principal não terá nenhum torneio relevante no ano se as eliminatórias para o Mundial de 2026 não iniciarem logo. A princípio, a prioridade da entidade será a Copa do Mundo feminina, a ser disputada na Austrália e Nova Zelândia.

A eliminação diante da Croácia, na Copa do Mundo do Catar, foi o último jogo de Tite no comando. Ele já havia decidido que não continuaria e quer realizar um antigo sonho de trabalhar no futebol europeu, desde que seja em um país cuja língua domine.

Desde que Tite anunciou que não continuaria, emissários telefonaram, em nome da CBF, para técnicos estrangeiros, com base na crença de que o novo escolhido não seria brasileiro. Representantes de Carlo Ancelotti, José Mourinho e Abel Ferreira receberam sondagens, mas nada avançou.

Ancelotti se mostrou disposto a conversar, mas apenas a partir de junho de 2023, após a temporada europeia. Ele tem contrato com o Real Madrid.

Os contatos não foram feitos por Ednaldo Rodrigues. Ele quer definir o assunto apenas em janeiro e deve viajar para a Bahia nos próximos dias para passar os feriados de final de ano.

A seleção principal masculina vai passar por reformulação que vai além do cargo de técnico.

Outro coordenador de seleções será contratado. Rodrigues não era fã de Juninho Paulista, que desempenhou a função até a Copa do Catar, mas evitou fazer mudanças para não balançar o barco antes do torneio.

Para evitar ser responsabilizado por eventual derrota, ele instruiu os diretores a atenderem todos os pedidos da comissão técnica.

O espaço em que eles trabalhavam, na sede da entidade, no Rio de Janeiro, era até evitado por outros funcionários.

As mudanças vão passar pela coordenação de seleções, comissões técnicas e assessores.

A contratação de um técnico estrangeiro não é a solução dos sonhos do presidente da CBF. Ele gostaria de um nome nacional, mas concorda que não há ninguém considerado incontestável para substituir a Tite.

Jogadores históricos da seleção e ex-presidentes se colocaram à disposição para dar opiniões e auxiliarem no processo. O último a fazer isso foi Ronaldo, em entrevista no Catar.

O ex-atacante falou que veria com bons olhos a contratação de um estrangeiro, mas voltou a elogiar o trabalho de Fernando Diniz.

A constatação é que qualquer nome escolhido será questionado, por isso Rodrigues não quer ouvir ninguém. Vai tomar a decisão do novo técnico sozinho porque acredita ser essa a prerrogativa do seu cargo. E que outros presidentes do passado fizeram o mesmo.