Diário da Região
ARGENTINA

Atacante da Argentina é o jogador mais jovem a fazer 2 gols em uma semifinal de Copa desde Pelé

Aos 22 anos, o camisa 9 foi uma das peças importantes na vitória por 3 a 0 contra a Croácia, que também contou com uma grande atuação de Lionel Messi

por Folhapress
Publicado em 15/12/2022 às 01:53Atualizado em 15/12/2022 às 08:29
Aos 22 anos, Julián Alvárez foi uma das peças importantes na passagem para a semifinal (Divulgação)
Galeria
Aos 22 anos, Julián Alvárez foi uma das peças importantes na passagem para a semifinal (Divulgação)
Ouvir matéria

O atacante da Argentina Julián Alvárez se tornou o jogador mais jovem a fazer dois gols em uma semifinal de Copa do Mundo desde Pelé em 1958. Aos 22 anos, o camisa 9 foi uma das peças importantes na vitória por 3 a 0 contra a Croácia, que também contou com uma grande atuação de Lionel Messi.

A informação foi divulgada pelo portal especializado em estatísticas Opta. Pelé, na Copa de 58, fez três gols contra a França aos 17 anos e 249 dias. Álvarez estava com 22 anos e 316 dias quando chegou à marca.

A partida de Alvárez, que joga no Manchester City, foi a sua melhor nesta Copa do Mundo. Além dos dois gols, ele sofreu o pênalti que Messi bateu e abriu o placar.

O argentino estava no River Plate até a metade deste ano, quando se apresentou ao Manchester City.

O jovem atacante chegou ao Mundial com três gols pela seleção principal da Argentina. Passados cinco jogos, mais que dobrou o número: já são sete.

“Ele tem feito partidas extraordinárias, jogando por todos, lutando. Foi uma aparição extraordinária para a gente. E ele merece, porque é um garoto estupendo. Que desfrute de tudo isso”, afirmou Messi após a partida.

É difícil crer que ele pudesse imaginar, antes do começo do Mundial, a situação em que se encontra agora, sendo o segundo melhor jogador da seleção, atrás apenas do supercraque Lionel Messi.

Os números e a atuação no Catar deverão mudar o seu patamar no retorno ao Manchester City e comprovar que o aval do técnico Pep Guardiola para o investimento de 21 milhões de euros (R$ 117,6 milhões) na sua contratação foi merecido.

Reserva do badaladíssimo norueguês Erling Haaland no clube, Álvarez chegou ao Mundial também na reserva, de Lautaro Martínez, artilheiro da Inter de Milão, e assim permaneceu nos dois primeiros jogos – derrota diante da Arábia Saudita e vitória sobre o México.

Álvarez jogou perto de meia hora em cada um desses confrontos e na terceira partida da fase de grupos, decisiva, contra a Polônia, ganhou a chance de começar, muito devido às más apresentações de Lautaro.

Não decepcionou. Em jogo dificílimo, aliviou a Argentina ao marcar na metade da etapa final o segundo gol da equipe, que assegurou a vitória por 2 a 0 e a classificação para os mata-matas.

Voltou a brilhar nas oitavas de final, quando fez de novo o segundo gol da Argentina, fundamental no triunfo por 2 a 1 sobre a Austrália.

O camisa 9 manteve-se titular contra a Holanda e viveu momentos de aflição, quiçá de desespero, nas quartas de final. Não por não balançar as redes dessa vez, mas porque, substituído com vantagem de 2 a 0 aos 37 minutos do segundo tempo, viu a Holanda diminuir um minuto depois e empatar nos acréscimos. Do banco, sofreu na prorrogação e na disputa de pênaltis.

Diante da Croácia, contribuiu decisivamente para que os argentinos não voltassem a passar sufoco.

“A sensação é de merecimento, é uma grande alegria para todos nós. Agora vamos descansar para a final”, disse o atacante depois do jogo. “Na minha família devem estar todos loucos, como em todo o país imagino. Vamos tentar ir até o fim”, disse o jogador, que era chamado de “aranha” quando criança porque parecia ter mais de duas pernas quando jogava.

Conheça os muitos recordes de Messi

Aos 35 anos, Messi disputa sua última Copa em altíssimo nível, com cinco gols marcados (é um dos artilheiros) e três assistências, além de atuações marcantes, como a das quartas de final, contra a Croácia.

Sendo o argentino um dos melhores jogadores da história do futebol, as atenções são direcionadas, além da busca pelo inédito título, para os recordes que ele atingiu ou ainda pode atingir.

Confira que marcas o camisa 10 obteve no Mundial no Catar e as que ele tem chance de registrar na final da Copa, no domingo (18), no estádio Lusail.

Marcas

Cinco copas do Mundo – Messi se tornou no Catar um dos atletas com mais participações em Copas (5), ao lado do português Cristiano Ronaldo, do alemão Lothar Mathtäus e dos mexicanos Antonio Carbajal, Rafa Márquez e Andres Guardado.

Mais participas em copas – Messi divide com o alemão Matthäus a marca mais jogos disputados em Mundiais (25). Entrando em campo na decisão, se tornará o recordista isolado.

Mais vezes campeão em copas – Messi tornou-se, ao jogar seis partidas no Catar, o atleta que mais vezes atuou como capitão em Copas (18). O mexicano Rafa Márquez vem a seguir, tendo usado a tarja em 17 jogos.

Artilheiro da Argentina – Messi, com as cinco bolas que mandou para as redes no Catar, chegou a 11 gols em Copas, deixando para trás os compatriotas Gabriel Batistuta (10), Diego Maradona e Guillermo Stábile (ambos 8).

Mais minutos em Copas – Messi contabiliza 2.194 minutos jogados em Mundiais. Ele só está atrás de Paolo Maldini (Copas de 1990, 1994, 1998 e 2002) e precisa jogar 24 minutos da final para ultrapassar o zagueiro/lateral italiano (2.217 minutos).

Mais vitórias em Copas – Messi acumula 16 vitórias nas 25 partidas que disputou em Mundiais. À frente dele apenas o alemão Miroslav Klose, com 17 vitórias em 24 jogos (Copas de 2002, 2006, 2010 e 2014)).

Mais vezes o melhor em campo – Messi, eleito quatro vezes o “Man of the Match’ no Catar, tem em sua coleção dez prêmios de melhor do jogo (instituído na Copa de 20002), três a mais que o português Cristiano Ronaldo.

Técnico croata reclama

Zlatko Dalic, técnico da Croácia, reclamou da marcação do primeiro pênalti que fez a Argentina sair na frente na semifinal da Copa do Mundo na terça-feira, 13 no Estádio Lusail, em Doha, no Catar.

O árbitro Daniele Orsato marcou a infração em cima de Julián Álvarez após choque com o goleiro croata Livakovic aos 32 minutos do 1º tempo, quando a partida ainda estava 0 a 0.

O jogo terminou 3 a 0 para os argentinos e, segundo o europeu, esse lance teve influência decisiva para mudar o rumo de quem disputaria a decisão.

"Parabenizo a Argentina pela vitória, mas também aos meus meninos. Acho que jogamos bem durante meia hora, controlamos, mas não fomos objetivos. Sofremos um gol muito duvidoso. Primeiro, o escanteio não foi marcado e depois o argentino acertou o nosso goleiro. O que o Livakovic deve fazer? Esconder? Aí caiu aquele segundo gol e tudo se abriu para a Argentina".

Depois, em outro momento, ele disse que evitaria falar da arbitragem, mas voltou a criticar a atuação do árbitro italiano.

Dalic foi questionado sobre o seu futuro na Croácia após a eliminação da Copa. Ele disse que ficará no comando até o fim do seu contrato, que é em 2024. "Meu objetivo é levar a Croácia para a Euro", explicou.

Torcida quebra cadeiras

A torcida argentina voltou a roubar a cena no Catar na terça-feira, 13, ao encher o Lusail para empurrar a seleção na contundente vitória por 3 a 0 contra a Cróacia, pela semifinal da Copa do Mundo. Porém, não foi só pela festa que os argentinos ficarão marcados, mas também pelo rastro de destruição deixado no estádio.

A exemplo do que fizeram há oito anos em Itaquera, na Neo Química Arena (na época, chamada de Arena Corinthians ou Itaquerão) quando arrebentaram várias cadeiras na Copa de 2014, os argentinos repetiram a dose em Doha.

O UOL esteve no setor onde estava localizada a principal concentração da torcida argentina, atrás das traves onde Julián Álvarez fez o terceiro gol, no segundo tempo, e viu argentinos erguendo as cadeiras destruídas na comemoração.

Após a partida, a reportagem rodou todo o setor e presenciou várias cadeiras destruídas, totalmente arrancadas de seus lugares ou bastante danificadas. Alguns voluntários recolhiam os destroços deixados pelos argentinos.

Ao andar pelo trecho onde estavam os torcedores mais exaltados, a reportagem constatou que as cadeiras destruídas estavam na casa das dezenas.