Árbitro de Mirassol x Bahia diz que zagueiro do Leão mentiu em entrevista
Árbitro citou na súmula que ficou 35 minutos em campo, após o término da partida; equipe foi aconselhada pela Polícia Militar a deixar o estádio o mais rápido possível

O árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva contestou oficialmente a versão apresentada pelo capitão do Mirassol, o zagueiro João Victor, sobre um suposto comentário feito pela arbitragem durante a derrota por 2 a 1 para o Esporte Clube Bahia, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Em súmula, o juiz afirma que o jogador mentiu o relatar, em entrevista após a partida, que teria ouvido da arbitragem a frase “vá chorar no vestiário”. Segundo Zanovelli, a declaração é “inverídica” e jamais foi proferida por ele ou por qualquer membro da equipe de arbitragem.
O episódio consta no relatório oficial do jogo disputado no sábado, 11, em Mirassol, e reforça o clima de tensão que marcou o pós-jogo. Conforme o documento, o árbitro afirma ter tomado conhecimento da fala do atleta apenas durante a elaboração da súmula, já após o encerramento da partida.
A contestação pública do árbitro ocorre em meio a uma série de ocorrências registradas no mesmo documento. A arbitragem relatou invasão de campo por integrantes da comissão técnica do Mirassol, ofensas reiteradas — com termos como “ladrão” e “safado” — e até ameaças no túnel de acesso aos vestiários.
O ambiente hostil obrigou a equipe de arbitragem a permanecer por cerca de 35 minutos no gramado aguardando reforço policial para deixar o campo com segurança. Ainda segundo o relato, os árbitros foram escoltados até o hotel e não puderam sequer concluir os procedimentos habituais, como tomar banho, no vestiário do estádio.
“Por questões de segurança, o comandante sugeriu nossa saída do estádio o mais breve possivel, não sendo possível a equipe de arbitragem tomar banho no vestiário e fazer os relatórios da partida”, escreveu Zanovelli.
A súmula também registra expulsões, incluindo a do técnico Rafael Guanaes e do meia Eduardo, além de novos cartões vermelhos aplicados após o apito final a membros da comissão técnica.
Dentro desse contexto, a divergência entre o relato do capitão do Mirassol e a versão oficial da arbitragem adiciona mais um elemento de controvérsia a uma partida já marcada por protestos intensos e acusações mútuas.