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Acirp prevê movimentação econômica de R$ 50 milhões em Rio Preto durante o Carnaval

O cálculo considera o impacto do período sobre setores diretamente ligados ao consumo e exclui movimentações financeiras relacionadas a eventos privados; segmento de alimentação ficará com mais da metade desta quantia, com R$ 27,2 milhões

por Lucas Israel
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Fachada da Acirp, na esquina das ruas Silva Jardim e Voluntários de São Paulo (Divulgação/Acirp)
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Fachada da Acirp, na esquina das ruas Silva Jardim e Voluntários de São Paulo (Divulgação/Acirp)
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O Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 50,4 milhões na economia de Rio Preto, segundo estimativa do Centro de Estudos Econômicos (CEE) da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp). O cálculo considera o impacto do período sobre setores diretamente ligados ao consumo e exclui movimentações financeiras relacionadas a eventos privados.

O cálculo difere daquele apresentado pela Prefeitura de Rio Preto na última semana, que fala em uma movimentação na casa dos R$ 287 milhões e que tem um prazo superior ao do período do feriado de Carnaval, contando o intervalo entre os dias 7 e 28 de fevereiro.

Segundo o levantamento da Acirp, a maior parcela da movimentação deve se concentrar no segmento de alimentação, com R$ 27,2 milhões, o equivalente a mais da metade do total projetado. Em seguida aparecem as vendas de bebidas, com R$ 15,3 milhões. O setor de bares deve responder por R$ 7,2 milhões, enquanto a comercialização de apetrechos típicos do período, como fantasias e acessórios, soma R$ 600 mil.

A projeção sinaliza um ambiente favorável para comércio e serviços durante o feriado prolongado, sustentado por fatores macroeconômicos considerados mais estáveis. Entre eles, o estudo destaca a desaceleração da inflação medida pelo IPCA e a manutenção dos níveis de emprego, elementos que contribuem para preservar a renda disponível e a confiança do consumidor.

“Quando a inflação dá sinais de estabilidade e o emprego se mantém, o consumo tende a ganhar tração, especialmente em períodos de forte apelo social e cultural, como o Carnaval”, afirma Luciano Impastaro, diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp.

Segundo ele, a estimativa reforça o peso do calendário sazonal para a dinâmica econômica local e evidencia a importância de um ambiente macroeconômico previsível para que empresas possam planejar estoques, equipes e estratégias comerciais.

A nota metodológica informa que a estimativa foi construída com base em microdados públicos da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, além de modelagens estatísticas que consideram faturamento médio por setor, número de empresas ativas e arrecadação tributária. O recorte exclui receitas associadas a eventos privados, concentrando-se no consumo pulverizado em estabelecimentos comerciais e de serviços.

“O objetivo é transformar dados em leitura prática para o empresário, oferecendo um retrato consistente do que representa, em termos de consumo, um período que altera hábitos, amplia a circulação de pessoas e eleva a demanda por serviços”, afirma Adnan Jebailey, economista responsável pelo levantamento. Segundo ele, ao cruzar variáveis como base empresarial, faturamento setorial e arrecadação, é possível produzir uma estimativa com lastro técnico que sirva de referência para decisões operacionais no período.