Um grande exemplo de amor e bondade
Poder ajudar deixava o Dr. Norberto realizado, ajudou por décadas asilos, creches, famílias carentes; quando falava dos filhos, logo surgiam nele o sorriso fácil e a voz suave

O doutor Norberto Buzzini sempre me falava com muito carinho e com uma eterna dor de saudades da sua mãe, que faleceu quando ele tinha apenas 7 anos. Muito inteligente, estudou na época em que se ensinava latim na escola. De vez em quando, me explicava o significado de determinada palavra. Falava de fatos históricos com tamanha clareza e detalhes que pareciam ter acontecido ontem.
Ao longo dos anos, foi me confessando algumas de suas paixões: sobre cinema, ainda menino revelou que entrava escondido e ficava encantado com a tela. Prédios altos: sempre guardava recortes de jornal com matérias dos prédios mais altos do mundo. Viu o mar pela primeira vez na época de escoteiro, e foi amor à primeira vista.
Lia todos os jornais diários, revistas, livros etc. Quando viajava ao exterior, recebia as notícias por fax onde quer que estivesse (porque ele era assinante de uma publicação em forma de boletim com o resumo do que estava acontecendo aqui no Brasil).
Ajudar ao próximo: poder ajudar o deixava realizado. Por exemplo, ajudou por décadas asilos, creches, famílias carentes etc. Dava uma ajuda mensal em alimentos (leite em pó, óleo, arroz, café, açúcar, carne etc) e tinha um controle rigoroso para não faltar nenhum mês.
A pontualidade, sempre britânica. Lembro-me que às vezes eu chegava e ele já estava na empresa. A primeira coisa que ele fazia quando me via era olhar no relógio... Era engraçado. Ele fazia isso com o Cláudio, motorista, e com todos, mas não com maldade, sempre muito espontâneo.
Me contou que aos 9 anos, no casamento da irmã Noêmia (07/07/1940), retirou todos os cartões dos presentes e guardou para ela ler depois, mas não imaginou que ficaria impossível saber de quem eram os presentes. Disse que levou uma bronca.
Tinha o hábito de mandar escrever no verso de todas as fotos que revelava, o local da foto, as pessoas da foto, a data etc. Sempre revelava cópias a mais para distribuir aos personagens fotografados. Tinha um bloco de anotações na mesa dele. Então, todas as decisões e pedidos ele passava por escrito e anotava na agenda. Sempre muito orgazinado.
Escrevia pessoalmente os cartões de aniversário natalício e de casamento enviados a sua esposa sempre com buquê de rosas vermelhas. Um sorriso fácil e uma voz suave surgiam quando falava dos filhos. Às vezes estava sério, preocupado com alguma coisa, mas quando chegava um dos filhos, ele era outra pessoa. Esse comportamento perdurou com a chegada dos netos.
Aprendi muitas coisas com ele, mas sem palavras ou sermões, apenas pelo exemplo.
Rosana Verdi
Secretária da Diretoria, 20/10/2025