O legado de Norberto Buzzini
Um rio-pretense ilustre e sua história de vida e obra sustentada em ética, trabalho e amor incondicional por Rio Preto

O chefe diz “vai”, o líder diz “vamos”. Norberto Buzzini sempre preferiu dizer “vamos”, numa inspiração que assimilou desde cedo, ajudando no ofício do pai e absorvendo dele um ensinamento resumido em três palavras: “vamos fazer juntos”. O filho do sapateiro Antônio cresceu na simplicidade de um ambiente cheio de desafios e fez de cada obstáculo uma oportunidade. Com honestidade e trabalho árduo, conquistou respeito e tornou-se exemplo de integridade, no ramo do Direito, na política e no empreendedorismo jornalístico, fazendo do Diário da Região um dos mais importantes grupos de comunicação do Interior do Brasil.
Nascido em 16 de janeiro de 1931, em São José do Rio Preto, Norberto construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a verdade, pelo amor incondicional à sua cidade e pela busca permanente do bem-estar e desenvolvimento da sua comunidade. Filho de Antônio Buzzini, sapateiro, e dona Adelina Alário, e neto de italianos da Calábria e de Milão, ele cresceu no dia a dia da Casa Buzzini, na rua General Glicério, onde começou a trabalhar aos 13 anos, ajudando seu pai na loja. Por anos, esse foi o seu cotidiano, conciliando com os estudos.
Norberto e seus irmãos Norma, Normando, Noêmia, Noélia, Noraide e Nondina foram criados com um forte senso de valores familiares, que sempre foi uma das bases de sua vida. A vivência em família delineou o caráter do menino que viu nos exemplos dos pais o apreço pela perseverança no trabalho e, simultaneamente, pela obstinação na escola. Com essa base de sustentação, foi cursar Direito, ampliou sua visão de mundo e formou-se em 1956 pela Faculdade Fluminense de Niterói.
Em 1960, na condição de advogado, o jovem doutor Norberto teve um encontro inusitado, em sessão do Tribunal do Júri em Rio Preto. Foi quando conheceu a igualmente jovem e recém-formada professora Neuza Silva Castro, a mulher de sua vida, com quem se casou pouco tempo depois. Juntos, formaram uma família sólida, com três filhos: Débora, Fabiano e Luciana. Dona Neuza Castro Buzzini, como passou a assinar na vida matrimonial, foi uma mulher de espiritualidade católica profunda e de sensibilidade para causas sociais, fundamental na vida pessoal e profissional do marido, acompanhando-o nas vitórias e em todos os momentos mais difíceis.
DIÁRIO
O envolvimento de Buzzini com a comunicação e a vontade de defender o interesse coletivo teve o despertar nos primeiros anos exercendo a advocacia. Essa vocação se consolidou com sua formação e ganhou ainda mais força em 1959. Foi quando ele aceitou o convite do amigo José Barbar Cury para adquirir o Diário da Região, jornal fundado pelo engenheiro Euphly Jalles, em 23 de julho de 1950, e passando por dificuldades financeiras na época.
Junto com Barbar Cury, Alberto Cecconi e Antônio Natalone, Buzzini assumiu a direção do Diário em 1960, deixando a advocacia em segundo plano para se dedicar integralmente à imprensa. Sob sua liderança, o jornal se modernizou, tornando-se um dos maiores e mais respeitados veículos de comunicação do País – pela Redação do Diário, passaram vários dos maiores líderes políticos brasileiros, entre eles Ulysses Guimarães. A partir dos anos 1970, o Diário da Região passou a ser de propriedade exclusiva de Buzzini, consolidando sua posição como um dos maiores empresários de comunicação do interior paulista.
POLÍTICA E PALESTRA
Ao longo da carreira, Buzzini também foi vereador e presidente do Palestra Esporte Clube, e ocupou diversos cargos em entidades de Rio Preto, sempre com o compromisso de melhorar a cidade. Como vereador, foi um defensor incansável de causas sociais e culturais. Sempre com um coração generoso, destacou-se pela forte vocação para o serviço a favor da coletividade, independentemente de ocupar cargo público, o que provou nas décadas seguintes como homem da comunicação.
Paralelamente à atuação no jornalismo, Buzzini deu contribuição significativa no Palestra Esporte Clube, quando assumiu a presidência em 1969, encontrando o clube à beira da falência. Sua gestão transformou o Palestra, que passou a ser um dos maiores e mais ativos clubes da cidade, com mais de 12 mil associados. Buzzini recuperou financeiramente a agremiação, onde construiu a primeira piscina olímpica da cidade, colocando o clube entre os melhores do interior. Ele deixou a presidência em 1981, entregando o Palestra revitalizado e em plena expansão.
AMOR PELA CIDADE
A relação de Buzzini com Rio Preto sempre foi pautada pelo amor à sua terra natal, e sua atuação como empresário, político e comunicador sempre teve o objetivo de contribuir para o desenvolvimento econômico, cultural e social da cidade e da região. Sua visão de um jornalismo ético, comprometido com a verdade e com a sociedade, refletiu-se nas ações de sua empresa e na missão do Diário da Região, que sempre teve como objetivo gerar informação com responsabilidade, respeitando os cidadãos e promovendo a qualidade de vida.
Aos 94 anos, Norberto Buzzini eterniza-se como uma referência em Rio Preto. Sua trajetória de vida é marcada pela luta constante pela verdade, pelo progresso de sua cidade e pelo compromisso com o jornalismo ético. Seu legado, tanto na comunicação quanto no esporte, na cultura e na política, é um exemplo de dedicação e amor incondicional à cidade que ele chamava carinhosamente de sua “Roma Eterna”. Família, trabalho e paixão por Rio Preto continuarão para sempre sendo os pilares que sustentam sua história de vida e obra.
NORBERTO BUZZINI
Nascimento: 16 de janeiro de 1931
Local: São José do Rio Preto
Profissão: advogado, jornalista e empresário
Formação: Direito pela Faculdade Fluminense de Direito, Niterói, RJ, em 1956
Esposa: Dona Neuza Castro Buzzini (in memoriam)
Filhos: Débora, Fabiano e Luciana
Netos: Murilo, Fábio, Clara, Lorenzo e Lucas
Diretor-presidente do jornal Diário da Região desde 1960.
Fundador-diretor da rádio FM Diário de Mirassol em 1988.
Vereador em Rio Preto na Legislatura de 1964 a 1968.
Primeiro secretário da Câmara Municipal de Rio Preto em 1967.
Candidato a prefeito de Rio Preto pelo MDB em 1968.
Presidente do Palestra Esporte Cube de 1969 a 1981.
Presidente da Comissão Central de Esportes (CCE) de 1958 a 1959.
Vice-presidente da Liga Rio-pretense de Combate à Tuberculose de 1965 a 1967
Conselheiro da Associação Comercial e Industrial (Acirp) de 1964 a 1965.
Membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), anos 70/80.
Membro Honorário da Academia Rio-Pretense de Letras e Cultura (Arlec) desde 17 de dezembro de 2009.