Norberto Buzzini morre aos 95 anos, deixando um legado que se confunde com a própria história de Rio Preto
Advogado, jornalista, ex-vereador e empresário, ele foi protagonista de décadas da vida rio-pretense, à frente do Diário da Região e em sua atuação na política, no esporte e na construção da memória da cidade e da região

Jornalista, empresário, advogado e ex-vereador, o diretor-presidente do Diário da Região, Norberto Buzzini, morreu às 9h30 da manhã desta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, em Rio Preto, aos 95 anos, deixando uma trajetória profundamente ligada à história da cidade. Nascido em 16 de janeiro de 1931, ele se formou em Direito pela Faculdade Fluminense de Direito, em Niterói, em 1956, e construiu sua vida profissional marcada pela comunicação e pela participação na vida pública.
A causa da morte foi broncopneumonia. O velório será das 18h à meia-noite desta quarta-feira, 12, no Jardim da Paz. A despedida retorna na quinta, 13, às 6h. O sepultamento ocorre na quinta, às 17h.
Sua trajetória à frente do jornal Diário da Região começou no fim de 1959, quando participou da aquisição do periódico, e se consolidou nas décadas seguintes. Desde 1960, Buzzini esteve à frente do Diário, transformando o jornal em uma das principais referências da imprensa de Rio Preto e de toda a região. Ao longo de décadas, acompanhou de perto as transformações da cidade e defendeu um jornalismo comprometido com a informação, a credibilidade e a comunidade. Em 1988, também fundou e dirigiu a rádio FM Diário, ampliando sua atuação no setor de comunicação.
Sua vida pública foi igualmente intensa. Foi vereador de Rio Preto na legislatura de 1964 a 1968 e primeiro-secretário da Câmara Municipal em 1967. Em 1968, candidatou-se à Prefeitura pelo MDB, em um período particularmente difícil da vida política brasileira. Na gestão do prefeito Alberto Andaló, seu primo, ele também presidiu a Comissão Central de Esportes, entre 1958 e 1959, e exerceu a vice-presidência da Liga Riopretense de Combate à Tuberculose, além de integrar a Associação Comercial e Industrial de Rio Preto.
No esporte, seu nome ficou especialmente associado ao Palestra Esporte Clube, que presidiu de 1969 a 1981. Ao assumir o clube, encontrou uma instituição em dificuldades e trabalhou para reorganizá-la e fortalecê-la, deixando como parte de seu legado uma estrutura esportiva que marcou a história rio-pretense. Sua atuação também se estendeu à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e, posteriormente, à Academia Riopretense de Letras e Cultura, da qual era membro honorário desde 17 de dezembro de 2009.
Família
Doutor Norberto construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a verdade, pelo amor incondicional à sua cidade e pela busca permanente do bem-estar e desenvolvimento da sua comunidade. Filho de Antônio Buzzini, sapateiro, e dona Adelina Alário, e neto de italianos da Calábria e de Milão, ele cresceu no dia a dia da Casa Buzzini, na rua General Glicério, onde começou a trabalhar aos 13 anos, ajudando seu pai na loja. Por anos, esse foi o seu cotidiano, conciliando com os estudos.
Construiu sua família ao lado de Dona Neuza Castro Buzzini, já falecida. Deixa os filhos Débora, Fabiano e Luciana e os netos Murilo, Fábio, Clara, Lorenzo e Lucas. Norberto e seus irmãos Norma, Normando, Noêmia, Noélia, Noraide e Nondina foram criados com um forte senso de valores familiares, que sempre foi uma das bases de sua vida.
Para além dos cargos e empreendimentos, sua história se confunde com a memória Rio Preto, cidade que acompanhou, registrou e ajudou a transformar ao longo de mais de nove décadas. Sua morte encerra uma trajetória de 95 anos dedicada ao trabalho, ao jornalismo, à vida pública, ao esporte e à cidade que sempre chamou de sua “Roma Eterna”, numa referência bem-humorada à ancestralidade italiana.