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Setor de serviços recupera perdas em novembro

Setor de serviços avança em novembro e recupera as perdas de dois meses de retração; esboço de reação é alento para um setor estratégico para a economia, inclusive de Rio Preto e região

Agência Estado
Publicado em 14/01/2022 às 01:12Atualizado em 14/01/2022 às 01:40
Serviços presenciais ainda não operam, nenhum deles, em patamar superior ao prépandemia e são um dos mais afetados, segundo o IBGE (Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Serviços presenciais ainda não operam, nenhum deles, em patamar superior ao prépandemia e são um dos mais afetados, segundo o IBGE (Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O setor de serviços mostrou reação em novembro, recuperando as perdas dos dois meses anteriores de retração. O volume de serviços prestados no País cresceu 2,4% em relação a outubro, alta mais intensa para esse período do ano dentro da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma boa notícia inclusive para Rio Preto, uma vez que este é o setor responsável pela maior força de trabalho na região.

O bom desempenho surpreendeu até mesmos os analistas mais otimistas, que previam desde uma queda de 1,0% a uma alta de 1,5%, com mediana positiva de 0,1%. "Caminha para ter fechado 2021 com uma cara muito melhor do que entrou o ano", disse Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB investimentos.

Cruz vê nos dados uma perspectiva favorável para 2022, lembrando que a pandemia de Covid gerou desconfiança na população e medidas restritivas ao funcionamento de estabelecimentos, o que resultou em demanda reprimida. "Quando há abertura e as pessoas se sentem seguras, vão atrás para consumir serviços."

Por enquanto, a recuperação do setor tem sido turbinada por segmentos não presenciais e pela demanda de empresas, afirmou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. “Não são serviços de caráter presencial. As atividades que tiveram melhor desempenho (ao longo da pandemia) são as que não tiveram necessidade de prestação presencial”, avaliou. Na passagem de outubro para novembro, quatro dos cinco setores investigados avançaram: informação e comunicação (5,4%), transportes (1,8%), serviços prestados às famílias (2,8%) e outros serviços (2,9%). A única queda foi a do setor de serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%).

A melhora fez o setor de serviços superar em 4,5% o nível de funcionamento de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária. “Os serviços presenciais ainda não operam nenhum deles em patamar superior ao pré-pandemia”, ponderou Lobo. “Os serviços voltados para as empresas que têm aproveitado oportunidades possibilitadas pela pandemia”, completou.

Em novembro, os transportes passaram a operar 7,2% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estavam 11,8% abaixo. Os serviços de informação e comunicação estão 13,7% acima do pré-pandemia, mas o segmento de outros serviços está 2,5% aquém. Os serviços profissionais e administrativos estão 4,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.

Os motores da recuperação do setor de serviços são os subsetores de tecnologia da informação, transporte e armazenamento de mercadorias, além de serviços financeiros. “Boa parte do bom desempenho do setor de serviços está atrelada ao dinamismo desse segmento de tecnologia de informação, que ocorre desde maio e junho de 2020. As empresas se viram obrigadas a acelerar seus processos de digitalização”, lembrou o pesquisador, acrescentando que o segmento teve um aumento de receita mais acelerado ao atender uma demanda de empresas “que viram necessidade de mudar a forma de atender seu mercado consumidor”.

Trabalho remoto e condições sanitárias

Segundo o gerente do IBGE, Rodrigo Lobo, a manutenção do trabalho remoto e as condições sanitárias ainda difíceis impedem uma recuperação plena dos serviços prestados às famílias. Após oito meses de avanços consecutivos, os serviços prestados às famílias acumulam um crescimento de 60,4%, mas ainda não voltaram ao nível pré-Covid.

“As pessoas que permanecem trabalhando dessa forma (remotamente), antigamente, elas poderiam almoçar fora, perto de seu local de trabalho. Talvez agora elas ainda consumam mais em supermercado para almoçar dentro de casa do que em restaurante. Ainda tem um deslocamento do consumo e as pessoas direcionando a maior parte da sua renda aos supermercados em detrimento da alimentação fora do domicílio.”

Por ora, questões como a queda no rendimento obtido do trabalho, elevado nível de desemprego e inflação alta ainda não afetam os serviços às famílias, mas podem ser limitadores adiante, opina Lobo. “Por enquanto ainda não é, porque (a atividade de serviços às famílias) está crescendo em cima de taxas positivas.”

Passado o choque inicial provocado pela pandemia, que provocou um tombo de 8,3% no volume de serviços prestados no País em 2020, o setor pode ter em 2021 um crescimento recorde na série histórica, que nesse tipo de comparação começa em 2012. “Se tivermos um crescimento de ao menos de 1% em dezembro (de 2021) na comparação interanual (ante dezembro de 2020), a gente fecha o ano com crescimento de 10%, dois dígitos, que será a taxa mais elevada da série”, calculou Lobo.

Área estratégica para a região

Levantamento feito pelo Diário da Região no último mês de outubro mostrou que o setor de serviços é responsável pela maior parcela da força de trabalho nas cidades da região de Rio Preto, com mais de 185 mil trabalhadores empregados. Também conhecido como setor terciário, é responsável por 37% do contingente de mais de 500 mil trabalhadores com carteira assinada nos 117 municípios da região, de acordo o Caged, do Ministério do Trabalho.

Os destaques são Rio Preto com 70.950 trabalhadores, número que representa 49% da força de trabalho empregada em empresas que compõem essa diversa parcela da economia, seguido por Catanduva com 16.786 (44%) e Barretos com 13.802 (44%). Essa predominância não é exclusiva da região, no estado o setor é responsável por 51% dos empregos formais.

E a tendência é que os números continuem bons agora em 2022, mesmo com a persistência da pandemia de Covid-19. Para o economista Eduardo Vilarim, do Banco Original, a tendência para este ano é positiva para o volume de serviços como um todo, ainda que diante da variante Ômicron.

“A variante é muito mais contagiosa, mas não tende a causar muito mais hospitalizações e mortes. Isso faz com que não haja aumento das restrições à mobilidade, o que é bastante positivo para o setor”, disse Vilarim, que prevê manutenção da trajetória de recuperação dos serviços prestados às famílias ao longo de 2022, devido ao aumento na demanda das famílias por serviços presenciais. Ele estima para 2022 uma expansão de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), sujeita a revisão para baixo.

 
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