SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 19 DE MAIO DE 2022
ALTA NOS PREÇOS

Preço do café fica 50% mais caro nos últimos 12 meses, segundo IPCA

Uma das bebidas mais consumidas pelo brasileiro, o café está pesando mais no bolso do consumidor; no acumulado dos últimos doze meses

Da redação
Publicado em 22/01/2022 às 01:05Atualizado em 22/01/2022 às 09:25
Na padaria Getúlio Vargas, preço do café sofreu dois reajustes em 2021 (Guilherme Baffi 21/01/22)

Na padaria Getúlio Vargas, preço do café sofreu dois reajustes em 2021 (Guilherme Baffi 21/01/22)

Bebida tradicional na rotina dos brasileiros, o cafezinho adoçado com açúcar continua registrando altas de preço e segue amargando o bolso dos consumidores neste início de ano. É o que mostra levantamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que identificou uma alta de 50% no preço da bebida em dezembro do ano passado, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A alta é inédita para o produto de origem nacional.

O aumento no preço da bebida não poupou estabelecimentos comerciais de Rio Preto, que precisaram repassar as altas para o cliente final. Gerente administrativo da panificadora Getúlio Vargas, Valtair Aparecida dos Santos registrou diversos reajustes no preço do café no decorrer do ano passado, até chegar um momento em que teve que dividir a conta com o consumidor.

“Não tem como segurar sozinho, já que a margem de ganho é pequena. No início do ano vendíamos a xícara por R$ 2, subimos para R$ 2,50 e agora já chegou em R$ 3”, conta. Apesar das altas, a procura pela bebida ainda segue ‘quente’. “É uma bebida tradicional, o brasileiro não fica sem”.

Proprietário da panificadora Nossa Senhora das Graças, o empresário Osmar Esbrissa também não conseguiu segurar a sequência de reajustes e foi obrigado a repassar uma porcentagem do valor para o consumidor. Ele conta que o preço da xícara de café coado passou de R$ 1 para R$ 2 reais. Já o café expresso se manteve na casa dos R$ 3. Segundo Esbrissa, repassar o preço poderia afugentar a clientela.

“Os fregueses começaram a reclamar, porque o preço está subindo muito. Nessa semana mesmo tive que subir o valor, porque não estava pagando o que eu gasto. Eu ainda tento absorver uma parte das altas, só para manter a tradição da venda na padaria, porque se fosse para visar o lucro, o mínimo que eu teria que vender a xícara do café coado era R$ 3”, diz.

Quem opta pelo produto moído também está sentindo no bolso. De acordo com levantamento feito com dados da pesquisa Economize, do Diário, um pacote de 500 gramas café que era vendido por R$ 9,99 em janeiro de 2021, passou a custar até R$ 18,98 em janeiro deste ano. Uma elevação de quase 90% no preço do produto.

O autônomo Edilson José de Almeida é consumidor assíduo de café e conta ter sentido no bolso aumento no preço do café no orçamento da família. Almeida conta que a família costumava consumir até três pacotes de 500 gramas de café por mês. Agora, no entanto, foi preciso reduzir para dois como forma e aliviar o peso do aumento.

“A gente tem que se virar nos trinta para não deixar faltar o cafezinho na mesa. Como sair à procura de marca mais em conta. Tomou e viu que a marca é razoável, continua comprando. E assim a gente vai vivendo”, brinca Almeida. (Colaborou Júlia de Britto)

Queda da safra justifica alta

Segundo a quarta edição do Boletim de Safra do Café de 2021, a produção de café sofreu redução de 24,4% no ano passado em relação à safra de 2020 – queda recorde para a cultura no País. A justificativa seria um efeito chamado bienalidade, que é a oscilação da produção em anos consecutivos.

“Como no ano anterior a planta foi exigida para produção, com diminuição do número de folhas e ramos secos, o cafeeiro aproveita para recompor na safra seguinte toda a sua parte vegetativa e estruturas internas e de reserva. Com isso, a rentabilidade do produtor é diretamente impactada”, esclarece o anuário.

Mais amargo

O açúcar refinado, fiel companheiro do café, foi outro item que impactou no orçamento dos consumidores e deixou o café da manhã menos digestivo financeiramente. Segundo levantamento do IPCA, o produto extraído da cana-de-açúcar sofreu elevação de 47,87% nos últimos 12 meses. Segundo o IBGE, o preço do açúcar foi influenciado por uma oferta menor do produto no mercado e pela competição pela matéria prima para a produção do etanol. Durante a pandemia, boa parte do açúcar produzido passou a ser importada para o mercado internacional.

A alta no preço do açúcar refinado é confirmada nos supermercados de Rio Preto. Como no caso do pacote de um quilo do açúcar refinado União. Em janeiro do ano passado, o produto podia ser encontrado pelo maior valor de R$ 3,49, na cidade. Atualmente, o mesmo produto chega a custar até R$ 5,30 – uma alta de mais de 52%. (FN)

Preço continua pressionado

Diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), Celírio Inácio explica que, apesar de ser um ano de bienalidade positiva, a produção deste ano não será tão grande quanto o esperado. A produção menor pode pressionar ainda mais o preço do produto no mercado.

“Iniciamos 2022 já sabendo que não teríamos a supersafra esperada. É um ano de bienalidade positiva, mas, diante de todos os transtornos climáticos adversos em 2021, se espera uma safra de 55,743 milhões de sacas, o que não é o ideal mas é um número bom, que representa um crescimento de 16,8% na produção deste ano em relação a do ano passado. Será uma safra melhor, no entanto, ainda muito preocupante diante da expectativa de consumo no mundo”. (JB)

Edilson José de Almeida reduziu o consumo mensal de três para dois pacotes de café, após aumentos (Arquivo pessoal)

 
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