SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 05 DE JULHO DE 2022
LEGADO DA PANDEMIA

Empresas de Rio Preto aderem ao home office permanente e mudam escritórios

Menos gastos para funcionários e empresas, além de colaboradores mais motivados estimulam o modelo de trabalho

Rone Carvalho
Publicado em 11/03/2022 às 23:22Atualizado em 12/03/2022 às 15:20
Daniel Machado, gerente de operações da Mercatus Tecnologia (Johnny Torres/Arquivo)

Daniel Machado, gerente de operações da Mercatus Tecnologia (Johnny Torres/Arquivo)

Empresas da região de Rio Preto estão aderindo ao home office permanente e mudando a estrutura dos escritórios. Antes da pandemia, a modalidade de trabalho em casa era uma realidade distante do Noroeste Paulista. No entanto, dois anos depois do início da pandemia, o que era provisório está se tornando cada vez mais frequente nas empresas da região.

Enquanto algumas corporações optam por 100% da modalidade home office a todos os funcionários, outras escolhem o modelo híbrido, em que o colaborador trabalha três dias em casa e dois na empresa. "É um legado da pandemia que trouxe melhoria no desempenho dos funcionários e na motivação deles no trabalho”, afirmou o gerente corporativo da Unimed Rio Preto, Felipe Marim.

Embora a Medida Provisória 927, que estipulava regras para o home office tenha perdido vigência, a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/ 2017) garante que o home office continue sendo praticado pelas empresas, desde que a opção pela modalidade de contratação seja registrada no contrato de trabalho. Isso também pode ser feito com os empregados que, atualmente, desempenham atividades presenciais, por meio de um aditivo ao contrato.

O professor da Unifesp e PUC-SP Tulio Massoni, aponta que direitos e deveres do trabalho em casa podem ser negociados via contrato e sindicato, ou seja, não existe impedimento. "O regime de teletrabalho pode ser formalizado por escrito. Além disso, se a empresa quiser voltar o teletrabalhador para o regime presencial, ela pode, mas necessita avisar o funcionário com 15 dias de antecedência”.

A Unimed é uma das empresas rio-pretenses que aderiram ao home office permanente. Lá, 700 funcionários trabalham no modelo híbrido, ou seja, três dias em casa e dois na empresa. “São dois dias para não perdermos o contato com o funcionário e até para realizamos uma interação entre as equipes”, destacou Marim.

Thais Cristina Trivizan é uma das funcionárias que está atuando na nova modalidade de trabalho. “Nunca tinha trabalhado de home office e adorei. E o modelo híbrido é melhor porque você consegue ter essa flexibilidade de escolher o seu momento. Sem contar que o trabalho de casa possibilita uma qualidade de vida melhor em termos de saúde e tempo”.

Flexibilidade, otimização do trabalho, aumento da produtividade e menos despesas para funcionários e empresas são apontados como os principais motivos para o estímulo do home office permanente. Entretanto, para outras pessoas, as dificuldades de concentração e de conciliar o trabalho em casa com filhos são apontados como pontos negativos.

Esse não é um problema para Angélica Fernanda Alves, que está trabalhando de home office. “Como mãe, facilitou para mim. Principalmente, pela facilidade de estar em casa e não precisar se deslocar correndo para resolver alguma situação em casa com o bebê”, disse a analista da Unimed Rio Preto.

Daniel Machado, gerente de operações da Mercatus Tecnologia conta que a empresa só ganha com a modalidade. Diferentemente da Unimed, a Mercatus optou por colocar 100% dos funcionários para trabalhar de casa todos os dias. “Tínhamos uma estrutura preparada para isso, inclusive, um dos nossos funcionários já trabalhava do Recife (PE). Agora, os colaboradores trabalham com notebooks locados que a própria empresa paga”.

Um deles é desenvolvedor Danilo Pereira da Costa. Ele é dos 23 funcionários da Mercatus Tecnologia que comemora a nova rotina de trabalho. “Estar em casa e conseguir conciliar seu tempo é ótimo. Fora a comodidade de poder descansar e fazer seu horário de almoço em casa, não precisando todo dia se deslocar para a empresa, enfrentando trânsito e gastando combustível”.

Regime misto é o preferido

Pesquisa feita pelo Talenses Group com a Fundação Dom Cabral (FDC) aponta que apesar da maioria das empresas ter voltado com 100% do trabalho presencial, o regime misto, com funcionários trabalhando alguns dias em casa e outros na empresa é o preferido dos funcionários.

A explicação está no fato de o profissional conseguir aproveitar os dois ambientes, otimizando seu desempenho e tempo e atuando mais motivado. “Isso também gera qualidade de vida para o trabalhador por conta da diminuição do tempo de deslocamento. Além disso, a redução de custo do aluguel, móveis, uniforme, roupas e alimentação também é vantajosa para o empregador”, pontuou Juliana Ferrari, diretora de recursos humanos da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp).

A especialista ressalta que em casa ou na empresa, é necessário que o trabalhador fique atento aos sinais de estresse. “Nosso corpo começa a dar sinais quando tem um excesso. Primeiro você apresenta um cansaço, começa a perceber aumento dos batimentos cardíacos e começa a ter dores nas costas. Isso são sinais de estresse, por isso é importante parar um pouco para se alongar durante o trabalho. E sempre lembrar que o importante não é quantidade, mas sim qualidade do trabalho”. (RC)

Órgãos públicos também

Além de empresas, setores públicos, como órgãos do judiciário continuam de home office na região de Rio Preto. É o caso do Ministério Público do Trabalho (MPT), que está parcialmente em regime de trabalho não presencial até 31 de março. “A Portaria estabelece um percentual de até 80% de servidores trabalhando em regime não presencial. Nas Procuradorias em municípios, como é o caso de São José do Rio Preto, é necessário que, pelo menos, 20% do quadro esteja presente todos os dias. A medida busca, além de preservar a integridade dos membros e servidores, manter a eficácia dos serviços presenciais de atendimento à população”, disse em nota o MPT.

O Tribunal de Justiça de São Paulo também permanece em sistema escalonado de trabalho até o próximo dia 18. A decisão da continuação ou não do home office deve sair na semana que vem. No caso, dos órgãos do MPT da região de Rio Preto, a decisão sobre manter um percentual de teletrabalho ou se haverá o retorno presencial em sua totalidade ocorrerá no fim de março. (RC)

Saiba mais

O que é teletrabalho?

Embora a legislação não especifique, podemos destacar que existem diversas classificações para o teletrabalho, como segue:

Trabalho em domicílio – quando o trabalho é realizado no domicílio do trabalhador; como é o caso do home office

Trabalho em telecentro – quando o trabalho é realizado em escritórios ou locais compartilhados por empresas, que podem ser próximos
às residências dos trabalhadores ou de clientes

Trabalho móvel – quando não existe um local fixo para a realização do trabalho

Minha empresa pode aderir ao home office?

Sim. Hoje em dia, graças à Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), aderir ao home office é muito simples. Basta que empregador e empregado, em comum acordo, estipulem a opção pela modalidade na contratação, registrando-a no contrato de trabalho. Isso também pode ser feito com os empregados que, atualmente, desempenham atividades presenciais, por meio de um aditivo ao contrato

Como funciona a contratação?

A contratação na modalidade teletrabalho se dará de forma semelhante ao contrato de trabalho tradicional em vários aspectos. A forma de contratação, por exemplo, pode ser por prazo determinado ou indeterminado, mediante contrato escrito que preveja cláusula para o teletrabalho, podendo contemplar período de experiência, jornada de trabalho, entre outras características.

Vantagens do teletrabalho

Na prática, ao aderir ao teletrabalho, empresas e empregados notam a redução de diversos custos

Os trabalhadores, por exemplo, economizam com transporte, alimentação e vestuário, além de poder usufruir do tempo que gastariam em deslocamento em atividades de lazer

No caso das empresas, o trabalho remoto contribui para reduzir custos como os de energia e aluguel, haja vista a possibilidade de locar um espaço menor para exercer as atividades presenciais. Como a modalidade também é benéfica aos empregados, torna-se um mecanismo valioso para atração e retenção dos profissionais mais eficientes

Fontes - Fecomercio-SP e reportagem

 
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