SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
VALORIZAÇÃO DO REAL

Dólar registra recuo de 7,9% frente ao real em janeiro

Depois de acumular alta em 2021, o dólar vive momento de desvalorização frente ao Real, com queda de 7,9% desde janeiro; razão é maior oferta da moeda norte-americana no Brasil

Felipe Nunes
Publicado em 15/02/2022 às 21:45Atualizado em 15/02/2022 às 21:49
 (Reprodução/Pixabay)

(Reprodução/Pixabay)

Após um ano marcado por grande pressão da moeda americana, o dólar começou 2022 em queda e atingiu o menor nível dos últimos cinco meses. No ano passado, os brasileiros assistiram a uma escalada no preço do dólar comercial, que registrou alta de 7,47% no acumulado de 2021, segundo dados do Banco Central (BC) do Brasil. O alívio, no entanto, começou a ser observado já na primeira semana de janeiro.

Em seis semanas, a queda ou desvalorização do dólar é de 7,9%, baixando de R$ 5,66 no dia três de janeiro para R$ 5,21 nesta segunda-feira, 14. Segundo especialistas, o recuo na cotação da moeda americana frente ao Real ocorre por conta da oferta e procura. Com mais moeda entrando no País, a pressão sobre o preço baixa.

Existem dois caminhos para a entrada da moeda estrangeira no País. O primeiro deles é por meio das exportações de commodities, como grãos, petróleo e minério. Já o segundo ponto está relacionado ao aumento dos investimentos estrangeiros no país, como consequência da alta de juros.

“A taxa Selic está alta, quase em 11%, o que ajuda a atrair mais investimentos e evita a saída de moeda”, explica o economista José Mauro Silva. “Ou seja, não é vantajoso para o investidor retirar dinheiro do País. Consequentemente, com menos dólar saindo, a taxa de câmbio cai”, destaca.

Ainda segundo o BC, a elevação da taxa básica de juros tem como objetivo controlar a inflação – índice que em janeiro acumulou alta de 10,38% no acumulado dos últimos 12 meses. Segundo a mais recente pesquisa semanal Focus, do Banco Central, a projeção é de que a Selic encerre este ano em 12,25%.

Para o economista Hipólito Martins Filho, a queda também pode estar atrelada a questões políticas internacionais, como a ameaça de uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que tem força para destabilizar todo o mercado internacional. “Há uma instabilidade em nível mundial que afeta diretamente a cotação da moeda. O dólar é um termômetro da economia internacional, os preços variam a partir da variação dessa moeda”, reforça.

(Colaboraram Liza Mirella e Lucas Amancio)

Mercado externo

Para quem atua com mercado externo, as oscilações para baixo na cotação do dólar ainda têm pouco efeito. Quem sai beneficiado, num primeiro momento, são os importadores, que vão fazer certa economia na hora de pagar pelas mercadorias compradas lá fora. “Para quem importou há dois meses e hoje a mercadoria está no porto há uma pequena redução nos custos, ou seja, o produto importado fica um pouco mais barato”, afirmou o despachante aduaneiro Marcio Marcassa Júnior, da Rioport.

Segundo o despachante Paulo Narcizo Rodrigues, da Caribbean Express, a previsão é de que o dólar em baixa estimule ainda mais as importações em Rio Preto. Ele mesmo já começou a receber contatos de interessados. “Vai aumentar as importações não apenas de quem já está na área, mas de quem está querendo entrar nesse mercado”.

Para quem exporta, entretanto, as perdas ocorrem imediatamente no momento da venda do produto fabricado no Brasil, já que o vendedor recebe menos pelo produto exportado, e o reflexo positivo na redução do custo dos insumos importados utilizados na produção leva um tempo para ocorrer.

De acordo com Marcassa Júnior, o prejuízo não chega a ser impactante já que as operações são protegidas, por meio de hegde ou alguma “gordura”. “A tendência é de que que o dólar continue em queda, até pela guerra na Ucrânia e situação de outros países. O Brasil se torna atrativo para o investidor estrangeiro colocar dinheiro e o dólar cai pela oferta. Minha expectativa é de que fique entre R$ 4,80 e R$ 5,60, patamar bom para todos”, disse.

Moeda difícil de prever

Apesar de ser um índice de difícil previsibilidade, a tendência é de manutenção na queda do dólar, afirma Paulo Roberto Feldmann, economista e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Ele aponta que a queda na moeda resulta em controle da inflação, o que consequentemente causa uma menor pressão sobre os preços. “Isso é bom porque o custo de vida não vai subir tanto”, destaca.

Apesar da curva descende, o consumidor ainda levará um tempo para sentir essa redução no bolso. Isso porque os primeiros produtos que devem começar a ficar mais baratos são os importados, como bebidas, computadores, celulares e medicamentos. “Para os brasileiros mais ricos, outro benefício é a retomada das viagens internacionais, aproveitando que o Real está mais forte, e pelo fim da pandemia”, disse. Vale destacar que nesta segunda-feira, 14, o dólar turismo fechou em R$ 5,370.

O economista José Mauro da Silva argumenta que a diminuição na cotação do dólar é um dos objetivos do governo federal em 2022. “Até porque, no segundo semestre teremos eleições, e a tendência é que o dólar volte a crescer por conta das instabilidades eleitorais”.

Com menor pressão sobre o preço da moeda, o setor mais beneficiado será o de alimentos, devido ao barateamento das commodities que são cotadas pela moeda americana. “Isso fará com que o consumidor seja também beneficiado”, destaca o economista Hipólito Martins Filho.

“Acredito que um dólar competitivo, que seja bom para o mercado interno e para o externo seria em próximo a R$ 4,20”, finaliza Silva.

 
Grupo Diário da Região.© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por