SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
RENTABILIDADE EM FOCO

Com a taxa Selic em alta, confira os investimentos mais rentáveis

Em tempos de taxa de juros e inflação em alta no Brasil, os investimentos em títulos do tesouro e modalidades pré-fixadas ganham força para quem quer fazer o dinheiro render

Lucas Israel
Publicado em 21/06/2022 às 00:18Atualizado em 21/06/2022 às 09:10
'Enquanto o Banco Central não parar de aumentar os juros, significa que a inflação ainda não parou. O remédio, remedia. Não corta a causa e seus efeitos'
Filipe Marchesoni, CEO da Ágia Investimentos (Reprodução/Arquivo Pessoal)

'Enquanto o Banco Central não parar de aumentar os juros, significa que a inflação ainda não parou. O remédio, remedia. Não corta a causa e seus efeitos' Filipe Marchesoni, CEO da Ágia Investimentos (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros - a Selic - para 13,25% ao ano, patamar mais alto desde novembro de 2016. Desde então, quem tem dinheiro investido segue quebrando a cabeça para encontrar um rendimento mais amigável, com rentabilidade superior, seja na renda fixa ou na renda variável. O consenso é que a poupança continua não valendo a pena.

A medida do Banco Central tem um objetivo simples e claro: frear a inflação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está em 11,73% no acumulado dos últimos 12 meses. Com a taxa de juros mais alta, o crediário e os empréstimos ficam mais caros, reduzindo o consumo. Com menos consumo, as empresas têm menos espaço para repassar aumentos de custos.

“Enquanto o Banco Central não parar de aumentar os juros, significa que a inflação ainda não parou. O remédio, remedia. Não corta a causa e seus efeitos. O brasileiro, em geral, não tem educação financeira. O brasileiro gosta de um por cento ao mês, e esse um por cento ao mês voltou”, diz o CEO da Ágia Investimentos, de Rio Preto, Filipe Marchesoni, ao se referir à taxa anual da Selic, de 13,25%, o que rende 1,1% ao mês, em média.

Como efeito dominó, isso faz com que a poupança não desperte o interesse do investidor que passa a olhar para outros fundos, como o Tesouro Direto, os CDBs, Debêntures, CRA, CRI, LCA, LCI, entre outros, atrelados à Selic e que têm rendimento superior a 1% ao mês no patamar atual da taxa. Ou seja, rendimentos maiores que os da poupança.

Isso porque quando o governo alterou as regras da poupança, em 2012, ela passou a ter um gatilho: quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, a poupança rende um teto de 0,5% ao mês mais a taxa referencial - taxa calculada diariamente, também pelo governo, e que tem como base as taxas cobradas pelas 20 maiores instituições financeiras do país.

“A poupança tem uma composição que faz com que ela perca o rendimento frente aos problemas da nossa economia, como a inflação. Ela não consegue dar uma rentabilidade tão grande. Além do mais, o dinheiro precisa sempre estar à disposição e com isso, o dinheiro acaba rendendo menos do que, por exemplo, um título que vá segurar o dinheiro parado de dois a três anos, por exemplo”, afirma o economista Bruno Sbrogio.

Para fugir dos baixos rendimentos, quem investe precisa ter em mente que com a taxa de juros mais alta, os títulos do governo estão remunerando mais. Ou seja: o custo do dinheiro está mais alto, mas para quem investe, as ações podem remunerar mais. Para isso, no entanto, é necessário entender o perfil do investidor. “Existem várias formas de estruturar uma carteira de renda fixa que garanta retornos acima da poupança. O ponto mais importante é entender o objetivo do investidor, se é uma carteira que prioriza segurança, rentabilidade, visão de longo prazo ou recorrência de dividendos mensais”, afirma Carla Macriani, sócia e assessora de investimentos da Blue3.

Só que o ponto crucial, segundo os especialistas, é diversificar a carteira de investimentos. “O importante é não manter todo o dinheiro alocado em um tipo de investimento só. Você pode ter dinheiro aplicado em renda fixa de longo prazo, mas também em outros investimentos, como fundos imobiliários, agrícolas, ou mesmo em ações na bolsa”, explica André Yano, assessor da WIT Invest.

Carteira diversificada

Outro fator em que os investidores - sobretudo aqueles que têm um perfil mais arrojado - precisam se atentar é ao valor do dólar. A moeda estrangeira voltou a se valorizar ante o Real depois que o FED (Banco Central dos EUA) decidiu aumentar a taxa de juros para 0,75% ao ano, também para conter a inflação, que está no patamar mais alto desde 1994.

Um dos fatores para o dólar se fortalecer é através do fluxo de entrada ou saída do país. Como os Estados Unidos tentam conter a inflação por meio da alta da taxa de juros, o fluxo de entrada da moeda americana no Brasil tende a reduzir porque os investimentos nos EUA se tornam mais atrativos. Com isso, o dólar se fortalece. Se o movimento for o oposto, ou seja, de baixa nos juros lá fora, a tendência é que haja um aumento do fluxo de moeda estrangeira no Brasil.

“O custo do dólar vai aumentar no mundo todo, e pode ser que isso seja interessante para o investidor. Todo investidor foge da instabilidade e se os títulos americanos pagarem mais, isso faz com que o dólar volte para os EUA”, afirma o economista Bruno Sbrogio.

Com isso, o movimento dos investidores também é afetado. Aqueles que investem na moeda americana aqui no Brasil passam a olhar para renda fixa com olhos mais amigáveis. “Está saindo o dinheiro da bolsa pra ir pra renda fixa. E esse fluxo afeta um pouco a bolsa. Mas os estrangeiros vão e voltam na bolsa, mas o importante é não colocar todos os ovos na mesma cesta. Você pode investir um pouco no dólar, um pouco em renda variável e a maior parte em renda fixa. Tudo depende do perfil”, afirma Filipe Marchesoni, CEO da Ágia Investimentos. (LI)

Títulos pré-fixados

Com a taxa Selic em alta, os títulos pré-fixados passam a ser uma alternativa interessante desde que o investidor espere um recuo da taxa básica de juros nos próximos meses. Isso porque os pré-fixados, além da própria taxa Selic, têm um rendimento já fixado, fazendo com que possa se tornar rentável.

Só que alguns cuidados são necessários. Isso porque em caso de uma mudança da taxa básica de juros, o investidor pode perder dinheiro. “Nos pré-fixados, os juros já são definidos de entrada. Isso compensa uma curva de juros futuros. Quando você vê uma tendência de queda dos juros em um ano, ou mais. O investidor enxerga uma tendência quando percebe que os juros estão no auge, e que estamos próximos de uma inflexão, ou seja, uma inversão ou arrefecimento do movimento de alta”, explica o economista Bruno Sbrogio.

“Acreditamos que a taxa de juros vai subir, ainda, mais 0,5%. Por isso, os pré-fixados são interessantes neste momento porque há o entendimento de que estamos chegando no pico e esse juro pré-fixado pode render bons dividendos” afirma o assessor Andre Yano, da WIT Invest.

O ideal, ainda, é manter o dinheiro aplicado até o prazo final do título, para evitar perdas e, assim, garantir os ganhos integrais. “Devemos buscar a diversificação entre ativos atrelados a inflação, pré ou pós fixados, de forma a estar preparado para todos os possíveis cenários. A diversificação de emissores também é um ponto fundamental”, diz Carla Macriani, sócia e assessora de investimentos da Blue3. (LI)

'O importante é não manter todo o dinheiro alocado em um tipo de investimento só. Você pode ter dinheiro aplicado em renda fixa, mas também em outros investimentos' André Yano, assessor da WIT Invest (Reprodução/Arquivo Pessoal)

'Existem várias formas de estruturar uma carteira de renda fixa que garanta retornos acima da poupança' Carla Macriani, sócia e assessora de investimentos da Blue3 (Reprodução/Arquivo Pessoal)

 
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