Praga agressiva é encontrada em plantação de soja de Mirassol
Caruru-gigante é uma erva daninha que se espalha rapidamente na lavoura e compromete a produção; no estado de São Paulo não havia registro da planta invasora

Uma lavoura de soja, cultivada em área de 58 hectares, em um sítio de Mirassol foi interditada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta semana após a identificação de um foco da praga quarentenária Amaranthus palmeri, conhecida como caruru-palmeri ou caruru-gigante. Apesar de presente no Brasil, a praga estava restrita a algumas propriedades nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A identificação da praga foi feita após uma fiscalização de técnicos da Defesa Agropecuária da regional de Rio Preto, que enviaram a planta para ser analisada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiás (LFDA-GO). Nesta semana, o Mapa confirmou a detecção da planta invasora caruru-gigante e a propriedade, localizada entre os municípios de Mirassol e Bálsamo precisou ser interditada para as medidas preventivas do local.
De acordo com Marileia Regina Ferreira, chefe do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, todo o entorno da propriedade em Mirassol está sendo monitorado pelos técnicos, já que a praga se espalha rapidamente.
“Por se tratar de uma emergência sanitária, de uma planta agressiva que pode comprometer 70% da plantação de grãos, a interdição é necessária para conter a praga. Essa erva daninha, conhecida como caruru-gigante é extremamente competitiva, se reproduz rapidamente e compete com a soja”, explica Marileia.
Arranquio e incineração
De controle difícil, a planta invasora é muito resistente ao tratamento com herbicidas e, segundo a chefe do Programa, a capacidade de disseminação é muito alta. “Maquinários, como colheitadeiras, implementos agrícolas, calçados usados na propriedade, além de veículos que circularam na propriedade podem levar as sementes do caruru-gigante, e por isso foi feita a interdição da propriedade”.
Ela explicou ainda que no local da plantação será feito o arranquio das plantas, que também serão incineradas. “Todo equipamento, veículo, maquinário não pode sair da propriedade onde foi encontrado o foco, assim como também não pode entrar nenhum equipamento no local”, pontuou.
Marileia diz ainda que apenas uma planta do caruru-gigante pode produzir até 1 mil sementes, causando a preocupação por parte dos profissionais e dos produtores que não conseguem o controle da praga, já que essas sementes se espalham com facilidade, como, por exemplo, durante a colheita da soja.
Os profissionais da Coordenadoria da Defesa Agropecuária ainda não sabem como a planta invasora chegou até a plantação de soja da região de Rio Preto, mas Marileia conta que a propriedade fica muito próxima à rodovia, o que pode facilitar que algum veículo que tenha sementes nos pneus, espalhe a praga na lavoura.
Produtores em alerta
Espécies do gênero Amaranthus, conhecidas popularmente como caruru são encontradas em áreas de produção de grãos em todo o mundo. No Brasil, a identificação da praga foi feita em 2015, causando grande preocupação aos agricultores por se tratar de uma planta exótica extremamente agressiva e com alto potencial de reduzir a produtividade de soja, milho, algodão ou qualquer outra cultura que conviva com a praga. Para produtores da região, a detecção da planta na região Noroeste traz o alerta para elevar o manejo das áreas de soja.
“Normalmente a gente conhece o caruru, esse mais comum, sendo até comestível. A gente conviveu sempre com esse erva daninha e sempre ouvíamos falar que esse caruru crescia em terra fértil. Mas esse tipo, do caruru-gigante ainda não tinha ouvido falar”, conta o produtor de soja de Orindiúva, José Luiz da Costa.
A maior preocupação dos produtores da oleaginosa é com a ferrugem-asiática da soja, uma doença que pode atingir 90% da plantação, sendo considerada a mais severa a atacar a cultura. “A gente faz todo o manejo para a ferrugem, não temos problema algum por aqui. Agora é ficar em alerta com essa espécie de caruru”, diz o produtor.
Nas plantações de soja de Reginaldo Massuia, o ataque de ervas daninhas até o momento, são de pé-de-galinha e amargoso, que também estão dando trabalho para o produtor combater. Porém, ele conta que investiu em defensivos e consegue controlar essas plantas invasoras.
“Tem um percevejo que encontramos aqui que é muito grande, e preocupa também. Mas o caruru-gigante, a gente sabe que tem no Mato Grosso do Sul, sendo que muitas entregas de insumos para as nossas áreas vêm desse estado, por isso é possível espalhar esse caruru-gigante na nossa região”, afirmou Reginaldo.
Reunião
Profissionais da Defesa Agropecuária estarão reunidos hoje, quarta-feira, 11, com representantes de revendas de produtos agropecuários para orientar sobre a detecção do caruru-gigante em plantação de soja da propriedade localizada em Mirassol. A reunião será no Escritório Regional de Governo — Defesa Agropecuária, que fica na Avenida Floriano André Cabrera, s/n, Jardim São Marcos, em Rio Preto.
Segundo Marileia, esses profissionais também podem notificar a área com a presença de alguma praga. “Por lei, todos que trabalham no setor do agronegócio, devem informar qualquer unidade da Defesa Agropecuária do estado de São Paulo, se identificar a presença do caruru-gigante, ou de outras pragas quarentenárias”, diz a chefe do Programa.
Conforme nota no Ministério da Agricultura e Pecuária, a portaria SDA/Mapa nº 1.119, de 20 de maio de 2024, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da praga e estabeleceu medidas fitossanitárias para sua prevenção, detecção, delimitação e controle. A atuação do Mapa pretende proteger a sanidade vegetal, preservar a produção agropecuária e assegurar o cumprimento da legislação fitossanitária vigente. (CC)