Diário da Região
ALERTA

Praga agressiva é encontrada em plantação de soja de Mirassol

Caruru-gigante é uma erva daninha que se espalha rapidamente na lavoura e compromete a produção; no estado de São Paulo não havia registro da planta invasora

por Cristina Cais
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Caruru-gigante pode atingir 70% da lavoura de soja (Divulgação)
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Caruru-gigante pode atingir 70% da lavoura de soja (Divulgação)
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Uma lavoura de soja, cultivada em área de 58 hectares, em um sítio de Mirassol foi interditada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta semana após a identificação de um foco da praga quarentenária Amaranthus palmeri, conhecida como caruru-palmeri ou caruru-gigante. Apesar de presente no Brasil, a praga estava restrita a algumas propriedades nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A identificação da praga foi feita após uma fiscalização de técnicos da Defesa Agropecuária da regional de Rio Preto, que enviaram a planta para ser analisada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiás (LFDA-GO). Nesta semana, o Mapa confirmou a detecção da planta invasora caruru-gigante e a propriedade, localizada entre os municípios de Mirassol e Bálsamo precisou ser interditada para as medidas preventivas do local.

De acordo com Marileia Regina Ferreira, chefe do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, todo o entorno da propriedade em Mirassol está sendo monitorado pelos técnicos, já que a praga se espalha rapidamente.

“Por se tratar de uma emergência sanitária, de uma planta agressiva que pode comprometer 70% da plantação de grãos, a interdição é necessária para conter a praga. Essa erva daninha, conhecida como caruru-gigante é extremamente competitiva, se reproduz rapidamente e compete com a soja”, explica Marileia.

Arranquio e incineração

De controle difícil, a planta invasora é muito resistente ao tratamento com herbicidas e, segundo a chefe do Programa, a capacidade de disseminação é muito alta. “Maquinários, como colheitadeiras, implementos agrícolas, calçados usados na propriedade, além de veículos que circularam na propriedade podem levar as sementes do caruru-gigante, e por isso foi feita a interdição da propriedade”.

Ela explicou ainda que no local da plantação será feito o arranquio das plantas, que também serão incineradas. “Todo equipamento, veículo, maquinário não pode sair da propriedade onde foi encontrado o foco, assim como também não pode entrar nenhum equipamento no local”, pontuou.

Marileia diz ainda que apenas uma planta do caruru-gigante pode produzir até 1 mil sementes, causando a preocupação por parte dos profissionais e dos produtores que não conseguem o controle da praga, já que essas sementes se espalham com facilidade, como, por exemplo, durante a colheita da soja.

Os profissionais da Coordenadoria da Defesa Agropecuária ainda não sabem como a planta invasora chegou até a plantação de soja da região de Rio Preto, mas Marileia conta que a propriedade fica muito próxima à rodovia, o que pode facilitar que algum veículo que tenha sementes nos pneus, espalhe a praga na lavoura.

Produtores em alerta

Espécies do gênero Amaranthus, conhecidas popularmente como caruru são encontradas em áreas de produção de grãos em todo o mundo. No Brasil, a identificação da praga foi feita em 2015, causando grande preocupação aos agricultores por se tratar de uma planta exótica extremamente agressiva e com alto potencial de reduzir a produtividade de soja, milho, algodão ou qualquer outra cultura que conviva com a praga. Para produtores da região, a detecção da planta na região Noroeste traz o alerta para elevar o manejo das áreas de soja.

“Normalmente a gente conhece o caruru, esse mais comum, sendo até comestível. A gente conviveu sempre com esse erva daninha e sempre ouvíamos falar que esse caruru crescia em terra fértil. Mas esse tipo, do caruru-gigante ainda não tinha ouvido falar”, conta o produtor de soja de Orindiúva, José Luiz da Costa.

A maior preocupação dos produtores da oleaginosa é com a ferrugem-asiática da soja, uma doença que pode atingir 90% da plantação, sendo considerada a mais severa a atacar a cultura. “A gente faz todo o manejo para a ferrugem, não temos problema algum por aqui. Agora é ficar em alerta com essa espécie de caruru”, diz o produtor.

Nas plantações de soja de Reginaldo Massuia, o ataque de ervas daninhas até o momento, são de pé-de-galinha e amargoso, que também estão dando trabalho para o produtor combater. Porém, ele conta que investiu em defensivos e consegue controlar essas plantas invasoras.

“Tem um percevejo que encontramos aqui que é muito grande, e preocupa também. Mas o caruru-gigante, a gente sabe que tem no Mato Grosso do Sul, sendo que muitas entregas de insumos para as nossas áreas vêm desse estado, por isso é possível espalhar esse caruru-gigante na nossa região”, afirmou Reginaldo.

Reunião

Profissionais da Defesa Agropecuária estarão reunidos hoje, quarta-feira, 11, com representantes de revendas de produtos agropecuários para orientar sobre a detecção do caruru-gigante em plantação de soja da propriedade localizada em Mirassol. A reunião será no Escritório Regional de Governo — Defesa Agropecuária, que fica na Avenida Floriano André Cabrera, s/n, Jardim São Marcos, em Rio Preto.

Segundo Marileia, esses profissionais também podem notificar a área com a presença de alguma praga. “Por lei, todos que trabalham no setor do agronegócio, devem informar qualquer unidade da Defesa Agropecuária do estado de São Paulo, se identificar a presença do caruru-gigante, ou de outras pragas quarentenárias”, diz a chefe do Programa.

Conforme nota no Ministério da Agricultura e Pecuária, a portaria SDA/Mapa nº 1.119, de 20 de maio de 2024, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da praga e estabeleceu medidas fitossanitárias para sua prevenção, detecção, delimitação e controle. A atuação do Mapa pretende proteger a sanidade vegetal, preservar a produção agropecuária e assegurar o cumprimento da legislação fitossanitária vigente. (CC)