SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 21 DE MAIO DE 2022
REDUÇÃO

IPCA-15, prévia da inflação, desacelera em janeiro

Para especialistas, redução reflete uma queda pontual no preço da gasolina

Agência Estado
Publicado em 26/01/2022 às 23:36Atualizado em 27/01/2022 às 09:10
Combo de telefonia saiu de variação nula, em dezembro, para alta de 3,04% em janeiro (Divulgação/Agência Brasil)

Combo de telefonia saiu de variação nula, em dezembro, para alta de 3,04% em janeiro (Divulgação/Agência Brasil)

A inflação começou o ano com alta de 0,58% no IPCA-15, prévia do indicador oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abaixo da alta de dezembro (0,78%), especialmente por que a gasolina e as passagens aéreas baratearam. O alívio já era esperado, mas, tido como pontual, foi menor do que se supunha, com reajustes de vários preços para além de gasolina e bilhetes de avião. A pesquisa do Projeções Broadcast com analistas apontava para uma alta ainda menor, de 0,45%.

Segundo economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, os números mostram inflação disseminada e pressionada e mantêm a perspectiva de continuidade na estratégia do Banco Central (BC) de subir os juros – a taxa básica Selic chegou, em dezembro, a 9,25% ao ano, saindo de 2,0% ao ano, em março de 2021.

"O dado surpreendeu negativamente, a composição segue desfavorável e as surpresas negativas foram principalmente os serviços, com aluguel residencial, aluguel de veículo e combo de telefonia”, disse o economista João Savignon, da gestora de recursos Kínitro Capital.

Os preços dos serviços citados por Savignon aceleraram na passagem do IPCA-15 de dezembro para o de janeiro. O aluguel residencial foi de uma alta de 0,82% para 1,55%, o aluguel de veículo passou de -2,43% para 12,94% e combo de telefonia saiu de variação nula para alta de 3,04%. Outro serviço importante, a alimentação fora de casa, passou de ligeira alta de 0,08% no IPCA-15 de dezembro para um avanço de 0,81% em janeiro.

Os preços dos alimentos pressionaram também no consumo doméstico, para além de bares, restaurantes e lanchonetes. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,97% no IPCA-15 de janeiro, taxa quase três vezes maior do que a registrada em dezembro (0,35%). Sozinho, o grupo contribuiu com 0,20 ponto porcentual (p.p.) na variação agregada do índice. Segundo o IBGE, os itens de maior impacto na inflação de alimentos foram a cebola (alta de 17,09%), as frutas (7,10%), o café moído (6,50%) e as carnes (1,15%)

Para a economista-chefe da corretora Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, essa aceleração na inflação de alimentos também preocupa. “A gente já viu uma leitura preocupante de preços agropecuários nos IGPs (índices calculados pra Fundação Getulio Vargas, que incluem preços no atacado), e temos notícias de que a safra de grãos no Sul pode frustrar até 50% do que foi projetado”, disse Abdelmalack, numa referência aos efeitos da estiagem e do calor na produção agropecuária na região Sul.

Após ser a vilã da inflação em 2021, a gasolina ficou 1,78% mais barata no IPCA-15 deste mês. Sozinha, a gasolina teve impacto negativo de 0,12 ponto porcentual (p.p.) na variação agregada do índice. Outros combustíveis também ficaram mais baratos. O etanol recuou 3,89% na leitura de janeiro do IPCA-15, enquanto o gás natural veicular recuou 0,26%.

 
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