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IPCA fica em 0,07% e vai para baixo do teto da meta

Apesar da desaceleração, o número de julho ficou acima do esperado pelo mercado. A projeção apontava uma expectativa de IPCA de 0,03% no mês; para o acumulado em 12 meses, a projeção era de 4,4%

por Agência Estado
Publicado em 11/08/2026 às 20:26Atualizado em 11/08/2026 às 20:26
O grupo Alimentação e Bebidas, por sua vez, ficou negativo em 0,67% e puxou o indicador de inflação para baixo (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
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O grupo Alimentação e Bebidas, por sua vez, ficou negativo em 0,67% e puxou o indicador de inflação para baixo (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação no Brasil, ficou em 0,07% em julho, uma queda de 0,09 ponto percentual em relação ao 0,16% registrado em junho. Essa foi a menor taxa para o mês desde 2022, quando houve deflação de 0,68%, de acordo com o IBGE. No ano, o IPCA acumula alta de 3,44% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% dos 12 meses imediatamente anteriores — e também abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.

Apesar da desaceleração, o número de julho ficou acima do esperado pelo mercado. A projeção apontava uma expectativa de IPCA de 0,03% no mês. Para o acumulado em 12 meses, a projeção era de 4,4%.

Segundo o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, o resultado de julho refletiu uma combinação de quedas em itens relevantes e pressão concentrada em energia. “A composição desse 0,07% teve redução de alimentos, combustíveis e alta da energia elétrica por conta de reajustes que puxaram o indicador”, disse.

De acordo com os dados do IBGE, o grupo Habitação acelerou de junho (0,63%) para julho (0,99%), puxado pela alta da energia elétrica residencial, que saiu de 1,53% para 3,09%. Esse foi o principal impacto individual no mês na inflação (0,13 ponto percentual). “Esse resultado contempla os seguintes reajustes tarifários: 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (7,55%), a partir de 04 de julho; 14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (0,32%), a partir de 19 de junho; e 19,55% em Curitiba (12,15%), vigente desde 24 de junho”, informa o IBGE.

O grupo Alimentação e Bebidas, por sua vez, ficou negativo em 0,67%, por influência da alimentação no domicílio (-1,14%). “As principais quedas foram no tomate (-29,09%), principal impacto negativo (-0,10 p.p.) no resultado do mês, batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). No lado das altas, destaque para leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%). A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche saindo de 0,13% para 0,76%, e a refeição de 0,15% para 0,42%, no mesmo período”, diz a nota do IBGE.

Ainda segundo o instituto, no grupo Saúde e Cuidados Pessoais, que teve alta de 0,4%, “sobressaem os artigos de higiene pessoal (0,64%), com destaque para perfume (1,04%), e o plano de saúde (0,42%), cuja variação reflete os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e cujo ciclo se encerra em abril de 2027. Para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, a depender do plano”.

Os preços de alimentos representaram a principal surpresa para cima no IPCA de julho, ao caírem menos do que o esperado, na avaliação do economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano. “A alimentação caiu menos do que o esperado nesta divulgação, o que explica boa parte da diferença entre a expectativa e o resultado efetivo”, afirma. O economista chama atenção para a devolução dos preços de produtos in natura. “Caíram muito e voltam a acelerar de forma mais rápida”, diz.

A composição do indicador foi “relativamente em linha” com o previsto, com melhora dos núcleos de inflação, por exemplo. Em contrapartida, segundo ele, os serviços subjacentes vieram mais elevados, na margem (0,42%), por influência da alimentação fora do domicílio.

“No fim, é um IPCA que não tem nada muito especial. Não vai mudar a percepção dos agentes econômicos e afetar a decisão do Banco Central”, ressalta Serrano, que prevê alta de 5,1% para o índice no ano.

OS ITENS QUE MAIS SUBIRAM

Manga 14,74

Passagem aérea 11,67

Limão 10,59

Melancia 7,78

Cebola 7,74

Morango 7,13

Mamão 6,16

Banana-da-terra 5,49

Pimentão 5,15

Pintura de veículo 4,30

ITENS QUE MAIS CAÍRAM

Pepino -33,42

Tomate -29,09

Batata-inglesa -19,59

Cenoura -14,41

Açaí (emulsão) -13,32

Abobrinha -10,49

Laranja-lima -10,41

Couve-flor -9,64

Peixe-filhote -6,50

Peixe-peroá -5,73