Haddad defende juros abaixo de 10%
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o Brasil tem que ter uma taxa básica de juros de um dígito e não voltar mais a ter uma taxa de dois dígitos, como a atual. Ele discursou nesta sexta-feira, 6, em reunião do diretório nacional do PT, em Salvador (BA), e depois começou a responder perguntas de militantes do partido e convidados.
“Sei que o Banco Central é o dono. Digo ao meu companheiro, que foi advogado, trabalhou comigo, chegou lá pela mão do presidente Lula. Digo que acho que a taxa de juros está restritiva num patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal”, iniciou Haddad, ao ser provocado sobre o assunto, fazendo referência ao atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo. “A partir do momento que a economia começar a desacelerar demais, você vai ter um repartimento na política fiscal”, prosseguiu.
Para o ministro, no trabalho de política monetária, é preciso buscar “o traçado certo”. “Obviamente que conheço os constrangimentos pelos quais o Banco Central passa. Mas é por isso que a sinalização feita no último Copom é de que essa trajetória de corte vai acontecer consistentemente. Quem está lá naquela cadeira sabe onde está apertando o calo”, completou.
Na sequência, ele lembrou que tem dito desde 2025 que achava que já era a hora de “começar a pensar numa trajetória consistente para não voltar mais”. “Nós temos que ir para um juro de um dígito e nunca mais pensar em juros de dois dígitos no Brasil”.
Haddad disse haver instrumentos para fazer com que a economia tenha um crescimento mínimo garantido “mesmo com essa taxa”. “O ano passado, com tudo o que aconteceu, nós devemos ter crescido entre 2,2% e 2,4%, mantendo a média de 3%, que era o que eu pretendia quando apresentei para o Lula o plano de governo. Eu falei, nós vamos crescer 3% em média. Acho que é o dobro da média de crescimento nos últimos oito anos. E aí, depois, a gente pode pensar em mais.”