DOCE COMO CHOCOLATE
De grandes redes de supermercados a quem faz doce em casa, de forma autônoma, a Páscoa e seus chocolates são a aposta da vez para lucrar

Mal passou o Carnaval e as gôndolas dos supermercados já enchem os olhos. Com preços a partir de R$ 50, os ovos de Páscoa são a aposta da vez — e o varejo investe na data não apenas com chocolate, mas também com azeites, pescados, colombas e vinhos, que fazem sucesso nesta época. Não são apenas os grandes nomes, no entanto, que se beneficiam da Páscoa. Confeiteiras autônomas também têm na data o melhor faturamento do ano. O apelo emocional é uma oportunidade para alavancar rendimentos e fidelizar clientes.
Não há, ainda, uma estimativa oficial em relação ao crescimento das vendas. A rede Amigão Supermercados estima que os ovos tenham alta de 16% no volume — para isso, aposta em produtos de seis indústrias do setor.
Outra rede que investe na data é o Muffato. Os ovos e produtos típicos da Páscoa podem ser parcelados em seis vezes sem juros em qualquer cartão de crédito e em até dez vezes no cartão próprio da marca.
ARTESANAIS
Carol Tinarelli, do Ateliê Delícias da Ca, prepara os doces para a Páscoa pela segunda vez. A primeira experiência serviu para aprimorar a organização da produção, o controle de custos e o atendimento, melhorando os processos. “Essa costuma ser a data mais forte para a confeitaria, principalmente para quem trabalha com chocolate. É um período estratégico, com maior ticket médio e grande procura por presentes personalizados”, afirma.
Segundo ela, o faturamento pode aumentar em até três vezes em relação a um mês comum. “Os produtos que mais saem costumam ser os ovos recheados e os ovos de colher, por terem maior valor agregado e apelo visual. Mas as novidades deste ano são biscoitos glaceados com tema de coelho, cenoura e ovos; ovo table e ovo no pote. Lembrancinhas também têm ótima saída, principalmente como opção de presente mais acessível”, descreve.
Maria Cecília Piccarelli de Castro, conhecida como Ciça, faz ovos de Páscoa há 15 anos e já completou bodas de prata com a confeitaria. Seu trabalho também tem viés solidário. “Os produtos que mais saem são ovos tradicionais, até porque trabalho com pessoas que ajudam instituições, então faço um preço mais acessível para colaborar. E também saem os miniovos de colher”, conta.
Ciça comenta que o faturamento chega a aumentar 200% nesta época. “Além do lucro, é o prazer de adoçar e alegrar tantas vidas, ver o sorriso das crianças ao ganharem um ovo”, garante.
Planejamento
Elton Eustáquio Casagrande, professor de Economia da Faculdade de Ciências e Letras (FCLAr) da Unesp, em Araraquara, pontua que as atividades econômicas são intensificadas pelas datas comemorativas. “São períodos em que se intensifica a intenção de consumo e os gastos se direcionam para itens além daqueles de sobrevivência ou recorrentes.”
O professor e economista Ary Ramos ressalta a importância de o empreendedor que trabalha por conta própria se profissionalizar e entender o que o mercado pede. As redes sociais podem ser importantes aliadas na divulgação desse trabalho. “É fundamental se antecipar às demandas, criar produtos novos. Temos vários instrumentos para mostrar tudo aquilo que a pessoa está produzindo. É a entrega de um produto de qualidade. Tudo isso faz com que os empreendedores ganhem espaço.”