Guerra no Irã faz o preço do diesel e da gasolina disparar em Rio Preto
Confronto entre Irã, Israel e Estados Unidos pressiona preço dos combustíveis em Rio Preto; preço do litro da gasolina comum gira em torno de R$ 6,39 por litro, enquanto o diesel está próximo de R$ 7,49

O conflito entre Estados Unidos e Irã levou a um novo baque no bolso do rio-pretense: a alta em cascata no preço dos combustíveis. Em Rio Preto, o preço da gasolina comum gira em torno de R$ 6,39 por litro, enquanto o diesel está próximo de R$ 7,49, conforme levantamento feito pelo Diário em postos da cidade.
Para efeito de comparação, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina comum em Rio Preto estava em R$ 6,14 na última semana, indicando alta de cerca de 4%.
Já o diesel S-500, que estava em R$ 5,97, subiu para R$ 7,49 — alta de aproximadamente 25%. O diesel S-10 passou de R$ 5,98 para R$ 7,39, aumento de 23,5%.
A principal diferença entre os dois tipos de diesel está na quantidade de enxofre. O S-10 é mais limpo e indicado para motores mais modernos, fabricados a partir de 2012. Já o S-500 é voltado para motores mais antigos e gera maior nível de carbonização.
Efeito cascata
O primeiro combustível a sentir o impacto foi o óleo diesel. Isso ocorreu porque o valor do barril do petróleo Brent quase dobrou. Antes da eclosão do conflito, o barril era negociado em torno de US$ 65. Após a ação militar dos Estados Unidos no Irã, chegou a atingir US$ 120 no mercado internacional, encerrando o período em cerca de US$ 98.
“Com isso, o abastecimento do mundo todo fica comprometido. Enquanto perdurar esse conflito, será um problema e não há muito o que fazer”, afirma Roberto Uehara, presidente-regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Sincopetro) na região de Rio Preto. “As distribuidoras estão praticamente sem o produto e as que têm estão racionando. Você quer comprar 10 mil litros e não consegue; eles enviam menos para atender a todos. Isso pode comprometer a atividade econômica porque o Brasil depende principalmente do transporte rodoviário e ferroviário, ambos movidos a diesel", diz.
Além dos derivados do petróleo, o preço do etanol também subiu e está até 8,4% mais elevado nesta semana. O efeito cascata ocorre principalmente no custo do transporte. No Brasil, tanto o etanol quanto a gasolina são transportados por caminhões e trens — meios que utilizam o diesel como combustível.
No início do ano, o preço nas bombas já havia sido pressionado pelo reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Por outro lado, a demanda das distribuidoras também está acima da capacidade de atendimento do mercado. Com isso, muitos compradores não conseguem adquirir o volume desejado, situação que pressiona ainda mais os preços pela relação entre oferta e procura.
A Petrobras ainda não anunciou nenhum aumento oficial desde o início do conflito no Oriente Médio.
Motivo
A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gera riscos à navegação de petroleiros no Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. As embarcações que passam por ali têm acesso ao extremo oriente pelo Oceano Índico, ou então contornam a Arábia Saudita para ter acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, chegando à Europa e facilitando o acesso ao Oceano Atlântico.
Pela região circula cerca de 20% do petróleo mundial, proveniente de países como Kuwait, parte da Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e do próprio Irã.
“Fica até difícil estimar de quanto será o aumento e por quanto tempo vai durar esse período de pressão provocado pela guerra”, afirma o financista e consultor estratégico Lucas Borges.
Na avaliação do economista Hipólito Martins, o aumento nas bombas não deveria ocorrer antes de um reajuste oficial da Petrobras. “Mas sabemos que não é assim que funciona. Com a guerra, parte da produção de petróleo enfrenta dificuldades de escoamento e começa a faltar produto. O mundo todo vai sentir esse impacto se a situação não for resolvida rapidamente — e aparentemente não será.”
Enquanto isso, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue aumentos nos preços de combustíveis registrados no Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
Petrobras
O leilão de diesel realizado pela Petrobras nesta quarta-feira, 11, com o objetivo de reduzir problemas de abastecimento no Sul do País em plena safra, vendeu o combustível a um preço R$ 1,80 acima do praticado nas refinarias da estatal.
Ao todo, foram vendidos 20 mil metros cúbicos (m³) — o equivalente a 20 milhões de litros de diesel — para entrega a partir de 16 de março. O leilão atendeu a um pedido das chamadas TRRs (Transportadores-Revendedores-Retalhistas), que comercializam diretamente com produtores rurais, indústrias e transportadoras e demonstraram preocupação com o fornecimento, impactado pela guerra no Oriente Médio.
Segundo uma fonte do setor que pediu anonimato, “não está faltando produto, mas houve reclamações das TRRs de que seus pedidos não estavam sendo atendidos pelas distribuidoras”.
Já a Petrobras afirmou que “a venda de produtos por meio de leilão é uma prática comercial prevista nos contratos firmados com as distribuidoras, com o objetivo de complementar a oferta regular ou capturar oportunidades por meio da venda de volumes adicionais, de forma competitiva, transparente e isonômica”.
A expectativa por um reajuste do diesel nas refinarias da Petrobras — que há 310 dias não altera o preço do combustível — tem levado distribuidoras a buscar volumes extras nas refinarias. A estatal, porém, adotou o sistema de “cota-dia”, que limita a retirada aos contratos já estabelecidos. (Com Agência Estado)