Carne bovina

O esgotamento da cota de importação de carne bovina brasileira sem tarifa pela China vem provocando mudanças na indústria frigorífica e maior preocupação entre os pecuaristas. Com a perspectiva de que o volume de 1,106 milhão de toneladas possa ser atingido entre os meses de julho e agosto, frigoríficos de alguns estados passaram a reduzir o ritmo de abates e conceder férias coletivas diante de uma possível demanda menor do principal comprador da carne bovina do Brasil. A sobretaxa imposta pelo governo chinês é de 55%, além da tarifa de 12% já aplicada. Para o pecuarista Augusto Cavalin, esse ajuste nas escalas dos frigoríficos acaba interferindo em preços mais baixos na arroba do boi gordo comercializada no País.
Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 1,705 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 1,476 milhão de toneladas. Já a receita alcançou US$ 9,85 bilhões, alta de 36,2%. Com esse crescimento, a média mensal de embarques no período foi de 284 mil toneladas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Entre os principais mercados no semestre, a China liderou com 794,7 mil toneladas e US$ 4,87 bilhões em compras, aumento de 24% em volume e de 49,4% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Superávit do agro
No primeiro semestre de 2026, o agronegócio paulista registrou superávit de R$ 53,56 bilhões (US$ 10,38 bilhões). Esse resultado foi impulsionado por exportações que somaram US$ 13,34 bilhões, frente a importações de US$ 2,96 bilhões. No período, o setor respondeu por 37,9% do total das exportações do estado, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,8% do total estadual. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o complexo sucroalcooleiro foi responsável por 22,5% do total exportado pelo agro paulista O setor de carnes, na segunda posição, com 17,5% das vendas externas do setor, sendo a carne bovina responsável por 84,1% desse total. “Esse resultado proporciona um crescimento econômico para o estado, geração de empregos e desenvolvimento, principalmente no interior paulista”, afirmou Carlos Nabil, da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta).
Cana-de-açúcar

O primeiro trimestre da safra 2026-2027 encerrou com queda nos preços dos etanóis anidro e hidratado no estado de São Paulo. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a maior oferta de etanol de cana-de-açúcar e de milho, favorecida pelo avanço da safra, pressionou as cotações. Segundo os pesquisadores, em junho, as usinas tiveram dificuldades em seguir com as atividades industriais por conta das paralisações provocadas pelas chuvas nas lavouras, e os preços ofertados chegaram a subir em alguns períodos. Por outro lado, algumas unidades produtoras tiveram liquidez mais limitada, chegando a registrar preços mais baixos.