Diário da Região
MUDANÇAS NO COMANDO

Azul sai de recuperação judicial nos EUA

por Agência Estado
Publicado em 24/02/2026 às 00:08Atualizado em 24/02/2026 às 00:28
Ouvir matéria

Com a conclusão de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11), a companhia aérea Azul deixa de ter seu fundador, David Neeleman, como controlador e opera como uma corporation (empresa cujo controle é pulverizado). A companhia que emerge dessa reestruturação deverá ter as norte-americanas United Airlines e American Airlines como acionistas de referência, cada uma com 8% de participação — o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda precisa aprovar a entrada da American na empresa.

Apesar de perder o controle da Azul, Neeleman, um empresário norte-americano nascido no Brasil, continua fazendo parte do Conselho de Administração, do qual é presidente.

O CEO da companhia, John Rodgerson, também permanece no Conselho e no cargo. “(Não ter um controlador) fez parte do acordo para não proteger a participação de ninguém (durante a reestruturação). O que foi protegido nesse processo foi a Azul”, disse Rodgerson.

A Azul anunciou na última sexta-feira sua saída do chapter 11, após quase nove meses de reestruturação. Nesse período, a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem (dívida líquida em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2,5 vezes. Há um ano, esse indicador era de 4,9 vezes. Os juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos também recuaram — em mais de 50% — e os custos de locação de aeronaves caíram em um terço.

Para deixar a reestruturação judicial para trás, a empresa ainda emitiu US$ 1,375 bilhão em dívida e recebeu uma injeção de US$ 950 milhões por meio de participação na companhia. Desse montante, US$ 100 milhões foram da United Airlines. Outros US$ 100 milhões devem ser colocados pela American Airlines assim que houver aval do Cade.

PRESTÍGIO PERDIDO

Em sua nova fase, a Azul terá como foco, segundo Rodgerson, recuperar o cliente perdido durante a reestruturação. A intenção é priorizar melhorias no serviço para atrair o consumidor, e não o crescimento.

Antes mesmo da recuperação judicial, a Azul atravessou uma fase de deterioração de seus serviços, com voos sendo cancelados. O NPS (métrica que indica a probabilidade de uma empresa ser recomendada pelo cliente) chegou a cair 34 pontos. Segundo o executivo, em seis meses até junho de 2025, 30 pontos haviam sido recuperados.

“Vamos crescer com responsabilidade e reconquistar nossos clientes. Voar com a Azul sempre foi diferenciado, mas, nos últimos seis anos, estávamos em um modo de sobrevivência”, afirmou o CEO. “Agora, estamos no modo de reinvestir nos nossos clientes e na nossa marca, mas vamos fazer isso com responsabilidade. Se passo a crescer 20% ao ano, vou perder o foco de reconquistar o que é nosso”, acrescentou.