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INFLAÇÃO

Aneel autoriza aumento na conta de energia em Rio Preto e região

Aumento foi concedido para a CPFL Paulista, responsável pela distribuição de energia na região de Rio Preto; alta será de 9,15% para os consumidores de baixa tensão, como as casas, enquanto indústrias e empresas terão aumento de 18,75%

por Lucas Israel
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Agência de atendimento da CPFL Paulista em Rio Preto (Lucas Israel 22/4/2026)
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Agência de atendimento da CPFL Paulista em Rio Preto (Lucas Israel 22/4/2026)
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quarta-feira, 22, o Reajuste Tarifário Anual da CPFL Paulista, com efeito médio de 12,13% nas tarifas. O novo patamar passa a vigorar após a publicação da resolução homologatória da agência e atinge diretamente consumidores atendidos pela concessionária, que opera em 234 municípios do interior paulista, incluindo a região de Rio Preto.

A recomposição tarifária será heterogênea entre os grupos de consumo. Clientes de alta tensão, como indústrias e grandes empresas, terão aumento médio de 18,75%, enquanto consumidores de baixa tensão — caso das residências - terão reajuste específico de 9,15%, segundo a companhia.

O cálculo tarifário considera custos não gerenciáveis pela distribuidora, como compra de energia, transmissão e encargos setoriais. Neste ciclo, esses componentes pressionaram o índice, com destaque para a elevação de encargos como CDE Uso, PROINFA e ESS/EER, além da atualização das receitas das transmissoras e do custo de geração, impactado pela revisão de contratos.

“No cálculo das tarifas, a Aneel considera a previsão de custos com compra de energia (geração), sistema de transmissão e os encargos setoriais, de acordo com as regras estabelecidas para o setor. Para a distribuição da energia elétrica, única parte que a CPFL Paulista gerencia, a Aneel estabelece a receita eficiente para a empresa”, afirmou a CPFL Paulista, em nota.

Por outro lado, a chamada “Parcela B” — que reflete os custos operacionais da distribuidora — apresentou redução, influenciada pela variação negativa de 1,98% do IGP-M, descontado o Fator X, mecanismo regulatório que compartilha ganhos de produtividade com o consumidor.

Apesar da pressão nos preços, alguns componentes financeiros contribuíram para mitigar parcialmente o reajuste, como a devolução de créditos de PIS/Cofins e a quitação da Conta Escassez Hídrica. Ainda assim, o efeito final ficou acima do registrado no ciclo anterior, quando houve redução média de 3,66% nas tarifas da concessionária.

A CPFL Paulista atende cerca de 5,12 milhões de unidades consumidoras e movimenta faturamento anual da ordem de R$ 16,1 bilhões. A empresa integra a CPFL Energia, controlada pela chinesa State Grid, que atua em distribuição, geração, transmissão e comercialização de energia no país. O grupo atende aproximadamente 10,7 milhões de clientes em quatro estados e detém participação superior a 13% no mercado nacional de distribuição.

EFEITO

O aumento do custo do preço da energia elétrica é outro item que promete pressionar a inflação ao longo dos próximos meses. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já apontou um aumento de preços influenciado pela alta do petróleo em função do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, incluindo o fechamento do estreito de Ormuz.

Agora, com o aumento do preço da energia na região, a tendência é que os preços mantenham-se pressionados a subir. Segundo o economista Hipólito Martins Filho, apesar de o Brasil ser um dos mais desenvolvidos no mundo no que diz respeito a produção de energia limpa, com fontes eólicas, solar, hidrelétricas e solares, isso não é o suficiente para poder manter o reajuste em um patamar “aceitável”.

“A energia, quase sempre, está subindo o dobro da inflação do período. Isso não só tira o poder de compra do consumidor, mas encarece ainda mais os produtos. E temos um aumento de quase 20% para as indústrias, empresas, significando um repasse imediato no preço dos produtos. A energia elétrica, e os combustíveis correm por toda a cadeia produtiva e corroem os ganhos das empresas. Por outro lado, o consumidor também paga mais que o dobro da inflação do ano passado, pesando ainda mais nas contas do mês”, afirma.