Alckmin exalta acordo com UE

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 10, que há no mundo “um protecionismo escondido” por parte de alguns países com base em questões sanitárias. Alckmin não mencionou nenhum País, mas o Brasil enfrenta problemas com a União Europeia quanto à exportação de carne.
O bloco europeu suspendeu a autorização de importação de carnes bovina e de frango do Brasil a partir de 3 de setembro. O motivo dado pelos europeus é a falta de comprovação de novas normas sobre o controle de antimicrobianos na pecuária brasileira.
“A questão da vigilância sanitária é fundamental. Após 18 anos, foram revitalizados quase mil colaboradores para sermos rigorosos com a vigilância sanitária. O Brasil é hoje um país exportador de carne sem vacinação contra febre aftosa, não precisa mais de vacinação. Influenza aviária também estamos livres, tivemos um caso controlado em 28 dias. E temos que avançar mais, porque há hoje um protecionismo escondido, sobre a questão sanitária”, afirmou o vice-presidente na abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Apesar disso, Alckmin destacou o crescimento das exportações do Brasil para a União Europeia nos últimos dois meses, após o início da vigência provisória do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul. Ressaltou o crescimento de quase 4% das exportações e disse que esse tipo de acordo “tem nos ajudado mesmo com as questões americanas para bater recorde de exportação”.
O vice-presidente voltou a dizer que o Brasil terá “todo o empenho pela negociação” com os Estados Unidos e que “não vamos sair da mesa de negociação”.
“Todo o empenho pela negociação. Não vamos sair da mesa de negociação. Vamos insistir e mostrar a injustiça”, afirmou. “Não tem o menor sentido isso. Vamos trabalhar firmemente para corrigir essa distorção e voltar ao mercado americano. Hoje, afeta 15% das nossas exportações, está muito afetada, a indústria.”
EVENTO
A abertura do evento, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio em parceria com a B3, a Bolsa do Brasil, contou com importantes lideranças do agronegócio brasileiro, como o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a senadora e ex-ministra Tereza Cristina, o vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Arnaldo Jardim, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a presidente executiva da Organização das Cooperativas do Brasil, Tania Zanella, entre outros.
O presidente da ABAG, Ingo Plöger, ressaltou a trajetória de 25 anos do evento e afirmou que a entidade acredita que o futuro do agronegócio deve ser construído de forma integrada com a indústria. “A agricultura é uma indústria a céu aberto”, resumiu Plöger. Ele reforçou o protagonismo do Brasil no combate à insegurança alimentar no mundo. A agricultura tropical desenvolvida pelo Brasil, segundo Ploger, produz resultados que nenhum outro país alcança.