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AgroDiário

Piscicultores investem em pesquisa científica para criar tanque redondo

A estrutura redonda, diferentemente dos tanques-redes de formato quadrado e que são os mais comuns para a criação de tilápia em rios brasileiros, deve modernizar o setor da tilapicultura; entenda

Cristina Cais
Publicado em 13/11/2021 às 03:35Atualizado em 13/11/2021 às 07:44
Tanques redondos instalados no Rio Grande: expectativa de aumento da produção e redução dos custos (Divulgação)

Tanques redondos instalados no Rio Grande: expectativa de aumento da produção e redução dos custos (Divulgação)

A piscicultura do Noroeste Paulista vem crescendo a cada ano e acompanha os investimentos na produção de tilápia, que teve aumento de 12,5% no ano passado em comparação a 2019, de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe-BR). Piscicultores, diante deste cenário, estão investindo em tecnologias inéditas e de ponta para aumentar a produção de tilápia e diminuir custos com a criação. Em uma das inovações do setor, foram fabricados 30 tanques redondos para uma fazenda de tilápia no rio Grande, no município de Riolândia. O investimento contou ainda com as pesquisas do Instituto de Pesca de Rio Preto, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

A estrutura redonda, diferente dos tanques-redes de formato quadrado e que são os mais comuns para a criação de tilápia em rios brasileiros, deve modernizar o setor da tilapicultura. Segundo Alexandre Masocatto Pulino, piscicultor e diretor da Fisher Piscicultura, a ideia do tanque redondo ganhou força a partir de pesquisas e da própria experiência da empresa, que demonstravam a necessidade de produção em escala da tilápia, que sai do rio e vai para o mercado.

“A tecnologia foi concebida diante das nossas necessidades, de passarmos de uma produção de 150 toneladas de tilápia por mês e atingirmos a marca de 700 toneladas. Mas a ideia é comercializarmos e difundir a tecnologia do tanque redondo para todo o Brasil”, disse Alexandre. A estrutura do tanque redondo, de acordo com Alexandre, representou ganho na área de cultivo do peixe, já que foi desenvolvida com 14 metros de diâmetro e 450 metros cúbicos de profundidade na água.

A diferença é 25 vezes maior nesta área de cultivo da nova tecnologia se comparada com o tanque quadrado, que é de 18 metros cúbicos de profundidade. Além disso, o peixe não é retirado da água e a alimentação é oferecida a cada 15 minutos, o que diminui a competitividade por alimento entre as tilápias. “São métodos mais intensivos e com melhor performance na produção, como essa de termos um silo acoplado ao tanque, que fornece o alimento para o peixe”.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2014, com estudos realizados por Hélio de Souza Barbosa, um dos sócios da Fisher. Os criadores de tilápia iniciaram a produção na região de Santa Fé do Sul, com cerca de 1 mil tanques-redes. “Era difícil para gerenciar tantos tanques e fazer o controle desses tanques, que eram no formato quadrado”.

Com investimento de R$ 15 milhões da empresa, o projeto dos tanques redondos que flutuam no rio Grande também contou com investimento de mais de R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Para se apoiar na ciência e desenvolver um trabalho mais eficiente, Alexandre teve o apoio dos pesquisadores do Instituto de Pesca de Rio Preto e do Polo Regional Leste Paulista (Apta), de Monte Alegre do Sul.

Criação inédita no País

O gerente de operações da Fisher, Claudio Masocatto, disse que a fabricação dos tanques redondos é inédita na piscicultura do País e totalmente produzida pela empresa, na propriedade de tilápias em Riolândia. “É tudo feito por nós, aqui na beira do rio, e totalmente automatizado, com o recurso de um software que controla o manejo da criação de tilápias na água”.

A inspiração do tanque redondo para a tilápia veio do trabalho com o confinamento de bovinos, em uma fazenda em que o curral tinha uma estrutura circular, com porteiras que separavam os animais. “Trouxemos isso para a criação de peixes para melhorar o manejo dentro do tanque e não deixar o peixe tão estressado na condução”.

Claudio diz ainda que tudo é projetado em alumínio e plástico para que não ocorra a oxidação do material, com tela protetivas que são mais fáceis de limpar. “Não precisamos contar com mergulhadores para fazer a limpeza, principalmente do mexilhão dourado, uma praga que invade os tanques-redes em toda a região”.

Apoio de pesquisadores

A região do Noroeste Paulista tem grande potencial para a produção de pescados e as pesquisas vêm contribuindo para toda a cadeia produtiva da tilápia. É o que a pesquisadora científica do Instituto de Pesca de Rio Preto Daniela Castellani destaca no trabalho que ela também contribuiu, com a tecnologia desenvolvida para os tanques redondos no rio Grande.

“A empresa nos procurou, para acompanhar o projeto dos tanques redondos e nós fizemos o acompanhamento, testando a temperatura da água, a parte nutritiva da criação, com a alimentação necessária e todo o funcionamento deste tanque”, disse Daniela. Os resultados para a pesquisadora foram positivos. Após os testes feitos pelos especialistas, com os primeiros tanques redondos, Daniela disse que o ganho está sendo significativo para a produção de tilápias. (CC)

Vacinação com mais eficiência

O médico veterinário Rodrigo Zanolo desenvolveu o equipamento de vacinação de tilápias

Na tilapicultura, produtores tem na vacinação dos peixes jovens um dos trabalhos mais criteriosos e com muita mão-de-obra para vacinar uma tilápia por vez. Mas uma nova tecnologia, também inédita e brasileira, já vem sendo aplicada nos criatórios de Santa Fé do Sul, com um equipamento que faz o serviço automatizado da vacinação dos peixes.

“A máquina de vacinação automática proporciona o aprimoramento do sistema, tem o mesmo padrão estabelecido manualmente, com produtividade e eficiência vacinal de 95%. Um funcionário hoje que vacina 1,5 mil peixes por hora, com a máquina, ele consegue vacinar 5 mil peixes por hora”, diz o piscicultor Emerson Esteves. Ele instalou o equipamento na propriedade e está satisfeito com a nova tecnologia.

A vacinação em tilápias ocorre para combater a streptococcus, uma bactéria que causa a morte dos peixes, conhecida também como a doença dos olhos saltados. Conforme o médico veterinário Rodrigo Zanolo, quando atinge peso entre 30 a 50 gramas, com idade de 90 dias, a tilápia recebe uma dose única de vacina para se proteger da doença.

Rodrigo, que é gerente de mercado de aquicultura da MSD, empresa que desenvolveu o sistema automático de vacinação em tilápias, afirmou que a tecnologia é a aposta para a criação do peixe no País. “É um equipamento específico para vacinar tilápias, testado entre vários criadores do peixe e que aumenta em até cinco vezes a velocidade da vacinação, se comparada com o método manual”, disse Rodrigo. (CC)

 
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