Técnica da inseminação artificial em tempo fixo traz vantagens ao produtor de leite
Em treinamento na região de Rio Preto, veterinário orienta sobre o manejo do gado

Ao contrário da inseminação de bovinos convencional, uma tecnologia traz vantagens aos produtores de leite, permitindo maior eficiência nos índices reprodutivos e melhoria na atividade leiteira. É a técnica, conhecida como inseminação artificial por tempo fixo (IATF), que gera inúmeras vantagens para o produtor, como, por exemplo, a programação para a fertilização das fêmeas leiteiras.
Na região de Jales, especialistas treinam os produtores de leite, incentivando a tecnologia sobre a IATF, e para que os produtores consigam realizar o manejo por conta própria, sem a necessidade de um profissional. As orientações fazem parte de um projeto sobre bovinocultura de leite da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, além de visitas técnicas que os pecuaristas de gado leiteiro fizeram para conhecer as propriedades leiteiras.
“Com a técnica, o produtor ganha em tempo, se compararmos com a inseminação tradicional, já que ele precisa ficar praticamente um dia inteiro, ou mais de um dia, observando o período de cio do rebanho”, conta Claudio Camacho Pereira Menezes, veterinário da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Jales e responsável pelos treinamentos aos produtores de leite.
Claudio explica que muitos produtores, na inseminação natural, com o trabalho de observação do rebanho para detectar o cio das fêmeas, perdem esse tempo para a efetuar a inseminação, o que depois se repetiria em 21 dias.
“As pesquisas mostram que o método de aplicação de hormônios para a indução do cio, permite uma sincronização da ovulação das vacas, com muitas vantagens para a bovinocultura”, afirma.
A reprodução dos animais, segundo Claudio, afeta diretamente a produção leiteira, uma atividade que tem muitas etapas para serem cumpridas sistematicamente para o pecuarista. Com a técnica, o veterinário explica que o produtor consegue o desempenho e a lucratividade dos rebanhos leiteiros na propriedade.
“É acelerar o processo, poder planejar os dias para o período de parição. Com esse manejo, aumenta a lactação das fêmeas, o que tem a maior produtividade de leite para o produtor”, diz.
Treinamento
Em treinamento realizado no sítio São João, em Santa Albertina, Claudio colocou em prática os manejos para a inseminação artificial em tempo fixo, quando foram feitas as aplicações de hormônios em oito fêmeas.
“Desse total de animais, quatro emprenharam de uma só vez, o que consideramos muito bom”, afirma o veterinário.
Os produtores puderam aprender a aplicar as doses hormonais, dentro de um protocolo a ser seguido e orientado pelo veterinário, em um período de dez dias. De acordo com Claudio, o produtor faz a colocação de um implante, na fêmea, para a liberação de hormônios, até chegar à inseminação.
“Não significa que a fêmea vai realmente emprenhar com a primeira dose de sêmen, depende muito de vários fatores. Mas em 50% dos casos, o resultado é muito positivo e a prenhez acontece satisfatoriamente”, finaliza Claudio.
Apresentação às novas tecnologias
Entre as atividades que estão inseridas no projeto de bovinocultura de leite, idealizado pela regional da Cati de Jales, os produtores de Santa Albertina visitaram, no mês de janeiro, algumas tecnologias desenvolvidas por grandes propriedades leiteiras no interior do estado de São Paulo.
“É uma iniciativa importante para os produtores conhecerem outros sistemas de produção de leite”, ressalta o agrônomo e responsável pela Casa da Agricultura de Santa Albertina, João Vitor Ferrari. Ele conta, ainda, que os produtores conheceram a fazenda Colorado, que produz o leite Xandô, em Araras.
“Os pecuaristas queriam muito conhecer o sistema de carrossel, uma estrutura que possibilita 76 vacas serem ordenhadas de forma individual, sendo tudo automatizado”, conta.
Na visita, os produtores conheceram as diversas fases da produção leiteira, do campo à indústria.
No mesmo dia, a excursão técnica também levou os produtores em Botucatu, na Central Bela Vista, empresa que coleta sêmens. Eles puderam conhecer os laboratórios e como é feito o processamento do sêmen até ser comercializado.
“É gratificante ver a satisfação dos produtores nestas visitas, porque eles trabalham de domingo a domingo, e mereciam muito conhecer novas tecnologias”, conclui Ferrari. (CC)
Técnica e praticidade
Dioraci Donizeti Testi é o proprietário do sítio São João, local em que os produtores do município de Santa Albertina, receberam o treinamento para o protocolo hormonal, ou seja, o início para a inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Para ele, a praticidade da tecnologia é uma das vantagens para a produção de leite.
“É bem mais prático, não precisamos ficar esperando o dia do cio das fêmeas. Antes a gente tinha que ficar entre o gado, o dia inteiro esperando para fazer a inseminação”, diz o produtor.
Com a produção diária de 400 litros de leite, Dioraci possui 45 fêmeas em produção, e está na atividade leiteira há mais de 30 anos. O produtor destaca que com os custos altos da produção de leite, técnicas como a IATF são importantes para o ganho de lucratividade.
“Quanto antes a vaca parir, melhor para o produtor, porque é um gasto a mais quando ela fica a pasto, com a alimentação, por exemplo”, afirma.
“O curso vai me ajudar muito, já que eu faço a inseminação há mais de 10 anos. Mas eu não sabia fazer o implante de hormônios, da IATF. É bom ainda porque a gente pode programar para que nasçam bezerros em uma semana”, comenta o produtor Otaide Procópio Martins, que também recebeu o treinamento dos profissionais da Cati de Jales.
Otaide possui atualmente 35 fêmeas, sendo que 23 estão em produção (lactação) e faz uma média de ordenha de 400 litros de leite por dia, na propriedade em Santa Albertina. Ele diz ainda que a técnica por IATF possibilita a rentabilidade para produção leiteira.
“Quando a gente programa um número de fêmeas maior, para a reprodução, pode ajudar muito, em uma época em que o leite está melhor de preço, aumentando a nossa produtividade”, pontua o produtor. (CC)