SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 05 DE DEZEMBRO DE 2021
AgroDiário

Setor sucroenergético e produtores rurais aceleram o uso de tecnologia na região de Rio Preto

Plataforma Iniciativa de Agricultura Sustentável é uma das iniciativas que vem sendo aplicadas por empresas e certificando produtores rurais

Cristina Cais
Publicado em 23/11/2021 às 23:12Atualizado em 24/11/2021 às 16:12
Canavial da usina Tereos: com o SAI, há melhora nas técnicas de preservação, melhor aproveitamento das terras e maior qualidade do produto (Divulgação/Ferdinando Ramos/ Plus Images)

Canavial da usina Tereos: com o SAI, há melhora nas técnicas de preservação, melhor aproveitamento das terras e maior qualidade do produto (Divulgação/Ferdinando Ramos/ Plus Images)

As possibilidades em tecnologia são infinitas e estão na mão do produtor rural e das empresas que atuam na produção de cana-de-açúcar. O uso de tecnologia digital pode ocorrer em várias etapas do manejo do canavial, envolvendo produtividade, redução de custos e, mais recentemente, sustentabilidade nas plantações. A plataforma Iniciativa de Agricultura Sustentável é uma das iniciativas que vem sendo aplicadas por empresas e certificando produtores rurais às práticas de gestão de negócio e sustentabilidade em canaviais.

A plataforma internacional SAI (Sustainable Agriculture Iniative) é uma organização independente e vem avaliando a qualidade das matérias agrícolas das unidades agrícolas da Tereos. No Noroeste Paulista, estão concentradas sete unidades de processamento e uma refinaria do grupo. “Há alguns anos a Tereos tem trabalhado em práticas sustentáveis com os produtores em áreas de produção própria da empresa. E há três anos, resolvemos expandir a plataforma para os fornecedores”, diz Renato Zanetti, superintendente de Excelência Operacional da Tereos.

Como 48% da cana processada pela empresa vem dos produtores, é importante ter uma plataforma que contribua para as boas práticas do produto e tenha o foco na sustentabilidade. Além disso, ele afirmou que o produtor soma ganhos na gestão da propriedade com a certificação do SAI. Ao adotar algumas práticas propostas pela plataforma, Renato avaliou que o produtor tem um negócio mais eficiente, um cuidado maior com os funcionários, agrega valor na sua operação e tem maior respeito pelo meio ambiente.

Carlos Simões, diretor de negócios agrícolas, supply chain e TI da Tereos, explicou que para os produtores, o SAI promove uma melhor gestão da propriedade e de atendimento aos critérios relacionados à legislação. “Há uma melhora nas técnicas de preservação do canavial, melhor aproveitamento das terras e maior qualidade do produto. Para o produtor conseguir o reconhecimento é necessário garantir a conformidade em aspectos relacionados à gestão da propriedade, solo, águas, resíduos, defensivos agrícolas, agroquímicos, entre outros.”

Atualmente, seis produtores avaliados nesta iniciativa de sustentabilidade fazem parceria com a empresa do setor sucroenergético e foram certificados em todas as perspectivas deste tipo de manejo, baseados na plataforma internacional. A produtora rural e CEO do Grupo Junqueira Rodas, Sarita Junqueira Rodas, está certificada junto ao SAI e diz que “é uma forma do produtor mostrar as suas práticas sustentáveis dentro da propriedade e na gestão do seu negócio”.

Na visão de Sarita, a sustentabilidade vai muito além de produtividade do manejo no canavial, sendo um compromisso com o futuro dos negócios e da sociedade também. “Nas nossas propriedades, as práticas sustentáveis sempre foram muito inseridas. Com a implantação da plataforma, nós adequamos os processos com maior clareza e das regras propostas pelo SAI, dentro das particularidades de cada produtor rural”, concluiu Sarita.

Produtores conectados

Uma pesquisa aplicada em 2020, com a participação de mais de 500 agricultores de todos os estados brasileiros, apontou que o uso de tecnologia em propriedades está cada vez mais presente. A pesquisa realizada pela Embrapa, em parceira com o Sebrae e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou que 84% dos agricultores brasileiros já utilizam ao menos uma tecnologia digital como ferramenta de apoio na produção agrícola.

Essas ferramentas digitais são utilizadas em atividades gerais com o objetivo de ajudar no planejamento e na gestão da propriedade, de acordo com os pesquisadores da Embrapa. A pesquisa avaliou ainda que boa parte dos produtores rurais já utiliza outras tecnologias, a partir de sensores remotos e de campo, eletrônica embarcada, aplicativos ou plataformas digitais para fins específicos em uma cultura ou sistema de produção.

Para o produtor rural Alexandre Pinto César, os recursos em tecnologia estão avançando e devem ser definitivos no campo com a chegada da conectividade em 5G. “Existem, na cultura de cana-de-açúcar, vários softwares que fazem o controle de insumos, de combustível da máquina e de plantio para os produtores. E para as empresas do setor, há um controle muito eficiente dessa tecnologia, que monitora todo o trabalho no canavial”, afirmou Alexandre.

Alexandre disse que nas propriedades, utiliza com mais frequência o sistema de GPS, com georreferenciamento, para o plantio das mudas de cana. Com o recurso do software, o produtor faz todo o planejamento de novas plantações do canavial. “É uma técnica muito bacana, com grande benefício para a produtividade e economia do processo de plantio”. As linhas de cana, com a técnica de plantio inseridas no GPS da máquina, são melhores aproveitadas na colheita, segundo Alexandre. (CC)

De olho nos incêndios

Foco de incêndio pode ser detectado por plataforma digital

As mudanças climáticas, o tempo seco, as geadas e os incêndios afetaram muito as culturas agrícolas em 2021, e ainda um pouco mais, a cana-de-açúcar. É que há uma exposição maior do canavial a todas essas situações climáticas. Com este cenário, os produtores e empresas estão mais atentos às tecnologias que podem contribuir na produção agrícola. Uma das ferramentas, o monitoramento de incêndios ou queimadas dos canaviais, está no radar do dia a dia do canavial.

A GMG Ambiental, empresa que atua no monitoramento destes incêndios, faz o acompanhamento de 4,5 milhões de hectares de canaviais em tempo integral para os produtores e usinas. Segundo a responsável comercial pela GMG, Flávia Nunes Bressanin, a ferramenta permite que os produtores tenham acesso a todos os dados necessários para diminuir a ocorrência de incêndios no campo. Nos meses de julho e agosto, quando o tempo está mais seco e há maior incidência de fogo nos canaviais, Flávia avaliou entre 20 a 30 focos de incêndio, diários na região de Rio Preto.

“É um sistema muito robusto de tecnologia, em que avaliamos desde o campo até as centrais de monitoramento das propriedades, quando há o alerta para um foco de incêndio”. Com a ferramenta, Flávia disse que é possível avisar os brigadistas de incêndio, que ficam em pontos estratégicos das propriedades ou usinas, contribuindo na agilidade da informação sobre qualquer foco de incêndio. (CC)

Sarita, entre Carlos e Renato, ao receber certificação da plataforma internacional (Divulgação)
 
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