SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 22 DE MAIO DE 2022
AgroDiário

A partir de junho, Rio Preto terá Centro de Pecuária Sustentável

Sistema envolve R$ 10 milhões em investimentos; animais criados em ambientes sustentáveis abrem mercados de commodities

Cristina Cais
Publicado em 14/05/2022 às 03:06Atualizado em 14/05/2022 às 09:27
Laboratório ruminal do Centro Avançado de Bovinos de Corte em Sertãozinho; modelo igual será instalado no futuro Centro de Pecuária de Rio Preto (Divulgação)

Laboratório ruminal do Centro Avançado de Bovinos de Corte em Sertãozinho; modelo igual será instalado no futuro Centro de Pecuária de Rio Preto (Divulgação)

A partir de junho, Rio Preto passa a contar com o Centro de Pecuária Sustentável, destinado a pesquisas que impulsionem a tecnologia no setor e ao manejo da produção intensiva de bovinos de corte, com foco na sustentabilidade. Um dos principais objetivos é mensurar a participação da pecuária de corte na emissão de gás metano, segundo o diretor-geral do Instituto de Zootecnia (IZ), Enilson Geraldo Ribeiro.

O centro vai funcionar na fazenda modelo de 220 hectares, em área da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e terá investimentos de R$ 10 milhões. Enilson diz que serão instalados dois laboratórios para as pesquisas: um que abrange as áreas de emissão de gás metano pelos bovinos e outro voltado ao estudo do melhoramento genético dos animais. “É importante termos um centro de pesquisas com esse enfoque no Brasil, avaliando a sustentabilidade da produção de carne bovina”.

Enilson explica que o Brasil fez um acordo durante a Cop26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), com base em dados de 2020 para diminuir em 30% a emissão de gases de efeito estufa. “Precisamos mensurar melhor a participação da pecuária de corte nesta questão, com animais mais eficientes, alternativas de alimentação e manejo de pastagens que contribuam com a fixação de carbono no solo.”

A pesquisadora do IZ e responsável pelo projeto de instalação do Centro, Renata Branco Arnandes, diz que a partir de junho já se inicia, na fazenda modelo de Rio Preto, o plantio de culturas de soja e milho, que vão formar o sistema de integração lavoura-pecuária. A inauguração, segundo Renata, com todas as instalações, está prevista para o mês de novembro.

“O produtor, no sistema de integração com a lavoura, entra com a soja, o milho e na entressafra, retorna com o boi, usando a terra durante o ano todo”, diz Renata. Segundo a pesquisadora, o local vai contar com 16 coxos para o confinamento, que vão avaliar o consumo do animal e 30 baias coletivas para análise da nutrição dos bovinos. “Com a criação deste Centro de Pecuária, que é o primeiro com essa temática sustentável no Brasil, pretendemos intensificar as pesquisas e tecnologias para toda a cadeia produtiva bovina”.

Região adere a sistema

A tendência de práticas mais sustentáveis para o manejo da produção de carne bovina vem ganhando força nas fazendas da região.

Pesquisadores estão empenhados em novos estudos sobre a diminuição de gás metano na produção pecuária e na fixação de carbono em áreas de pastagens. Com essas práticas, especialistas e produtores afirmam que o mercado abre novas perspectivas com a sustentabilidade e a eficiência de produtividade do rebanho.

Entre os sistemas de produção de pecuária sustentável, a pesquisadora do IZ aponta a integração entre lavoura e pecuária eficiente para o produtor conduzir o rebanho. Segundo Renata, o Brasil possui 17 milhões de hectares de produção entre a pecuária integrada com as lavouras (soja e milho), sendo que 40% estão em áreas de pastagens degradadas.

“Nossas pesquisas avaliam as pastagens neste sistema integrado com a pecuária e atende muito bem ao manejo sustentável. Após o produtor plantar soja e milho, a pastagem para os animais será de excelente qualidade”, explica Renata. Além disso, a pesquisadora lembra que é um sistema que reduz as emissões de gás metano na propriedade, onde se concentram áreas de capim que podem aumentar a fixação de carbono, ideal para o meio ambiente.

Renata destaca as três grandes áreas para o manejo que reduz a emissão de gases por parte do rebanho bovino: o melhoramento genético, a manipulação da fermentação ruminal (conversão dos alimentos dos animais) e a utilização de dietas e pastagens de qualidade.

Produtor adota sistema lavoura-pecuária

Rebanho bovino do pecuarista Gustavo Polizelli, que optou pelo sistema de integração

Dados da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) estimam um total de 449.437 animais bovinos nos 24 municípios da região de Rio Preto, em 2021. Entre os vários manejos de terminação intensiva para a pecuária de corte, produtores também têm investido cada vez mais em práticas sustentáveis.

Na fazenda do pecuarista Gustavo Polizelli, o sistema com a integração de lavoura e pecuária está sendo desenvolvido com bastante sucesso. “Plantamos a soja e colocamos o gado na área de soja na época da seca, depois a mesma área é dessacada, fazendo novos plantios e fechando o ciclo com o gado no pasto”, conta Gustavo.

Ele diz ainda que para a pecuária, o sistema tem a vantagem de ter capim novo, especialmente na época da estiagem, quando falta pasto para os animais na região. (CC)

Mercado exigente

Toda a cadeia produtiva da carne bovina requer a atenção do produtor para um mercado mais exigente, segundo Edmar Eduardo Bassan Mendes, diretor do Núcleo Regional de Pesquisa do Instituto de Zootecnia, de Rio Preto. “O mercado, até mesmo na ponta, com o consumidor, é bem mais exigente com relação à forma que o alimento é produzido. E toda a cadeia produtiva da pecuária precisa ter este controle de qualidade”, afirma.

De acordo com Edmar, produtores da região estão mais interessados em desenvolver a pecuária de corte com foco na sustentabilidade, com mais propriedades buscando o manejo de integração entre lavoura ou com florestas. Animais com uma alimentação de pasto bem manejado, segundo Edmar, contribuem não apenas com as questões ambientais, mas com a qualidade da carne bovina. (CC)

Pecuária sustentável: investimentos em pesquisas científicas visam dotar o setor produtivo com mais tecnologia, alcançando maior produtividade com menor impacto ambiental (Divulgação)

 
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